Coluna Alta Roda: O silêncio fatal dos elétricos

Uma das preocupações, quando veículos elétricos passarem a circular em maior escala, reside na sua característica de nível de ruído quase imperceptível. Estudos da Universidade da Califórnia, EUA mostraram que o ouvido humano só percebe a aproximação deles em um raio de três metros. Assim, surgem situações ao entrar ou sair de uma vaga, arrancar em um sinal ou mesmo em tráfego comum em que as pessoas não se dão conta da presença de um veículo motorizado. Os mais velhos, crianças, ciclistas e deficientes visuais estão sujeitos a riscos de acidentes, mas na realidade se trata de um problema a que todos se expõem. Autoridades dos EUA, Europa e Japão já consideram a obrigatoriedade de exigir um mínimo de ruído para a futura geração de modelos limpos, visando evitar uma nova fonte de perigo a usuários de ruas e estradas. Dá para imaginar, por exemplo, numa grande garagem, a dificuldade de ouvir um carro elétrico circulando ou manobrando. Daí a necessidade de se procurar uma identidade acústica específica. Foi a preocupação da alemã Ruf, especializada em melhorar ainda mais o desempenho dos Porsches, mas que no recente Salão de Genebra, em março, apresentou a versão final do Greenster, totalmente elétrico. Trata-se de um 911, na pioneira versão semiconversível Targa (um largo arco central anticapotagem, hoje não mais em produção), cujo famoso boxer de seis cilindros na traseira foi substituído por um motor elétrico trifásico de 370 cv e nada menos de 97 kgf·m de torque. O carro alcança 250 km/h e acelera de 0 a 100 km/h em torno de 5 segundos, mais “lento” que um 911 tradicional, porém suficiente para superar a maioria dos carros. A Ruf convocou um dos maiores especialistas em áudio do mundo, a americana Harman (acaba de adquirir a brasileira Selenium), para desenvolver o som sintético de ruídos mecânicos. Surgiu a tecnologia batizada de Halosonic, centrada na segurança de trânsito. O ruído do motor a combustão é virtualmente transmitido para o ambiente externo por meio de dois alto-falantes de grande eficiência localizados atrás dos para-choques dianteiro e traseiro. O posicionamento dos alto-falantes requer cuidado: há exposição contínua a variações climáticas, água e poeira. Os transdutores de som são focados na direção em que se desloca o veículo. A intenção é manter o nível de ruído agradavelmente baixo para os outros usuários da via de circulação, mantendo a vantagem do silêncio dos motores elétricos. O alto-falante traseiro traz segurança às manobras de ré. Logo que o motorista liga o motor o Halosonic começa a funcionar, emulando o que seria a marcha lenta de um motor convencional. Buscando autenticidade, a geração de sons varia com a velocidade do automóvel. Permite, então, perceber intuitivamente a direção de onde vem o veículo e também estimar a velocidade de aproximação. Esse sistema eletrônico de sintetização sonora também se ouve através dos alto-falantes do habitáculo, integrando-se ao sofisticado sistema de áudio da Harman. O dono de um carro esporte sabe que curtir o som do motor acelerando faz parte do prazer de guiar. No caso, emulando exatamente a sinfonia do motor boxer de 6 cilindros. RODA VIVA INDÚSTRIA automobilística acelerou a produção em maio (15% sobre 2009) para atender à arrancada das exportações. Vendas externas se recuperam quase 80%, em unidades, e 63% em valores nos cinco primeiros meses de 2010 sobre igual período de 2009, considerando veículos leves e pesados. Nível de emprego continua a crescer. ACELERAÇÃO na produção também elevou o estoque nas fábricas e distribuidores de 27 dias, em abril, para 34 dias, em maio. Referência em torno de 20% acima do considerado ideal, embora longe de preocupar. É uma boa dica para o comprador: promoções, feirões, bônus e descontos acirram ainda mais a concorrência com pronta entrega para a maioria dos modelos. MERCADO de superesportivos ganha peso ao chegar agora o Mercedes-Benz SLS AMG. Com portas pivotadas no teto como o inesquecível 300 SL, de 1954, começa em R$ 650 mil. Versão Racer, na faixa de R$ 800 mil, é algo ainda mais sério. Ao volante, no autódromo de Interlagos, confirma respostas de direção, freios, suspensões e motor indescritíveis em poucas palavras. CHRYSLER ganha competitividade com o Dodge Journey – seu melhor produto no Brasil  – ao oferecer versão de cinco lugares e menos itens de série. Mesmo com motor V6/185 cv parte de R$ 86 mil. No Salão do Automóvel, em outubro, estreiam Charger e Challenger. Outro produto-chave para o grupo, novo Jeep Grand Cherokee, estará à venda em novembro. PEUGEOT substitui a Citroën na disputa pelo mercado – limitado – de multivans formado apenas por Doblò e Kangoo. Partner tem portas corrediças e preço competitivo, a partir de R$ 45 mil. Versão Escapade inclui protetores de faróis e lanternas meio foras de moda. Tem posição alta de dirigir e suspensões eficientes dão resposta superior nesse segmento.
Coluna Alta Roda: O silêncio fatal dos elétricos
Sobre: Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br) é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no CARPLACE e em uma rede nacional de 70 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra).

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