Coluna Alta Roda: Longa caminhada para os elétricos

O conceito da eletromobilidade começa a se ampliar e mesmo as marcas premium estão investindo muito dinheiro em pesquisas de novos materiais, baterias mais leves e de maior autonomia, além de motores elétricos mais eficientes. Porém, não há ilusões: carros elétricos serão para uso urbano. Essa especialização vem ao encontro da tendência mundial de migração do campo para as cidades. Estudos da ONU indicam que 60% da população mundial viverá em cidades em 2030 e 70% em 2050. Essa realidade levou a BMW a uma estratégia por etapas. Como maior fabricante mundial de automóveis premium (mais de um milhão de unidades/ano) acautela-se em previsões. Carros elétricos a bateria e todos os tipos de híbridos plenos (plugáveis em tomadas ou não) ocupariam de 5% a 15% do mercado mundial em 2020.
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A etapa inicial começou em 2009 com 600 Mini E (a bateria) nos EUA, Inglaterra e Alemanha. São alugados por cerca de U$$ 800/mês para pesquisa de hábitos. Na avaliação do veículo em Munique, Alemanha, impressionaram as acelerações de seu motor de 204 cv, apesar de quase 400 kg extras na massa do veículo. A bateria de íons de lítio ocupa o espaço de todo o banco traseiro. Inova no conceito de regeneração de energia: ao se levantar o pé do acelerador há forte desaceleração e melhora da autonomia em até 20% no uso urbano. Logo se consegue dosar o pedal e raramente acionam-se os freios de serviço. No próximo ano começam os testes com o BMW Active E, um Série 1 cupê com baterias mais leves. Terá motor e tração traseiros, espaço para quatro passageiros e porta-malas de 200 litros, 50% maior que o Mini E. A fábrica alemã anunciou na semana passada, em sua sede, o projeto-alvo MCV (Veículo para Megacidades, da sigla em inglês). Previsto para ser vendido em 2013, estreará nova submarca do grupo ainda não revelada. A BMW cultiva simbolismos fortes, entre eles tração traseira e perfeita distribuição de massa de 50% para cada eixo. No MCV o motor está colocado sobre o eixo traseiro, terá porta-malas na frente e atrás e peso total equivalente a um carro convencional de 150 cv. Além de manter a distribuição ideal de massas, apresenta área frontal de melhor deformação para segurança dos passageiros e de pedestres em atropelamentos. A fim de alcançar baixo peso relativo inovou em um chassi bipartido: forte estrutura de alumínio suporta a bancada de células elétricas no assoalho, suspensões e motor, unindo-se ao habitáculo de passageiros construído em plástico reforçado por fibra de carbono. Este material pesa metade do aço, sendo até cinco vezes mais resistente. Mas a matéria- prima depende do petróleo. Além de construir seu próprio motor elétrico – tradição da Fábrica de Motores da Bavária, sigla em alemão BMW –, a empresa descarta a ideia de baterias intercambiáveis em postos de troca que abreviaria para 15 minutos o tempo de recarga. “Sistema caro e inadequado a uma marca premium”, resumiram em resposta ao colunista. A aposta é recarga agendável fora dos horários de pico noturnos. Nada se falou sobre preço do modelo, mas a autonomia será próxima aos 200 km eleitos por quem está testando agora os primeiros elétricos. Passo adiante de uma longa caminhada. RODA VIVA PRIMEIRO semestre fechou com novo recorde na produção de veículos – 1,753 milhão de unidades – graças à recuperação das exportações. Vendas cresceram 9% em relação aos primeiros seis meses de 2009, percentual próximo à previsão da Anfavea (8%) para o ano de 2010. Estoques de 36 dias (20% acima do ideal) indicam promoções atraentes aos compradores. CLASSIFICAÇÃO por despesas de conserto em pequenas batidas (até 15 km/h), executadas pelo Cesvi, apontou a Volkswagen como marca de maior número de indicações. Quatro de seus modelos receberam pontuação máxima na tabela chamada Car Group: Fox, SpaceFox, Saveiro e Polo sedã. Cesvi é órgão de pesquisa de segurança viária ligada às seguradoras. FIAT anunciou o lançamento em setembro, na Europa, do 500 com motor turbo de 2 cilindros (900 cm³) a gasolina e controle de válvulas MultiAir. Potência de 85 cv, torque de quase 15 kgf·m (equivalente a um motor de aspiração natural de 1,6 l) são referências mundiais. Ponto alto: consumo médio de até 25 km/l, no ciclo europeu, emitindo só 92 g/km de CO2. RENAULT aposta na garantia total de três anos como incentivo para atrair compradores na faixa de preço mais acessível. Além de Logan e Sandero, o Clio, abaixo de R$ 26.000,00, foi incluído. Já era hora de outros fabricantes trilharem esse caminho. Pelo tamanho do mercado brasileiro não se justifica garantia de um ano para a maioria dos modelos. CASTROL utilizou experiência em outros países para disponibilizar no Brasil lubrificante específico para controle da formação de borra nos motores. Ao contrário do que se pensa, trata-se de problema mundial e de causa ainda pouco esclarecida. Litro do GTX sai pelo preço médio de R$ 14,00 (viscosidade SAE 20W50) a R$ 17,00 (10W40).
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Sobre: Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br) é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no CARPLACE e em uma rede nacional de 70 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra).

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