Com coração reforçado, o sedã ganha agilidade e economia. Mas mantém velhos problemas

O Renault Logan ganhou espaço no Brasil com o seu...espaço! Ele é um dos sedãs compactos com as maiores dimensões internas da categoria, principalmente no banco de trás e no porta-malas (510 litros). Nunca foi o mais bonito ou o melhor acabado, mas é uma consequência de seu projeto, nascido para ser barato e fácil de manter. Não nega sua origem Dacia, marca do grupo Renault para países emergentes. 

Os propulsores da linha Logan/Sandero já mostravam sinal da idade. Por isso, o 1.0 16V foi substituído por um novo 1.0 12V de 3 cilindros, que aguardamos para um teste completo em breve. Já o 1.6 8V descansa em paz com o nascimento do novo 1.6 16V. Ambos os novos propulsores são da família mundial SCe (Smart Control Efficiency), equipando também o Kwid (1.0), o Captur e os Duster e Duster Oroch (1.6). 

Mais sobre os motores SCe:

No caso do Logan, o 1.6 SCe entrega 118 cv (12 cv a mais que o antigo, ambos com etanol) e 16 kgfm de torque com pico a 4.000 rpm (antes 15,5 kgfm a 2.850 rpm). O projeto, segundo a Renault, foi focado na dirigibilidade e melhoria de consumo de combustível, envolvendo até mesmo engenheiros da Fórmula 1(!). O resultado é a construção em alumínio, para bloco e cabeçote, mais duplo comando de válvulas com variador de fase na admissão, bicos injetores instalados no cabeçote (melhor aproveitamento do combustível do que quando instalado no coletor de admissão) e distribuição por corrente, no lugar da correia dentada. 

Renault Logan 1.6 2017
Renault Logan 1.6 2017 Teste BR

Para um maior índice de eficiência energética, foram providenciados o sistema start-stop, alternador inteligente - que aproveita as desacelerações para carregar a bateria - e direção eletro-hidráulica, que tira o peso da bomba do motor e o coloca em um motor elétrico exclusivo para esta função. Na teoria, isso deu ao Logan 1.6 nota A pelo Copet/Inmetro. Antes, ele tinha B no geral e C na categoria. 

 Na teoria é bom. E na prática?

Saindo do teórico para o mundo real, o Logan 1.6 mostra considerável evolução no conjunto mecânico. Na rua, por mais que o número de torque seja pouca coisa maior e com um pico em rotação superior, a entrega de força vem desde baixos giros, graças ao comando variável e ao coletor de admissão longo. Assim, torna a condução urbana bastante agradável, sem a necessidade de esticar as marchas. Dá até para trocar de marcha ao redor das 2 mil rpm que o motor responde sem engasgos.  

Mais elástico, o novo motor também vai bem na estrada. O Logan não sente dificuldade para ultrapassagens ou acompanhar o fluxo na velocidade da via, carregado ou vazio. Na pista, o sedã comprovou com números as melhorias. A aceleração de 0 a 100 km/h baixou 1 segundo, indo para 11,2 s, e a retomada, mesmo com o diferencial alongado, saiu de 11,4 s para 11,1 na prova de 80 a 120 km/h em quarta marcha. Pode parecer pouco, mas é aquele "quase deu" nas ultrapassagens. 

 

Renault Logan 1.6 2017 Teste BR

 

Se a Renault investiu tanto de olho na economia, vamos ao consumo. Na cidade, o Logan realmente deu um salto considerável, saindo dos 7,5 km/l para 8,2 km/l, muito por conta do start-stop, que funciona bem e em poucos momentos "se perdeu" entre ligar e desligar. Já na estrada, uma inesperada piora: foi de 11,2 km/l para 10 km/l. Sentimos que, mesmo com a quinta alongada, o Logan "pede" uma sexta marcha. A 120 km/h, o ponteiro do conta-giros fica nas 3.000 rpm, uma faixa próxima do pico de torque. Responde rápido, mas acaba cobrando essa disposição com maior sede. 

 O que faltou?

O Logan ainda é uma boa opção para quem busca espaço interno e, agora, um conjunto mecânico eficiente. Além do novo motor, os engates do câmbio passaram a ser por cabos, mais silenciosos e precisos. Neste jogo, porém, poderiam ter entrado a direção elétrica (mais leve e moderna) e, como já citado, o câmbio com seis marchas - já oferecido pelos rivais Chevrolet Prisma e Toyota Etios Sedã. 

A suspensão tem o mesmo acerto de antes, que privilegia o conforto. Filtra muito bem as imperfeições e tem boa estabilidade se usado dentro da sua proposta. Por ser grande, o Logan bem que merecia pneus mais largos, 195, em suas rodas de aro 15" para melhor comunicação com o asfalto. Os freios, por mais que tenham cravado boas marcas nas provas de frenagem, deixaram a desejar nos testes. Logo na primeira frenagem forte o pedal ficou baixo e "borrachudo". Com discos sólidos na dianteira, o sistema parece subdimensionado para os 118 cv. 

Renault Logan 1.6 2017
Renault Logan 1.6 2017
Renault Logan 1.6 2017

Nesta versão topo Dynamique, o Logan 1.6 cobra consideráveis R$ 56.400. A grande questão está na concorrência, que tem nos Chevrolet Prisma e Hyundai HB20S os mais vendidos. Ele oferecem menos espaço, mas são mais modernos visualmente e contam com acabamento de melhor aparência, além da sexta marcha nas versões mais caras. 

Por fim, o Logan foi reestilizado na Europa. Se a mudança visual tivesse chegado junto com os motores SCe, ele poderia ficar numa posição melhor perante a concorrência. Outro pênalti foi deixar o controle de estabilidade e o assistente de partida em rampas exclusivo para a versão automatizada Easy-R, de baixas vendas. Afinal, o Logan é um sedã honesto, e agora traz um conjunto mecânico de respeito. Pena que alguns defeitos ainda continuam evidentes.

 

PRÓS

- O motor 1.6 SCe tem força suficiente para o Logan, até mesmo carregado.

- Espaço interno ainda é um dos melhores da categoria.

- Por R$ 1.700 a mais, leve o ar-condicionado automático e a central multimídia Media NAV.

- Suspensão filtra as imperfeições do asfalto sem ser excessivamente mole.

CONTRAS

- O acabamento fica devendo em relação ao dos rivais.

- Na prova de frenagem, o pedal baixou e ficou "borrachudo".

- Direção elétrica no lugar da eletro-hidráulica melhoraria o conforto e dirigibilidade.

- Controle de estabilidade e hill holder apenas com câmbio automatizado.

- Falta sexta marcha.

- A reestilização feita no Logan europeu cairia bem no nosso.

 

Fotos: Daniel Messeder e divulgação

RENAULT LOGAN DYNAMIQUE 1.6 SCe

MOTOR dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.597 cm3, duplo comando, variador de fase na admissão, flex
POTÊNCIA/TORQUE 115/118 cv a 5.500 rpm / 16 kgfm a 4.000 rpm
TRANSMISSÃO manual de 5 marchas; tração dianteira
SUSPENSÃO independente McPherson na dianteira e na traseira
RODAS E PNEUS alumínio de aro 15" com pneus 185/65 R15
FREIOS discos sólidos na dianteira e tambor na traseira com ABS e EBD
PESO 1.062 kg em ordem de marcha
DIMENSÕES comprimento 4.349 mm, largura 1.733 mm, altura 1.529 mm, entre-eixos 2.635 mm
PORTA-MALAS 510 litros
PREÇO  R$ 56.400

MEDIÇÕES MOTOR1 BRASIL

Aceleração
0 a 60 km/h 4,9 s
0 a 80 km/h 7,3 s
0 a 100 km/h 11,2 s
Retomada
40 a 100 km/h em 3ª 10,7 s
80 a 120 km/h em 4ª 11,1 s
Frenagem
100 km/h a 0 40,7 m
80 km/h a 0 25,6 m
60 km/h a 0 14,4 m
Consumo
Ciclo cidade 8,2 km/l
Ciclo estrada 10,0 km/l

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