Indústria automobilística nacional cada vez mais preocupada com o avanço dos importados

Muito se debateu sobre a coragem do brasileiro de trocar as marcas nacionais pelas internacionais. O medo de antes praticamente deixou de existir. Mais bem equipados, com motorização mais potente e preços mais convidativos os automóveis importados se tornaram mais atraentes para o consumidor. Prova disto é o seu crescimento no mercado automotivo. Hoje, 73% das vendas do mercado brasileiro correspondem aos veículos de passeio. Suas vendas cresceram 5,2% de janeiro a agosto de 2011 se comparadas com o mesmo período do ano passado. Já o número de emplacamentos de carros nacionais recuou de 1,6%, enquanto os importados avançaram 43,2%, alertando para uma possível crise no setor. Com a procura por modelos vindos, principalmente, da Argentina e México – que juntos somam 80% das importações – constatou-se a queda nas vendas dos modelos 1.0 que, em agosto, foi de 44,5%. Mas isto também já era de se esperar. Por terem se voltado para a produção de veículos 1.0 e cobrarem por eles valores similares aos importados mais potentes e mais completos, Fiat, Volkswagen, GM e Ford começaram a perder mercado. O resultado foi a paralisação de suas linhas de montagem para reduzir os estoques dos modelos encalhados. De acordo com Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, o comportamento do mercado reflete a perda de competitividade da industria automotiva nacional. “Em termos de qualidade de produtos a indústria automotiva brasileira é mais preparada entre os países dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), mas se não tomarmos conta de nossa competitividade, com maior esforço de inovação tecnológica, vamos continuar a perder mercado”, afirmou. Entre os meses de janeiro e agosto deste ano foram importados 531 mil automóveis, o que implica em 22,4% do total de emplacamentos no país. Em 2010 este percentual foi de 18,8%. Por Michelle Sá / Fonte: Automotive Business (por Pedro Kutney)

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