Pegando os anseios da sociedade por mudanças, a marca tentou associá-los também a uma escolha diferente de automóvel: os dela

Reza a lenda que, quando os chineses rogam uma praga em alguém, eles desejam que os amaldiçoados "vivam tempos interessantes". Não sabemos se o Brasil angariou alguma antipatia chinesa, mas que a praga pegou por aqui, pegou. São tempos turbulentos, de insatisfação social e desejo agudo de mudanças. Também de uma polarização absurda, um maniqueismo cansativo e entediante, mas que a Chevrolet entende que pode ser revertida em algo bom. Não só socialmente falando, mas também em mais vendas do Cruze, como mostra a nova campanha publicitária do carro que será veiculada neste domingo (19) pela primeira vez. Foi isso que nos disse Ernesto Ortiz, vice-presidente de vendas e marketing da GM América do Sul e da GM Mercosul, em entrevista exclusiva ao Motor1.com.

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O mote da campanha é "Você na direção da mudança". E o primeiro filme da campanha, que deve ficar no ar "por 4 ou 5 meses", leva 1 minuto para reforçar exatamente isso: que a mudança, seja ela qual for, depende da vontade dos insatisfeitos. Que o brasileiro não aguenta mais corrupção, como escândalos como os revelados pela operação Lava-Jato ou a do Cartel dos Trens, nem falta de civilidade, como gente que estaciona em vagas reservadas a deficientes físicos. É o que mostra bem o vídeo abaixo, do Canal Boom, que viralizou na internet por aplicar criativamente a "política do constrangimento".

 

 

Por fim, a campanha dá a entender que os insatisfeitos têm de procurar por novas opções em tudo, inclusive nos carros, como o Cruze entre os sedãs médios e o Cruze Sport6 entre os hatchbacks de mesmo porte. Uma estratégia ousada e um bocado arriscada, considerando o ambiente atual que o Brasil vive. Há muita gente que pode querer associar a GM, a Chevrolet e o Cruze a algum dos dois espectros políticos que se digladiam hoje no país.

"Sempre tem risco, mas acho que, nessa campanha, de maneira nenhuma estamos tomando alguma bandeira política ou partidária. Somos totalmente apartidários, mas o que queremos é dizer que todos temos de contribuir para mudanças, das pequenas coisas às maiores. Estamos promovendo uma campanha vanguardista, conectada, que seja relevante para jovens, para pessoas mais experientes, para todo mundo. Tomara que isso ajude o povo brasileiro", diz Ortiz.

Se o YouTube servir de referencial, pode-se dizer que as reações ao vídeo estão tão polarizadas quanto o ambiente político no país. Enquanto escrevemos esta reportagem, o filme já foi visto quase 5 mil vezes, com 225 reações positivas e 190 negativas. Comentadores favoráveis ao governo de Dilma Roussef e ao PT xingam a fabricante, enquanto aqueles que apoiaram o impeachment parabenizam a marca.

Em marketing, existe uma corrente segundo a qual não existe propaganda negativa. Apenas publicidade. É possível que a GM compartilhe dessa visão. Falando bem ou falando mal, muita gente vai mencionar a nova campanha dos Cruze ao longo da próxima semana. E talvez por todos os 4 ou 5 meses em que ela ficará no ar. Leia aqui a entrevista concedida por Ortiz ao Motor1.com na íntegra.

Fotos e vídeo: divulgação

 

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