Comprar carro em Pequim: só com bilhete premiado!

Por muito tempo, quando falávamos da China, referíamo-nos a ela como um gigante asiático. Hoje, diante de sua invejável média de crescimento econômico e de suas políticas comerciais, extremamente agressivas, rendemo-nos ao termo gigante mundial. Como um rolo compressor e dona de características próprias a China “exportou-se” para o mundo e passou a jogar o jogo dos países ocidentais com certas diferenças: ela passou a dar as cartas e, em algumas situações, a ditar as regras do jogo. Com um mercado bastante heterodoxo, ela ignorou algumas das normas em que as relações de negócios devem se basear. Em outras palavras: não copiarás o que não foi por ti desenvolvido! Em 2009, o país tirou dos Estados Unidos o posto de maior mercado de automóveis do planeta. A voracidade com que os chineses foram às compras foi de tal forma impressionante que o setor automotivo atingiu 18,06 milhões de veículos em 2010, um crescimento de 32,37% em relação a 2009. Deste total, 13,76 milhões foram de veículos para transporte de passageiros enquanto 4,3 milhões foram de automóveis. Se por um lado as vendas dispararam, do outro os direitos autorais continuaram ignorados. Clones de montadoras tradicionais, como é o caso do Mercedes-Benz CLK e do BMW X5, por exemplo, continuam a rodar pelas ruas do país exibindo os símbolos de montadoras locais como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. E assim o é, para eles! Mesmo apresentando dados tão antagônicos, a China enfrenta dificuldades por causa do seu alucinante crescimento. Enquanto as fabricantes comemoram a consolidação do país como o maior vendedor de automóveis no mundo, Pequim corre no sentido contrário e tenta barrar o emplacamento de novos carros. O número de unidades adquiridas diariamente é proporcionalmente superior ao que a metrópole pode suportar. Para conter o avanço, o governo proibiu o tráfego de veículos de outras cidades nos horários de maior circulação e criou um sistema lotérico para a aquisição de carros pelos habitantes da cidade. De agora em diante, quem quiser comprar um carro novo ou mesmo um caminhão deverá se inscrever e torcer para tirar a sorte grande. Ao longo do ano 240 mil autorizações serão sorteadas. Sabe-se que a ideia adotada pelas autoridades de Pequim não vai resolver o problema. É apenas um modo de diminuir o ritmo das vendas. Entretanto, permitirá que novas alternativas sejam encontradas para melhorar a infra-estrutura e viabilizar o transporte público da cidade. O primeiro sorteio está marcado para o dia 26 de janeiro e já conta com 100 mil inscritos. Dentro de alguns dias 20 mil ansiosos irão conferir com extremo cuidado os seus bilhetes e, a depender do resultado, correr para a concessionária mais próxima. Estarão dispensados aqueles que optarem por vender seus automóveis ou os que vierem a perdê-los por conta de um acidente. O número da placa, no entanto, será mantido para uma possível futura compra. Por: Michelle Sá - Fonte: Autoblog / G1

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