Carros para sempre: Gol Power 1.6 Total Flex foi o primeiro bicombustível do Brasil

O carro mais vendido e exportado do mercado brasileiro também foi o pioneiro na tecnologia flex, que permitia pela primeira vez no país o uso de etanol ou gasolina, ou ainda a mistura dos dois combustíveis em qualquer proporção. Lançado em março de 2003, o Gol Power 1.6 Total Flex inaugurava uma nova era na indústria nacional. No sistema Total Flex, a composição do combustível é determinada pela análise dos gases do escapamento e, a partir dessa informação, o sistema de gerenciamento eletrônico do motor se adapta para proporcionar o melhor desempenho e economia.
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O motor 1.6 flex do Gol "G3", ainda em posição longitudinal, entregava 97 cv e 14 kgfm de torque a 3.000 rpm com gasolina e 99 cv e 14,3 kgfm a 3.000 rpm com etanol, associado ao câmbio manual de cinco marchas. O primeiro carro nacional bicombustível usava sistema de gerenciamento de injeção SFS da Magneti Marelli, um software capaz de em poucos instantes adaptar o motor ao combustível presente no tanque. Outras novidades no modelo flex eram a adaptação de vários componentes e sistemas, que precisavam ser protegidos contra a ação corrosiva do etanol: tanque, bomba e condutos de combustível, válvulas e sedes de válvulas, bicos de injeção, velas de ignição, catalisador e sistema de escapamento.
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O primeiro Gol 1.6 flex custava na época do lançamento R$ 27.717 (R$ 950 a mais que a versão a gasolina). Nessa época, a rival Fiat também seguia com testes avançados para aplicar a tecnologia bicombustível no Palio, que chegaria em novembro do mesmo ano. Nesta fase inicial, com os primeiros modelos flex usavam taxas de compressão baixas, mais conservadoras, que não aproveitavam tão bem a queima do etanol. No caso do Gol 1.6, a taxa era de apenas 10:1 - basicamente a mesma do motor somente a gasolina. Atualmente, o Gol equipado com motor 1.6 8V flex de 101/104 cv e 15,4/15,6 kgfm tem taxa de compressão de 12,1:1, enquanto o novo 1.6 16V MSI de 110/120 cv usa taxa de 11,5:1 e ainda tem um sistema que aquece o combustível em temperaturas abaixo dos 16°, dispensando assim o tanquinho de gasolina da partida a frio.
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Em 2013 a Volkswagen comemorou 10 anos do lançamento da tecnologia flex, que hoje em dia responde por mais de 90% do mercado de automóveis, sendo que alguns modelos importados também foram adaptados a este uso. Desde então, já foram produzidos mais de 20 milhões de carros que podem beber etanol ou gasolina.

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