Coluna Alta Roda: Hoggar pronta para a briga

Entre as preferências típicas do mercado brasileiro estão as picapes compactas derivadas de automóveis, segmento aberto aqui pela Fiat com a 147, lançada no Salão do Automóvel de 1978. Na realidade a Nissan já comercializava no exterior uma picape compacta desde 1971. Mas o primeiro modelo nessa configuração usava o chassi do Peugeot 202, no final dos anos 1930, anterior em quatro gerações ao 206 nacional, rebatizado de 207. Picapes com base em automóveis fazem parte da história da marca francesa, incluindo modelos 203, 403, 404 e 504, todas com tração traseira. As duas últimas, fabricadas também na Argentina. Exportada para cá, no começo dos anos 1990, a 504 era propulsionada por motor diesel e surpreendente capacidade de carga de 1.300 kg. A produção se encerrou no país vizinho em 1997, porém continuou na China até o ano passado. Em 2009 venderam-se 162.000 picapes pequenas no Brasil, 44% de participação em veículos comerciais leves (inclui furgões). Pesquisa da Peugeot aponta que 68% dos compradores estão em cidades do interior e se trata de público prevalentemente masculino (89%); 19% as utilizam em transporte de carga, 27% em uso misto e 54% encaram picapes leves como automóveis, levando na caçamba bagagem ou grandes volumes visando o lazer. Esse perfil acendeu o interesse de Chevrolet, Fiat, Ford e Volkswagen. Em apenas 12 meses, o segmento se agitou. A Saveiro foi renovada, oferecendo cabine estendida. A primeira cabine dupla estreou na Strada. Haverá nova Montana, no segundo semestre. E a Peugeot começa a vender, a partir de15 de maio, a Hoggar, sua primeira picape de tração dianteira. Os franceses querem ocupar 10% desse mercado já em 2011, vendendo 18.000 unidades. Prepararam-se para a briga com rigor. A Hoggar exibe linhas agradáveis e chassi híbrido: parte frontal do 206, parte traseira do multivan Partner de porte um nível acima. Destaca-se por ser a única com suspensão independente nas quatro rodas, oferecer a caçamba de maior volume (1.151 litros) e carga útil superior aos concorrentes (até 742 kg). Acomoda uma moto de 125 cm³, mesmo mantendo a tampa traseira fechada. Em avaliação inicial, caçamba vazia, impressionou pela calibração das suspensões e comportamento impecável em curvas. A Peugeot ficou devendo lastro para conferir as reações com carga. O motor da versão de entrada, X-Line e intermediária, XR é o de 1.400 cm³ flex, de 80/82 cv. Valores de torque (12,8 kgf·m) iguais com etanol e gasolina indicam que o motor ainda precisa evoluir. Primeira e segunda marchas mais curtas compensam em parte. O motor de 1,6 litro, 110/113 cv, tem torque 9% maior ao utilizar etanol (15,5 contra 14,2 kgf·m), garantindo maior agilidade. Porém, é reservado à versão de topo Escapade, de elogiável decoração discreta. Os úteis degraus laterais servem também para exaustão do ar da cabine, que possui janela traseira corrediça e volume razoável (120 litros) atrás dos bancos. Preços entre R$ 31.400,00 e R$ 43.500,00. Airbags são opcionais e faltou freio ABS. Para instalação em concessionárias há acessórios pertinentes, de capota marítima a estribo lateral, passando pelo exclusivo teto solar deslizante elétrico. RODA VIVA ANFAVEA persistirá no desafio de aumentar a competitividade da indústria automobilística. É o que garante Cledorvino Belini, novo presidente da entidade que reúne 25 marcas e 50 fábricas, de automóveis a tratores. "Sem esse choque sistêmico não se garante o futuro", afirmou. Fretes, aço e autopeças são exemplos da ampla agenda a discutir. AUDI A5 Sportback é cupê-hatch, quatro portas (sem molduras), de grande distância entre eixos, a fim de garantir amplo espaço interno. Inclui rearranjo do leiaute do trem de força da tração dianteira, permitindo rodas mais próximas ao para-choque e bom efeito visual. Muito agradável ao dirigir. Motor 2.0 turbo, 211 cv, tem 4 cilindros e torque de V6: 36 kgf·m. LINHA VW 2011 - Família Gol (inclui série Seleção), Polo e Golf - recebeu só retoques de acabamento. Gol IV, agora, na versão Ecomotion: diferencial alongado em 6,8%, pneus de baixo atrito de rolagem, maior pressão de enchimento e econômetro no painel. Gasta até 10% menos combustível. Precisa rodar bem para compensar o preço, a partir de R$ 27.500,00. CONFIGURAÇÃO de sete lugares do Nissan Gran Livina não oferece espaço de um Zafira ou Gran C4 Picasso, modelos de maior porte e potência. Mas preço é atrativo: R$ 57.000,00. Acabamento, acessibilidade e fácil rebatimento dos bancos são pontos positivos. Motor flex de 1,8 l/126 cv sofre um pouco ao lidar com 1.300 kg de peso em ordem de marcha. CHEVROLET Suburban, utilitário esporte americano para nove passageiros e nada menos de 5,65 m de comprimento, acaba de se tornar o modelo mais longevo da história da indústria. São 75 anos em produção. No início tinha oito lugares e motor de apenas 60 cv. Apesar de sorvedor insaciável de gasolina ainda vende 80.000 unidades/ano.
Coluna Alta Roda: Hoggar pronta para a briga
Sobre: Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br) é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no CARPLACE e em uma rede nacional de 70 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra).

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Foto de: Fábio Trindade