Pagamento de bônus a executivos de montadoras gera crise nos EUA

O ano de 2009 ficou marcado pela “quebradeira” de grandes corporações automotivas norte-americanas. Graças à intervenção do governo federal a salvação chegou sob a forma de polpudas somas do Tesouro, mas com certas restrições. As empresas teriam que adotar medidas austeras no tocante às finanças, estabelecendo limites salariais e, por conseguinte, cancelando as gratificações dadas aos seus executivos, os mesmos que haviam sido responsáveis por praticamente levá-las à bancarrota. A princípio, as condições estabelecidas pelo governo dos Estados Unidos foram cumpridas. Todavia, velhos hábitos, quando já enraizados, ficam difíceis de serem cortados. A prática de “parabenizar” seus managers – os mesmos que aprovam suas despesas - com remunerações extras foi retomada pelas empresas automotivas. Até o próximo mês GM e Chrysler devem pagar aos seus altos executivos bônus que podem chegar a 50% dos salários regulares, conforme denunciou a agência norte-americana Bloomberg.
Pagamento de bônus a executivos de montadoras gera crise nos EUA
Em relação à Chrysler, que havia recebido uma ajuda de 12,5 bilhões de dólares e registrou um prejuízo de U$$ 652 milhões em 2010, a média dos pagamentos para seus 10.755 trabalhadores administrativos foi avaliada em 10 mil dólares por funcionário. Já os diretores, que representam menos de 1% do total, receberão gratificação igual à metade de seus salários mensais. Os empregados filiados ao sindicato United Auto Workers (UAW) e que recebem por hora ganharão, cada um, em média, 750 dólares. Isso equivale a somente 1,3% da renda anual de um operário filiado ao UAW na Chrysler. Liberta das dívidas, a General Motors registrou um lucro líquido de US$ 4,77 bilhões nos três primeiros trimestres de 2010. Por conta disso, a bonificação poderá chegar a 72% do salário para executivos que excederam as metas daquele ano. Já seus 26 mil funcionários administrativos irão receber de 4% a 16% do salário mensal, a ser calculado de acordo com o desempenho individual de cada um; contradizendo o que o presidente da montadora, Dan Akerson, havia dito em dezembro. Na ocasião, Akerson informou que os trabalhadores assalariados da corporação renunciariam ao bônus em 2010. Quanto aos horistas, que somam 45 mil, a GM deverá pagar a cada um o mínimo de U$$ 4 mil a título de participação nos lucros e resultados. A mais generosa, entretanto, será a Ford. Única a não contar com a ajuda governamental, a montadora encerrou 2010 recuperada e com lucro líquido de U$$ 6,56 bilhões. Cada um dos seus 40,6 mil funcionários horistas nos EUA deverá ser agraciado com cinco mil dólares - 8,3% do salário anual. A gastança causou a revolta de senadores a deputados, que culparam o governo por não ter aplicado regras mais rígidas quando da concessão da ajuda, permitindo que as empresas retomassem a prática ao mesmo tempo em que os acionistas, incluindo os contribuintes, não receberiam nada. A informação foi dada no exato momento em que as marcas negociam com o UWA sobre o contrato para 2011. Sindicalistas já falam em recuperar as concessões feitas desde 2005, que deram fôlego às montadoras para que as mesmas não fechassem as portas. Segundo os cálculos as perdas para cada sindicalizado giram entre U$$ 7 mil e U$$ 30 mil. Por outro lado, as altas cúpulas das corporações argumentam que as limitações de salário e a falta de prêmios são responsáveis pela evasão de alguns de seus melhores executivos. Analistas da área defendem que as atitudes tomadas pelas três empresas foram feitas de caso pensado. Ao premiarem sindicalizados e assalariados, as montadoras estariam evitando que seus empregados reivindicassem aumentos salariais maiores que causariam uma grande elevação nas folhas de pagamento. Por: Michelle Sá / Fonte: Automotive Business

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Foto de: Thiago Parísio