Coluna Alta Roda: Chineses? Muito chão à frente - Fiat Bravo chega no fim do ano

A chegada das marcas chinesas ao País tem sido lenta, embora seguida com interesse em razão do gigantismo e da força industrial do país mais populoso do mundo. No setor automobilístico, a China experimenta um crescimento explosivo. Todas as previsões apontavam que seria o maior produtor e o maior mercado do mundo, ultrapassando os EUA. A crise financeira de 2008 antecipou os resultados. Em 2009 produziu quase 14 milhões de veículos, patamar que nenhum país jamais alcançou em intervalo anual. O mercado interno chinês no ano passado atingiu o mesmo nível, superando de longe a referência americana ainda sob forte impacto das adversidade. No melhor ano, 2005, os EUA contabilizaram 17,5 milhões de unidades vendidas. Este recorde, que parecia difícil de bater por outro país, será ultrapassado em 2010. A indústria automobilística na China é dominada por companhias e produtos estrangeiros, porém sempre em sociedade meio a meio com grupos locais. O cenário está mudando. Entre 2004 e 2009 a participação das marcas totalmente chinesas, quase todas estatais, cresceram de 22% para 32% do mercado total. E continuarão subindo por uma razão simples: se a tecnologia nativa é fraca, compram o melhor disponível no mundo. Dentro de um universo de 150 produtores, seis pratas da casa se destacam: Chery, BYD, Geely, Greatwall, Brilliance e JAC. No Brasil, marcas menores começaram timidamente há três anos. Chana, Change (Effa), Hafei e Jinbei procuraram se aninhar no segmento de comercais leves. A Chery, no entanto, tem planos ambiciosos, antecipados por essa coluna e confirmados agora no lançamento para a imprensa do Cielo. Primeiro médio-compacto chinês aqui comercializado, destaca-se pelo desenho moderno e harmonioso de Pininfarina, tradicional estúdio italiano. Além de uma fábrica de 100.000 unidades/ano para 2013, montará um centro de desenvolvimento, ambos no Estado de São Paulo. A cidade será anunciada até julho. Luis Curi, presidente da importadora, reconhece as dificuldades: “Sabemos que não temos direito ao erro, sob o estigma de que produto chinês não é pleno de confiabilidade”. O primeiro modelo lançado, o utilitário esporte compacto Tiggo, teve aceitação modesta. O Cielo, nas versões hatch e sedã pelo mesmo preço de R$ 42.000,00, projeta potencial maior pelo que oferece em equipamentos. Nada é opcional, do sensor de estacionamento à regulagem de altura do volante (em distância, não) e dos cintos de segurança dianteiros, passando pelo rádio-toca CD/USB. Porém, há contrassensos. Somente o hatch dispõe de saídas individuais de escapamento (no Stilo, por exemplo, são de enfeite), enquanto nenhuma versão oferece ajuste de altura do banco do motorista. Assim, a visibilidade fica um pouco prejudicada, pois o painel é volumoso. O motor de 1,6 l/119 cv (só a gasolina de início), aperfeiçoado pela austríaca AVL, está entre os pontos altos. O rodar também é bom – suspensão independente na frente e atrás –, mas há ruídos mecânicos além do aceitável. Falhas de acabamento e junções indicam que os chineses ainda terão muito chão à frente. Resta saber se conseguirão manter preços competitivos, como os coreanos. A recente primeira greve na China (contra a Honda) é um sinal. RODA VIVA
Coluna Alta Roda: Chineses? Muito chão à frente - Fiat Bravo chega no fim do ano
FIAT acelera o passo para tentar lançar no fim do ano o hatch médio compacto Bravo. Esse segmento vai crescer com o aumento do poder aquisitivo. A produção e venda no Brasil começará quase quatro anos depois da Itália. Enquanto isso, Hyundai i30 e em breve seu “irmão” Kia Cerato hatch irão avançar, aproveitando a defasagem das quatro marcas veteranas. CERCA de 100 reclamações nos EUA de proprietários de Toyota, alegando novos casos de acelerações espontâneas após o recall gigantesco, foram arquivadas pelo órgão federal de fiscalização. Suspeitava-se de interferência eletromagnética ou falhas nos controles eletrônicos. Tudo indica, de fato, defeito mecânico no acelerador, diferente do produzido no Japão. RETOQUES estilísticos, principalmente na frente, deixaram o Logan praticamente igual ao seu homônimo romeno. Interior mais espaçoso entre os compactos, ótimo porta-malas e relação preço-benefício na faixa dos R$ 30 mil são pontos altos. Motor de 1,6 l/95 cv vai bem, em cidade e estrada. Senões: engates do câmbio um pouco duros e itens de acabamento. GRUPO Soma organiza curso sobre a história do design do automóvel, de 19 a 24 de julho, em São Paulo. O professor Carlos Castilho será o responsável pelas aulas e promete uma visão sobre o futuro desse meio de transporte. Informações: monica.niculitcheff@yahoo.com.br . DISPOSITIVO eletrônico que comuta a luz alta e baixa dos faróis automaticamente sem contato manual foi desenvolvido no Brasil por três estudiosos do assunto. O projeto durou cinco anos, incluindo homologação junto ao Denatran. Procuram uma empresa para industrializar o produto, com preço estimado de R$ 150,00. Contato: Dovany Nonato Jr, tel. (17) 3231 2581.
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Sobre: Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br) é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no CARPLACE e em uma rede nacional de 70 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra).

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