O pirata chinês - Peças, componentes e até airbags falsificados estão por vir

Não é de agora que se discute a seriedade dos produtos chineses e muito menos as incansáveis mostras de sua influência no comércio mundial. Até os Estados Unidos recentemente sentiram o peso de sua mão quando perderam o posto de maior mercado de automóveis do mundo. Por outro lado, não é somente a ofensiva política cambial adotada pela China que amedronta indústrias de todo o planeta. A palavra pirataria por si só já é capaz de fazer qualquer empresa estremecer. Que o digam as brasileiras que, diante da feroz concorrência, perderam para o “rolo compressor” participação no mercado interno nacional. A grande questão, no entanto, está em relação ao que o governo daquele país faz (ou aparentemente não faz) para conter a fabricação de produtos em desacordo com normas internacionais e que são despejados ilegalmente em diversos pontos comerciais mundo a fora. E a questão vai mais além. Ao se perder mercado para os produtos importados e, principalmente, pirateados, a produção diminui, a arrecadação de impostos fica comprometida assim como a geração de novos postos de trabalho. Para dificultar ainda mais o quadro compra-se menos dos fornecedores nacionais, o que diretamente afeta setores como os de transporte e serviços, uma vez que as matérias-primas deixam de circular. Se esse panorama parece sombrio então não temos ideia do que seja a escuridão. É que, de acordo com a Automotive News China devemos nos preparar para uma enorme invasão de peças automotivas falsificadas. Segundo a publicação, U$$ 45 bilhões de dólares em peças, tais como velas, pastilhas, componentes de direção, assim como retentores e airbags, serão comercializados como se fossem originais. A China será, de longe, a maior responsável por esse crime, seguida de Taiwan e Tailândia além de outros países em menor escala. Além da conivência por parte de certas autoridades, em muitos casos a fiscalização fica comprometida por conta de equipamentos defasados e número reduzido de profissionais para lidar com o grande volume de produtos ilegais. No caso brasileiro existe a ausência de políticas comerciais mais enérgicas. Prova disso está na incoerência dos valores praticados pelos chineses. Grande parte do que aqui é negociado chega com preços que não correspondem aos custos reais de produção. A concorrência tem se mostrado maior em setores como o de equipamentos hospitalares e de precisão, têxtil, materiais eletrônicos e de comunicação, calçados, máquinas e equipamentos. A disputa, além de desleal, é prejudicial tanto para as empresas - que investem altos valores em pesquisas, design, qualidade e marketing – quanto para o consumidor. Esse muitas vezes se ilude acreditando que ao comprar um produto mais barato estará economizando. Seja na proporção que for ao fecharmos os olhos para as práticas ilegais estaremos não só contribuindo, mas também estimulando a propagação do problema. Enquanto isso, as legítimas empresas chinesas já começaram a ajustar seus caixas com etiquetas de identificação por radiofrequência para distinguir seus produtos daqueles falsificados... Em tempo, empresas sérias da China e com produtos de qualidade estão chegando em meio às "piratas". Com o tempo, será evidente quem realmente tem qualidade. Por: Michelle Sá - Fonte: Automotive Business/Autoblog

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