Coluna Alta Roda: União faz a força

Os movimentos de consolidação da indústria automobilística mundial ainda estão em curso e os reflexos chegarão ao Brasil, cedo ou tarde. Marcas premium, como Mercedes-Benz, reconhecem que o nível de entrada do mercado – composto por modelos de menor porte e baratos – está se estabelecendo com bastante firmeza. Tudo em função do espaço de circulação na chamada mancha urbana, além das exigências crescentes de menor consumo de combustível e baixas emissões. Não chega a surpreender, portanto, o recente acordo de cooperação entre o grupo alemão e a aliança Renault-Nissan (inclui a romena Dacia, a sul-coreana Samsung e a russa Autovaz) para desenvolver carros pequenos. O comprometimento das partes levou à participação cruzada de 3% das ações. Em evolução contrária, PSA Peugeot Citroën e Mitsubishi anunciaram o fim das negociações sobre fusão. A marca japonesa está enfraquecida (já foi a quarta; hoje, sétima no Japão), mas os franceses fizeram uma oferta de valor baixo para adquirir o controle. O poderoso conglomerado Mitsubishi preferiu declinar, sem anunciar planos. Opiniões de analistas se dividem entre a busca de novo parceiro ou encolhimento para uma posição de nicho. Acontecimento importante ocorreu na semana passada, quando o Grupo Fiat anunciou a separação da atividade de automóveis das outras (caminhões e tratores). Também a unidade FPT, que cuida de motores e câmbios, foi dividida. A intenção é integrar melhor a Chrysler e possibilitar novas sinergias com outros grupos. Sergio Marchionne, executivo-chefe da Fiat-Chrysler, havia dito no ano passado que a fusão com a PSA seria “o casamento no paraíso”. Falhou, entre outras razões, porque a família Peugeot com 200 anos de atividade industrial (antes mesmo da era do automóvel) não aceita administração subordinada. Marchionne anunciou um plano de cinco anos, prevendo dobrar a produção combinada das marcas italianas e americanas para 6 milhões de unidades/ano até 2014, nível mínimo que ele considera rentável para um grupo automobilístico. Meta ambiciosa, pois se prevê que só em 2012 as vendas mundiais voltarão ao patamar de 2007. O maior mercado para a Fiat ainda é a União Europeia, onde a liderança do Grupo VW continua inabalada, seguido pela PSA. Um pouco abaixo, no fim deste primeiro trimestre, aparecem Ford, Renault, Fiat e Opel. Alguns analistas sugerem que há incertezas sobre o sucesso em países-chave como China, Índia e Rússia. Mas, na América Latina, a Fiat espera vender 1,1 milhão de unidades em 2014, partindo do patamar de 800.000 veículos em 2009. Outros consultores apontam o excesso de capacidade na Itália e a dificuldade para fechar qualquer fábrica na Europa. A GM, por exemplo, pagará até R$ 350 mil de indenização por funcionário na unidade da Opel na Bélgica, cujo fechamento foi decidido. Pelo menos uma mudança já terá efeito no Brasil. A Fiat vetou o lançamento do Dodge Trazo que fazia parte de acordo anterior entre Chrysler e Nissan. O compacto mexicano, na realidade, é a versão sedã do Tiida, concorrente do Linea. A marca japonesa decidiu voltar com seu logotipo para a grade do modelo e vendê-lo aqui ainda este ano. RODA VIVA FORD continua apostando em melhorias sem aumento de preço. Os Fiestas 2011, hatch e sedã, receberam faróis, grade e para-choque redesenhados, diferentes do modelo indiano. Atrás, apenas retoques. Por dentro, aplicou tecido nas laterais, instrumentos de iluminação permanente, computador de bordo e travas elétricas de portas e tampa do porta-malas. PREÇOS desses compactos vão de R$ 30.000 a R$ 45.000,00 e airbags/ABS saem por R$ 2.000,00. Como a coluna havia antecipado, a Ford confirmou para o segundo semestre a importação do México do novo Fiesta sedã, que tem porte um pouco maior, e será concorrente de Polo, City e Linea entre outros. O Fiesta encorpado será produzido na Bahia, a partir de 2011. FERRARI 458 Italia chega no segundo semestre por R$ 1,5 milhão, segundo a importadora Via Itália. Trata-se de um dos mais belos desenhos de Pininfarina, em raro equilíbrio de audácia e modernidade. Motor de 4,5 L e 570 cv tem a maior potência específica da atualidade em unidades de aspiração natural. Destoa a ponteira tripla de escapamento, falsa em motor V-8. SEMINÁRIO inédito em Brasília, no próximo dia 5, será realizado pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados. Debaterá o engajamento do Brasil na campanha da ONU denominada Década de Ação pela Segurança no Trânsito. Entre 2011 e 2020, a organização internacional discutirá como diminuir cerca de um milhão de mortes e 30 milhões de feridos em acidentes. NOVO dispositivo promete inibir furto de estepes. Pequena central eletrônica dispara uma sirene, se a roda de reserva for retirada com o equipamento ligado. É algo simples: conjunto de led, botão, sensor, além de ligações convencionais por fio, ao preço médio de varejo de R$ 80,00. Pormenores de instalação no site www.stepsafe.com.br .
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Sobre: Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br) é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no CARPLACE e em uma rede nacional de 70 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra).

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Foto de: Fábio Trindade