Coluna Alta Roda: Uma visão, três aspectos

Os assuntos de trânsito estão sempre em pauta e permitem uma variedade de abordagens, da mais leve à mais séria, passando pela memória. É o tema dessa semana. Afinal, segundo estudo do Citigroup e os cálculos de Christian Barbosa, especialista em gerenciamento de tempo e produtividade pessoal e empresarial, o brasileiro gasta em média um mês de vida, todos os anos, dentro de um carro, preso ao trânsito. Há uma perda pelo menos de 5% em produtividade, afetando 20% da população. Para recuperar parte desse desperdício o consultor sugere três ações simples de adotar: Crie novas ideias – longe do escritório, tente achar soluções para problemas que a rotina o impede de pensar. Busque informações – se tem pouco tempo para jornais ou noticiários de televisão, o rádio está ali para isso. Invista em você mesmo – treine um novo idioma reproduzindo CDs interativos. Se preferir, um áudio livro. Outro lado da questão, bem mais sério, é a segurança. Muitas empresas, ao redor do mundo, investem em campanhas institucionais. Há dezenas de exemplos focando públicos diferenciados. A Renault completa 10 anos de ações voltadas para alunos de primeiro e segundo graus de países europeus, onde se concentra sua maior área de influência. O objetivo é estimular crianças e adolescentes em concursos de frases criativas sobre bom comportamento ao volante. Milhões de alunos de 17 países já participaram. Só para citar um dos vencedores: “A estrada não é um vídeo jogo – você só tem uma vida”. A Monsanto, transnacional americana de biotecnologia agrícola, criou em 2002 uma equipe mundial de segurança no trânsito para evitar acidentes envolvendo funcionários da empresa. Seis haviam morrido no ano anterior ao volante de automóveis em todo o mundo. O programa define de forma enfática uma política interna de direção segura e obriga aqueles que utilizam os veículos da companhia a passarem por treinamento específico, com parte teórica e prática. Na filial brasileira foram criados dois CDs, disponíveis a todo o público interno: “101 Orientações de Segurança do Veículo” e “No Banco do Motorista”. Se iniciativas desse nível prosperassem, as estatísticas fatais seriam outras. Quanto à memória, finalmente surge alguma preocupação governamental acerca de sua preservação. Esta semana, em Brasília, o ministério das Cidades e o Contran/Denatran estão lançando a edição comemorativa “100 Anos de Legislação de Trânsito no Brasil”. O livro inclui mídia digital e compilou os arquivos espalhados por vários órgãos e esferas federais, do próprio Denatran à Presidência da República. São 50.000 exemplares que facilitarão pesquisas em universidades, além de dar suporte a integrantes do Sistema Nacional de Trânsito e das três instâncias do poder (legislativo, executivo e judiciário). Tal iniciativa ocorre na gestão de Alfredo Peres da Silva, um dos presidentes do Contran mais ativos da história do conselho. Ele tem deixado nesse cargo um raro saldo bastante positivo entre acertos e erros. Tudo isso apesar de coordenar regulamentações difíceis e de contrariar interesses, sem se esquecer de várias campanhas em favor da segurança. RODA VIVA AQUISIÇÃO do estúdio Italdesign pelo Grupo Porsche-VW foi anunciada de forma inesperada em Turim. Empresa de Giorgetto Giugiaro, fundada em 1968, tem 1.000 empregados e clientes dentro e fora da Itália. Passará a trabalhar apenas para o grupo alemão em razão do ambicioso plano de lançamentos nos próximos anos. Meta é a liderança mundial em 2018. OBRIGATORIEDADE de cadeirinha para crianças se aplica também ao banco dianteiro. O uso é previsto, excepcionalmente, em picapes de cabine simples ou eventual quarta criança transportada. Exceções também existem em outros países. Nos EUA, o airbag do passageiro precisa ser desativado por meio de chave. Seria bom o Contran prever essa condição em legislação revisora. NOVA geração do Sorento chega por R$ 97.000,00, tração 4x2 e motor 4-cilindros, 2,4 l, 174 cv. Kia cobrirá toda a gama, incluindo 4x4 e motor V6/278 cv a R$ 125.000,00. SUV completo, mas falta acessório prático como sensor de chuva. Dirigibilidade evoluiu muito graças ao chassi (agora) monobloco e suspensões independentes. Falta alguma resposta ao motor de menor cilindrada. SALÃO de Paris, de 2 a 17 de outubro próximos, incluirá pavilhão verde para tecnologias alternativas, quatro pistas de testes e espaço para coleções e museus dos fabricantes. Thierry Hesse, promotor da feira automobilística bienal, veio ao Brasil pela segunda vez, atraído pela força do mercado brasileiro. Este ano há 238 expositores, de 15 países. APERTO financeiro é igual em qualquer país. Pesquisa recente indica que 15% dos motoristas britânicos pularam ou adiaram serviços de manutenção em função de taxas maiores sobre os veículos e preço mais caro dos combustíveis. Resultado: um sexto deles teve ao menos uma pane por ano. Para os fleumáticos súditos da rainha é preocupante.
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Sobre: Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br) é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no CARPLACE e em uma rede nacional de 70 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra).

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Foto de: Fábio Trindade