Coluna Alta Roda: O futuro promete mais

Por Fernando Calmon Os resultados de vendas no Brasil indicam que as previsões para 2010 caminham na direção de se confirmar. A Anfavea apontou tanto março último, quanto o primeiro trimestre, como os recordes absolutos da série histórica. Vender 354.000 unidades em um mês é, de fato, impressionante, embora a procura tenha sido acelerada pelas fortes promoções ligadas ao fim do desconto proporcionado pela redução do IPI. Abril mantém um ritmo bom porque ainda há modelos nos estoques com o imposto menor. Maio será o mês sem esses reflexos e deve mostrar uma queda na cadência de crescimento em nível chinês – 15% – se comparados os primeiros trimestres de 2010e 2009. A previsão para o ano cheio é de crescer 9% para 3,4 milhões de unidades, o que levaria o país ao quarto lugar no ranking mundial, ultrapassando a Alemanha. Há 10 anos ocupávamos a décima posição. As perspectivas positivas para os próximos anos acabaram por atrair grandes fabricantes, nos últimos 60 dias, no intuito de anunciar expansão de produção e novos produtos. Altos executivos da GM, Fiat, PSA Peugeot Citroën, Ford e, esta semana, Renault-Nissan vieram ao país com ímpeto renovado. Alan Mulally, presidente mundial da Ford, confirmou que o novo EcoSport, sobre a arquitetura do novo Fiesta, está sendo desenvolvido no Brasil e, pela primeira vez na história da filial, um modelo criado aqui entrará em produção também em outros países. Ele não pormenorizou, mas a coluna adianta que o utilitário compacto chegará em 2012 e será fabricado nos EUA, Alemanha, Índia e China. O grau de confiança do consumidor e o poder aquisitivo em alta são os principais suportes para o otimismo nos próximos anos. O avanço firme e ininterrupto, porém, depende de crédito farto e barato. Nesse aspecto, espera-se para esse ano a criação por lei – em debates finais no Congresso Nacional – do cadastro positivo. Esse mecanismo permite cobrar taxas de juros diferenciadas para quem construiu um histórico de compras parceladas e de pagamento pontual. Bom pagador deverá despender menos em juros. O potencial, segundo estimativas conservadoras, é agregar de 500.000 a 600.000 novos compradores por ano porque as prestações se tornarão mais baratas. Alguns céticos apontam a inadimplência como fator de incerteza. Porém, esse índice no Crédito Direto ao Consumidor (não é divulgado no caso de leasing) encerrou março em 4,2%, em queda pelo oitavo mês consecutivo. O melhor padrão comparativo se situa em 3,5%. Ainda assim, novos e criativos planos permitem atender todos os segmentos de tomadores de empréstimos. Bem interessante é a recém-criada proposta do GMAC, banco que já pertenceu à GM e continua muito próximo à fábrica. Com entrada de 40%, um modelo como o Chevrolet Classic, na faixa de R$ 28.000,00, pode se adquirir em 60 mensalidades que começam em R$ 510,00 e terminam em R$ 291,00. Prestações decrescentes – 43% de diferença entre a primeira e a última – permitem o comprador se equilibrar frente às despesas de manutenção. Em geral sobem à medida que o automóvel acumula quilometragem. Se optar por vender o carro antes dos cinco anos, as prestações estarão mais acessíveis a possíveis interessados. RODA VIVA ÚNICO indicador ainda aquém do nível de antes da crise, iniciada em setembro de 2008, é o nível de emprego nas fábricas. As contratações continuarão nos próximos meses, mas recuperação total da produção depende das exportações. Em março, a reação do mercado argentino ajudou. Desconfia-se de que se trata de defesa dos vizinhos contra a inflação. PARA a Argentina estará alocada a nova geração do Focus 2012, embora Mulally não tenha explicitado como será aplicado o investimento também anunciado lá – apenas 10% do total reservado ao Brasil. Em entrevista com a imprensa brasileira, o principal executivo mundial da Ford admitiu que picape é uma das derivações da futura arquitetura Focus. RENOVAÇÃO do Classic – lançado como Corsa sedã, em 1995 – chegou um pouco atrasada: essa carroceria foi substituída na China. Frente e traseira reestilizadas, piscas nos para-lamas e itens de acabamento aumentaram o preço em R$ 500,00, para R$ 28.300,00. Motor de 1 litro/78 cv (etanol) casa bem com a proposta do sedã de maior venda no mercado (11.000/mês). ESTUDOS da J.D. Power indicam que foram vendidos 10.000 veículos elétricos em 2009, pouco mais de 0,01% do total mundial. Até 2015, a consultoria americana projeta 300.000 unidades/ano ou participação de 0,3%, apesar do interesse nesse tipo de propulsão limpa. Preço, autonomia e falta de estrutura de abastecimento estão entre os fatores de limitação. MANUAIS de proprietários dos carros da GM também trazem a observação: “bicos injetores dispensam operação preventiva de limpeza, pois são autolimpantes.” Essa mesma advertência chegou antes aos manuais da Ford. Ainda há muitas oficinas, inclusive autorizadas, que enganam os clientes oferecendo esse serviço desnecessário, salvo em casos excepcionais.
Coluna Alta Roda: O futuro promete mais
Sobre: Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br) é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no CARPLACE e em uma rede nacional de 70 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra).

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