Matéria CARPLACE: Um ponto para o meio ambiente

As alterações climáticas têm sido alvo de inúmeras discussões científicas. A significativa elevação da temperatura mundial causada, principalmente, pelo aumento da poluição do ar gerou uma corrida contra o tempo no tocante à busca por combustíveis menos poluentes ao planeta bem como em relação à reeducação do ser humano. Resultado do lançamento excessivo de gases de efeito estufa (GEEs), sobretudo o dióxido de carbono (CO2), o aquecimento global forçou diversos ramos industriais a repensarem seus métodos de produção e desenvolverem tecnologias menos ofensivas ao meio ambiente. Atenta à onda verde que se espalhou pelo mundo, a indústria automotiva passou a investir mais em carros com menor poder de poluição, não só por causa dos consumidores ecologicamente corretos, mas também por conta das exigências feitas por países mais sérios a exemplo da França. Lá, os carros mais poluentes pagam mais impostos e o dinheiro arrecadado serve para financiar os incentivos destinados aos modelos menos poluentes. Em relação ao Brasil, não temos muito com o que nos orgulhar. Nosso diesel tem excesso de enxofre, assim como a gasolina.
Matéria CARPLACE: Um ponto para o meio ambiente
Ainda na década de 70 a oferta do diesel foi reduzida por aqui. Como agravante, as duas crises do petróleo fizeram com que o preço do produto fosse elevado e para não comprometer o abastecimento dos veículos de carga o governo optou por proibir o seu uso nos veículo de passeio. E a decisão continua válida até hoje. Atualmente já existem movimentos pró-diesel que afirmam ser ele um combustível mais eficiente e econômico. A Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil) é um deles. De acordo com a entidade, o combustível proporciona menor consumo, torque em baixas rotações, níveis de ruído e vibração comparáveis aos dos motores à gasolina e garante durabilidade do motor 30% maior. O problema, no entanto, vai mais além. Utilizando-se de argumentos como, por exemplo, a alta carga tributária, as montadoras alegariam que a produção de motores próprios para o diesel exigiria grandes investimentos e que isso não seria viável já que temos automóveis Flex e o etanol serve de alternativa para quem não quer usar gasolina. Não precisamos ir tão longe para nos dar conta disso. Comercializados com motor a diesel em outros países sul-americanos, os modelos Strada e Punto, da Fiat, necessitariam de diversas adaptações para rodar em nossa malha viária, uma vez que seus propulsores – trazidos da Itália – seriam incapazes de aceitar o diesel fabricado aqui. O ponto positivo em relação ao Brasil ficou por conta da Nota Verde, criada pelo Ibama e Ministério do Meio Ambiente para possibilitar a classificação dos automóveis quanto aos níveis de emissão de poluentes e ajudar no consumo consciente – embora não tenha sido bem recebida por algumas montadoras. As estrelas verdes, cinco ao todo, variam de acordo com a emissão de poluentes tradicionais (CO, NMHC e NOx), nível de emissão de CO2 e combustível utilizado. Quanto maior a pontuação obtida, melhor o desempenho ambiental do automóvel. A iniciativa também trouxe outra vantagem. Já é possível adquirir, através de uma linha de financiamento do Banco do Brasil, um veículo “ecologicamente correto”. Basta que o modelo conte com cinco estrelas na Nota Verde. Felizmente, ainda mesmo que de longe, podemos vislumbrar alguma luz no fim do túnel. Por: Michelle Sá

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