WikiLeaks revela práticas obscuras da chinesa BYD

Fazendo uso de diversas práticas mercadológicas, muitas vezes consideradas desleais, diversos produtores chineses têm se apropriado de ideias alheias para colocar seus produtos no mercado. Que o digam os fabricantes de automóveis que veem seus modelos copiados e ainda têm que ouvir que aquilo não se trata de plágio e sim de pura influência artística. Embora muitos se refiram a esse tipo de comportamento como algo saudável, afinal tudo caminha para o progresso, o que dizer dos grandes investimentos em tecnologia e design feitos por marcas consagradas, além dos anos de pesquisa para criação e aperfeiçoamento de produtos? Muito provavelmente isso pouco signifique para boa parte dos consumidores, uma vez que eles, assim como diversos governos, sequer contribuem para tal comportamento. Os primeiros continuam comprando enquanto que, os segundos, pouco fazem para inibir a prática. Outro ponto a ser analisado diz respeito à própria indústria. Como é possível evoluir, e isso vale para o Brasil, onde não existem políticas industriais definidas ou mesmo implantadas? Enquanto isso, o governo chinês segue incentivando a indústria local para que a mesma se desenvolva e possa disputar espaço no mercado mundial – mesmo que, em alguns casos, de forma pouco recomendável. E não se engane, pois todos devem estar atentos à voracidade chinesa. Não é a toa que várias montadoras chinesas exibiram seus modelos em grandes feiras de automóveis demonstrando que a “mitose” (quando uma célula diplóide origina duas outras células também diplóides e geneticamente iguais) já é possível para os carros. Não há nenhuma dúvida de que muitas das unidades fabricadas na China carregam uma semelhança exterior impressionante se comparadas aos modelos populares japoneses, europeus e norte-americanos. Contudo, a pergunta que não pode deixar de ser feita está direcionada para a seguinte questão: a indústria automotiva chinesa será capaz de desenvolver novas tecnologias? Esse foi o questionamento levantado pela agência de notícia Reuters, dirigindo-se especificamente à BYD, montadora chinesa apoiada por Warren Buffet. O grande atrativo para Buffett e seu dinheiro foi a tecnologia das baterias da BYD, que o empresário norte-americano utiliza em seus próprios carros, alguns dos quais, supostamente, passarão a ser vendidos nos Estados Unidos. A Reuters, citando documentos obtidos a partir do WikiLeaks, questionou a propriedade da tecnologia das baterias. Essa poderia não pertencer à empresa chinesa. Além disso, informações obtidas há dois anos davam conta de que a China aprovaria leis mais frouxas quanto aos direitos autorais, o que não acontece em países mais sérios. Consultores, que optaram por se manter anônimos, afirmaram que tais veículos sequer passariam pelas normas de segurança dos EUA. Fabricantes ouvidos pela Reuters contaram que a BYD adquiria peças de fornecedores confiáveis para, em seguida, clonar seus projetos usando materiais de qualidade inferior. O que tudo isso significa para a BYD e para os bilhões de dólares investidos por Warren Buffett ainda não se sabe. Entretanto, dificilmente será visto como um bom presságio na disputa em um dos mais competitivos mercados mundiais. Se ao menos o exemplo fosse seguido no Brasil... Por: Michelle Sá / Fonte: Autoblog Green

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