POLÊMICA: Locadoras contestam afirmação da Fenabrave sobre vantagens na compra e venda de veículos

O presidente da Federação Nacional das Locadoras de Veículos (Fenaloc), José Adriano Donzelli, não ficou nada satisfeito com as declarações de Sérgio Reze, presidente da Fenabrave, sobre a compra e venda de veículos pelas locadoras. Com descontos que podem chegar a 35% as locadoras teriam vantagens sobre as concessionárias na hora de revender seus veículos. “Elas compram com grandes descontos e depois revendem esses carros com menos de um ano de uso, competindo diretamente com as concessionárias. Eu não sou contra as locadoras, mas quero ter as mesmas condições. As montadoras deveriam dar esses descontos também aos clientes que vão comprar nas concessionárias”, afirmou Reze. Hoje, segundo o presidente da Fenabrave, 30% dos automóveis novos vendidos no país são adquiridos por empresas especializadas em locação de veículos. Em nota, enviada ao site Automotive Business, a informação foi contestada pelo dirigente da Fenaloc, que citou o anuário 2011 da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla). “Os dados apurados e publicados no anuário demonstram que as compras do setor giram em torno de 10% de tudo aquilo que as montadoras fabricam, importam e vendem no Brasil. Assim, não se sustenta qualquer afirmação, como as da Fenabrave, de que o setor de locação está adquirindo mais de 30% dos automóveis no Brasil, por meio do sistema de faturamento direto das montadoras e importadoras”. Sem citar as revendas de seminovos pertencentes às locadoras, Donzelli ratificou que o prazo mínimo para o repasse de carros não pode ser inferior a seis meses. Conforme ele, os últimos censos anuais da Abla demonstram que os veículos ficam nas locadoras em torno de 16 meses. Após esse período é que grande parte das empresas do ramo passa a trabalhar com concessionárias, leiloeiros e outras formas de desmobilização de seus ativos. O dirigente afirmou que as operações realizadas pelas locadoras não “causam impactos” às montadoras. Para tanto, ele cita que o mercado brasileiro de carros novos gira em torno de 3,5 milhões de unidades/ano, enquanto que o de usados é de 8 milhões. “Isso significa que, mesmo se o setor de locação vendesse toda a sua frota - cerca de 420 mil automóveis - tais vendas representariam algo em torno de 4% do mercado total brasileiro. As vendas de um único setor, que representam menos de 3% do total de automóveis comercializados por ano no país, certamente não causam o impacto que alguns ainda insistem em tentar nos fazer crer”, afirmou. O dirigente da Fenaloc criticou os veículos de comunicação que reproduziram os dizeres de Sérgio Reze que, na ocasião, disse que as locadoras não compravam das concessionárias porque era mais lucrativo negociar diretamente com as montadoras. “Nas vendas diretas só recebemos a taxa de entrega de 1% do valor do carro”, afirmou Reze. Donzelli reafirmou que seu setor procura manter uma boa relação com as concessionárias. Contudo, passar a imagem de que as locadoras prejudicam as revendas “é fruto de uma visão que não sobrevive a uma análise mais profunda e que em nada contribui para estreitar o relacionamento”. Por Michelle Sá / Fonte: Automotive Business

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