Coluna Alta Roda: Fator chave é o consumo - Kia Soul ganha motor flex no 2º semestre

O mundo continua em busca de diminuir as emissões de gás carbônico (CO2), o principal colaborador para o efeito estufa e o aquecimento do planeta, apesar de a politização excessiva do assunto levar a evidentes exageros. A corrente que atribui quase exclusivamente à atividade humana o aumento da temperatura tem prevalecido. Empurram a “culpa” ainda ao transporte sobre rodas com motores convencionais, embora este meio responda por apenas 15% das emissões totais. É preciso ressalvar a importância do CO2 para a vida na Terra e a fotossíntese nas plantas. Discute-se o volume excessivo, mas não se trata de gás tóxico e nem há filtro ou catalisador para seu controle. Motores com menor consumo de combustíveis fósseis diminuem quase na proporção de 1:1 as emissões desse gás. Combustível renovável, obtido a partir de cana, consegue no ciclo de vida, absorver perto de 90% do CO2 no escapamento (de milho, menos de 40%). Assim, carros brasileiros, quando abastecidos com etanol, estão muito à frente dos europeus e sua forte legislação restritiva. Consumo é fator chave na redução de CO2, independentemente do combustível, e a favor do bolso do motorista. Deveria haver uma norma única no mundo para as medições, porém isso não acontece. Basta um exemplo, nada conhecido: motores fabricados aqui são cerca de 15% mais econômicos se aferidos pela norma NEDC (sigla em inglês para Novo Ciclo Europeu de Condução). O ciclo aplicado na nossa NBR 7024 assemelha-se ao americano, mais severo. Nem mesmo no Mercosul as regulamentações obedecem a uma integração. Essa preocupação levou a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva a organizar um seminário em São Paulo sobre tecnologia e emissões de CO2 na região. As discussões mostraram que diferenças climáticas e geográficas em relação ao Hemisfério Norte deveriam ser consideradas nos ciclos de teste normatizados. Outra complicação é o diesel de baixo teor de enxofre, já a partir de 2012, que o Brasil adotará em etapas. Há dificuldades logísticas, além de modificações obrigatórias nos motores médios e pesados. Na interessante apresentação de Francisco Nigro, da Escola Politécnica da USP, um dos focos foi o retorno pelo investimento em 15 opções para controle de consumo/emissões de CO2, desde o motor flex com etanol de cana ao carro elétrico a bateria, passando por tecnologias intermediárias como desativação de cilindros e veículos híbridos. “É importante escolher alternativas tecnológicas que tragam benefícios ambientais, mas também façam sentido econômico ao País. O biocombustível brasileiro e o flex garantem retorno no mínimo três vezes maior para a sociedade como um todo ou ao consumidor em particular”, assinalou. Nos bastidores sentiram-se divergências sobre os programas de inspeção e manutenção. Um lobby forte levou o Conama a ser “convencido” da inclusão de automóveis com motores a etanol/gasolina e menos de três anos de uso. Mas os Estados podem – e devem – alterar esse critério em nome da racionalidade e de servir como estímulo para carros atuais e menos poluidores acelerarem a renovação da frota. Em outros países as vistorias de segurança e ambiental começam no quarto ano.
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RODA VIVA GRAÇAS à venda de veículos comerciais leves (CL) – em especial do seu pequeno caminhão – a Hyundai subiu em abril no ranking. Ao somar automóveis e CLs, a marca coreana superou a Honda pela primeira vez desde que se instalou no Brasil, primeiro como importador e depois com a fábrica de Anápolis (GO). Nova unidade em Piracicaba (SP) está em construção. FAZENDO parte do mesmo grupo automobilístico na Coreia do Sul, a Kia também é audaciosa. Sem dispor de engenharia própria no Brasil, lançará o motor flex para o crossover Soul no segundo semestre. O importador Gandini conseguiu convencer a matriz da necessidade de desenvolver o produto para concorrer no disputado mercado nacional (mais de 40 marcas). DOBLÒ retornou aos seus melhores dias depois da atualização em outubro do ano passado. Nada, porém, de comercialização acima das 800 unidades mensais em média. Versão Adventure, a mais vendida, destaca-se pelo espaço interno e visibilidade ao volante. Mas há incômodos ruídos de vento e silvos que começam já aos 80 km/h gerados pelos apêndices. VISITAR países vizinhos em viagens de carro não merece preocupação maior, apesar do teor zero de etanol na gasolina. Ford levou Fiestas flex no lançamento em Buenos Aires para a imprensa brasileira e a GM fará sua Flexpedition pela Argentina. Sistema de injeção corrige grande parte da formação de mistura ar-combustível. Só não pode rodar permanentemente nessas condições. DIVISÃO AMG, da Mercedes-Benz, tem planos de reduzir em 30% o consumo de combustível nos modelos superpotentes até 2012, em referência a 2008. Além da técnica de downsizing (cilindrada menor e superalimentação), incluirá compactos da marca na preparação esportiva, diminuindo a média das emissões supercontroladas.
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Sobre: Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br) é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no CARPLACE e em uma rede nacional de 70 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra).

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Foto de: Fábio Trindade