Editorial: Vamos a la playa?

Meu dia ficou péssimo. Sabe por quê? Porque me senti mais uma vez – havia prometido a mim mesma que isso não mais aconteceria – ludibriada, extorquida e de mãos atadas. Hoje, enquanto lia as notícias deparei-me com a seguinte informação: GM lançará novo Spark na Argentina. Antes que me interpretem mal, permitam-me explicar tudo. Durante minhas andanças constatei o que já ouvia muitos falarem; sobre as atitudes perversas que as montadoras nos proporcionam. É incrível como retribuímos alto por uma coisa desatualizada. É impressionante como somos obrigados a desembolsar horrores para garantir um mínimo de conforto por algo que já deveria estar incluso na compra. Pois é, enquanto ganharemos um lindo Celta todo reformulado, nossos vizinhos decidirão se querem comprar um carro com motor de 1.2 de 16 válvulas e 81cv, com duplo airbag e freios ABS de série, nas versões mais equipadas. Bravo, ops! É nome de carro da concorrente. Que felicidade, hein, o Celtinha chegará mais caro, menos equipado e ainda o chamaremos de “novo”! E não é piada; milhares, certamente, pagarão por um veículo inferior enquanto que os consumidores de mercados não muito diferentes do nosso, como Argentina e México, desembolsarão menos e ainda desfilarão com algo i-né-di-to para nós. E não para por aí. Mercados como o do Chile têm mais variedades em todos os sentidos. Outro dia ouvi de um vendedor que uma determinada marca praticamente só importava carros de cores prata e preta porque era certa a venda. Talvez porque já é convícto aceitarmos o que de pior podem nos oferecer e ainda sair sorrindo. Realmente, o brasileiro é um povo alegre! Por outro lado, são sempre questionáveis as desculpas. Se Brasil e México mantêm acordos para não tributarem as importações, que critérios são usados para pagarmos bem mais caro pelo mesmo carro? O preço do aço ou a ausência da produção em escala dos opcionais - essa, veemente coibida pelas marcas. As matrizes ainda vão continuar a culpar os altos tributos quando na verdade há outros fatores envolvidos como as margens de lucro, afinal as taxas são somente parte do problema. Ora, como auxiliares diretos, abonamos expressivamente os cofres dos fabricantes com o excelente volume de vendas por aqui. Pare e pense: como se explicam os valores mais atraentes por modelos estrangeiros que pagam integralmente as taxas de importação mais os impostos industriais e, não obstante, ostentam, entre outros, direção elétrica, CD player e ar condicionado? É provável que a questão brasileira, além de burocrática (“burrócrática” ou “espertocrática” – você decide), tenha de ser estendida para a área geográfica. Quem sabe alterando nossa latitude nos mapas mundi! Ah, e em relação aos nossos hermanos, se serve de algum consolo a Montana ainda não chegou por lá... Por: Michelle Sá

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