Editorial: Está na hora de pedirmos mais

O mercado brasileiro está crescendo e isso é fato. Cada vez mais vemos montadoras chegando para tentar beliscar um pedaço do nosso mercado. Da mesma forma que as empresas querem ganhar, está na hora de nós brasileiros fazer a nossa parte: pedir mais. Comprar um carro 0 km é sem dúvida a realização de um sonho, mas na maioria das vezes é muito cansativo e uma atividade de muito stress. Uma vez que você define qual carro quer comprar, seja ele escolhido de forma emocional ou racional, a primeira etapa é encontrá-lo em um concessionária, e isso não é fácil: não tem no estoque, vem com diversos pacotes que acrescem o preço, não tem a cor desejada, enfim, você é quase obrigado a comprar o que tem disponível, a não ser que tenha paciência para encomendar e esperar de 30 a 60 dias para ter o carro do seu jeito, da cor desejada, com os itens desejados e etc. O ponto é que agora temos que bater o pé. Sabemos que os preços no Brasil são mais altos que nos países vizinhos, principalmente pela alta carga tributária, mas também com a parcela (às vezes bem gorda) de lucro. Só como exemplo, acompanhamos um amigo na árdua tarefa de comprar um carro 0km. Ele queria verde, mas só encontrou prata: aceitou. Ele pediu todos os itens opcionais: ok, mas a unidade disponível não vinha com rodas de liga leve. Puxei ele de lado e disse: você já vai pagar relativamente caro por um carro completo e vai sair com um carro com calotas? Bem, chamou o vendedor e disse: quero rodas de liga leve. O vendedor o atendeu e disse: "Vamos ali na parte de acessórios para você escolher: preço R$ 2.000". Não consegui ficar indiferente e perguntei ao vendedor: "Quanto custam as rodas de liga leve originais instaladas na fábrica? O vendedor olhou uma extensa lista de opcionais, encontrou o pacote "XYZ" e respondeu: "esse pacote de fábrica, que inclui as rodas de liga leve, custa R$ 450,00". Como vocês devem imaginar, a conversa parou ali e o resultado foi: Ou o vendedor equipa o carro com esse pacote "XYZ" por R$ 450,00 ou nosso amigo não fecharia o negócio (nem com calotas, nem com as rodas da seção de acessórios por R$ 2.000). No fim, o vendedor conseguiu o pacote "XYZ" no carro em estoque e o negócio foi fechado. Esse foi apenas um exemplo de um item básico. Agora, está na hora de batermos o pé por mais: freios com ABS, airbags, sistema de som, pintura metálica entre outros. Obviamente isso não é possível em um carro de entrada (até porque grande parte não contam com estes itens nem como opcionais), mas temos que bater o pé e pedir mais, ou melhor, pedir tudo a partir dos carros nomeados como "premium". Está certo que a partir de 2014 será obrigatório em todos, mas agora temos que nos posicionar. As montadoras querem o nosso dinheiro, então, queremos mais qualidade e segurança sem ter que pagar mais por isso. Como defesa, as montadoras podem dizer que é impossível ou inviável. Se este for o posicionamento, tudo bem, fica com o seu carro parado aí no estoque que assim eu não quero. Basta lembrarmos que isso tudo era oferecido quando as mais recentes chegaram: bom preço e bom nível de equipamentos (tinha até carro 1.0 com airbags!). Com a presença mais forte e a consolidação no mercado, os itens foram sumindo e o preço subindo. Até mesmo a marca "sensação" do mercado já começa a agir da mesma forma: entregar menos, por mais (bem mais). Temos que nos posicionar e não mais aceitar pacotes opcionais absurdos como "kit visibilidade", "kit conforto" e "kit segurança". Precisamos pagar para o carro vir com itens básicos como desembaçadores, retrovisores com ajuste interno e vidros elétricos? Tapetes como brinde? Preparação para som? Nós fazemos o mercado. Nós, consumidores. Devemos pedir mais, exigir mais, falar não mesmo sendo contra o nosso desejo só para mostrar que quem manda, é o consumidor. Carros modernos, seguros, versões esportivas de verdades, atualizados com os outros mercados a preços acessíveis: é pedir muito? Se ficarmos pensando pequeno, sim. Mas se pensarmos que já somos o quarto maior mercado do mundo, isso é mínimo que as montadoras precisam nos oferecer para continuar vendendo "bem" por aqui. No próximo editorial, falaremos sobre a qualidade dos atendimentos nas concessionárias. Texto: Fábio/Redação

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