Garagem CARPLACE#2: HR-V agrada pelo desempenho e consumo na estrada

Meu primeiro contato com o HR-V foi durante o nosso comparativo de SUVs, no mês passado. Como todo mundo envolvido com o setor automotivo, eu estava na expectativa em relação ao novato da Honda, mas logo de cara confesso que o crossover acabou não me agradando muito. Todavia, foi algo muito breve e apenas em trecho urbano. Na mesma semana em que chegou à redação para nosso GARAGEM, o HR-V foi usado em uma viagem curta a Campinas e Indaiatuba, no interior de São Paulo, para o lançamento da Chevrolet S10 High Country. Seria o meu primeiro test-drive de "verdade" com o SUV e ainda na estrada, bom para avaliar o comportamento do carro e também o consumo - minha maior dúvida, já que os modelos com motor 1.5 e câmbio CVT da Honda (City e Fit), bastante econômicos na cidade, não chegam a surpreender no uso rodoviário.
Garagem CARPLACE#2: HR-V agrada pelo desempenho e consumo na estrada
Com trânsito livre, o trecho entre a capital paulista e a cidade de Campinas, percorrido pela Rodovia dos Bandeirantes e pela Via Anhanguera, foi concluído em torno de uma hora com uma boa surpresa na média de consumo (com etanol): 12,2 km/l na ida e 12,0 km/l na volta - uma boa marca, e até melhor que nos modelos 1.5 da marca. Entre os colegas da redação, alguns acharam o HR-V duro demais na cidade (a suspensão bate nos buracos). Como andei praticamente o tempo todo em rodovias e vias expressas, com piso liso, fiquei com uma impressão melhor. E posso dizer que o crossover tem ótima dinâmica para um carro desse segmento. Não balança muito em velocidade e a frente não "embica" nas frenagens, além da boa estabilidade em curvas.
Garagem CARPLACE#2: HR-V agrada pelo desempenho e consumo na estrada
Falando de desempenho, a primeira impressão ("birra") com o câmbio CVT passou. Como a versão avaliada agora foi a de topo EXL, que possui o modo "S" com as tais sete "marchas virtuais", o recurso se mostrou útil principalmente em retas longas. Pude "travar" na sétima marcha e deixar o motor sussurrando a apenas 1.600 rpm a 100 km/h ou 2.000 rpm a 120 km/h - se precisar ultrapassar ou enfrentar subida, basta reduzir uma ou duas marchas pelas borboletas atrás do volante. Pelo menos na estrada, o CVT com as marchas simuladas se mostrou eficiente e versátil, ficando longe do rótulo "sem sal" da maioria das transmissões desse tipo. Outro ponto positivo é o bom isolamento acústico: a Honda foi bem cuidadosa no HR-V, diferentemente do que aconteceu com o Civic. No mais, o motor 1.8 16V de até 140 cv e 17,4 kgfm de torque emprestado do sedã deu conta do recado sem problemas. Você não sente falta de fôlego em nenhuma situação.
Garagem CARPLACE#2: HR-V agrada pelo desempenho e consumo na estrada
Já o interior transparece simplicidade, ainda mais em se tratando de um carro de R$ 90 mil. Seja pelos painéis de porta mais "retos", painel de instrumentos de aparência simples, botão do computador de bordo direto no cluster, ausência de material macio no painel... Falta refinamento pelo preço do modelo. Em compensação, o HR-V tem amplo espaço e boa qualidade de montagem. A ergonomia e a visibilidade também são pontos altos.
Garagem CARPLACE#2: HR-V agrada pelo desempenho e consumo na estrada
Tudo somado, dá pra começar a entender o sucesso do HR-V. O best-seller da Honda é bonito, mas sem surpreender em quesitos como acabamento e lista de mimos - faltam coisas simples como sensor de ré sonoro e sensor de iluminação, além do retrovisor eletrocrômico. Fora isso, o crossover é bem construído, bom de dirigir, versátil e conta com o forte peso da imagem da marca japonesa. Não dá pra negar que são características que agradam à maioria dos clientes deste segmento. Por Julio Cesar Fotos Rafael Munhoz

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