Coluna Alta Roda: Recall, Inspeções e seus falsos argumentos

Dois assuntos importantes na semana passada – recall e inspeções – mereceriam divulgação melhor nos meios de comunicação. Convocações de veículos para correções de erros de projeto ou montagem que colocam em risco a saúde ou a vida das pessoas não são novidade aqui e no exterior. Basta saber que carros são máquinas relativamente complexas (mais de 4.000 peças, das quais cerca de 30% móveis sujeitas a desgaste e manutenção) e produzidas às dezenas de milhões anualmente. Comenta-se, nos EUA, que o grande azar é anunciar recall num dia em que outras notícias do dia são mornas ou desinteressantes. Isso em um país que, na última década, convocou nada menos de 40 milhões de Chevrolets e Fords e outros 10 milhões de Toyotas, só para citar as três maiores. O total é bem superior, pois há mais de 40 marcas à venda por lá. Ainda assim, o recente episódio dos aceleradores de modelos Toyota causou grande rebuliço. No Brasil, ao contrário, é muito pouco lembrado pela maioria dos brasileiros, segundo pesquisa da GfK publicada no começo de junho. Entre homens, 51% não se recordam de nenhum recall; entre mulheres, 71%. A média, 62%, é bastante elevada. Os jovens, ainda mais desligados: 69% não tinham lembrança. Daí a importância da declaração de Alfredo Peres da Silva, do Contran/Denatran, numa audiência pública da Comissão de Viação e Transportes, na Câmara dos Deputados. Em 90 dias, um sistema integrado de informações obrigará os carros envolvidos em recalls a receber reparação, antes de serem revendidos. Uma providência relativamente simples para evitar que mais de 50% de veículos com problemas de segurança continuem a rodar por desconhecimento ou esquecimento dos proprietários. Um dos obstáculos que levaram ao alto índice de não atendimento aos recalls era a impossibilidade de os fabricantes terem acesso aos dados cadastrais do Renavam. A ideia, a fim de garantir o sigilo de lei, é os Correios distribuírem as notificações, sem liberar qualquer informação privativa a terceiros. A outra notícia se referiu a uma liminar sobre a inspeção veicular no Estado do Rio de Janeiro, isentando um motorista de realizá-la nos moldes que o Detran fluminense impõe. Se restam poucas dúvidas acerca de um serviço malfeito e caro, que transforma a boa prática em apenas mais um imposto e um incômodo, ficou de fora outro aspecto altamente injusto. O governo estadual se apegou à obrigatoriedade anual da vistoria – de olho na receita e não na segurança ou preocupações ambientais – espelhando-se no mau exemplo da prefeitura de São Paulo. Nesse segundo caso, ainda mais grave, pois se obrigam automóveis novos, a partir de apenas três ou quatro meses de uso, a pagar por uma dispensável inspeção ambiental e de ruídos. Claro, o que se critica é a frequência, não a inspeção em si, cara, porém necessária na capital paulista. A coluna pesquisou 11 países europeus e constatou: a obrigação começa no terceiro ou quarto ano, após o emplacamento. Na vizinha Argentina, três anos. Até quando o Conama não será chamado a se explicar, por aceitar argumentos falaciosos dos interessados mais no bolso dos motoristas do que na qualidade do ar que respiramos?
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RODA VIVA RUMORES vão e voltam e, afinal, a picape leve derivada do Logan ficou só no campo das especulações. Com a estreia da Peugeot Hoggar, imaginava-se que a arquirrival Renault repensaria a decisão. Mas como a coluna adiantou, em outubro de 2008, a marca francesa descartou a possibilidade mesmo ao apresentar no Salão de Paris a picape pronta, feita na Romênia. FRENTE no padrão mundial da marca, interior com elegante quadro de instrumentos introduzido no Gol G5 e melhorias no acabamento, além de novas lanternas traseiras e ponteira de escapamento encoberta. É a SpaceFox 2011 que também responde bem às mudanças nas suspensões ao enfrentar piso esburacado. Versão de entrada (R$ 49 mil) custa 1% menos. BMW tinha no Série 3 seu produto de estilo mais atraente. Novo Série 5 o desbancou com linhas equilibradas e esportivas, espaço interno ampliado e motor turbo 6-em linha de mesma potência e mais econômico, além do V8. Avançou em tecnologia: sistema automático de estacionamento, navegação GPS em rotas nacionais e controle ativo de cruzeiro. OPERAÇÕES da GM na América do Sul serão agora comandadas por Jaime Ardila, a partir de São Caetano (SP), e não por um executivo na China. No mercado chinês a fábrica vendeu 1,8 milhão de unidades, em 2009, o dobro dos 10 países dessa região. Mas aqui a empresa fica com todos os lucros e lá há que dividir compulsoriamente 50% dos resultados com o governo. REGULAMENTAÇÃO dos profissionais motociclistas, recém-estabelecida pelo Contran, tem bom potencial de diminuir acidentes e mortes no trânsito, em particular nas grandes cidades. Além de cursos específicos, exige itens de segurança – para veículo e condutor – e pode criar conscientização ao utilizar esses serviços hoje indispensáveis.
Coluna Alta Roda: Recall, Inspeções e seus falsos argumentos
Sobre: Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br) é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no CARPLACE e em uma rede nacional de 70 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra).

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