Guerra do IPI: Competitividade forçada pode desestimular a vinda de outras montadoras

Mesmo “defendendo” o direito do consumidor em adquirir carros estrangeiros, Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, afirmou que as novas regras adotadas pelo governo federal não inibem a entrada de veículos importados, na verdade elas estimulam a competição. Em seu discurso, o ministro disse que as empresas que quisessem aproveitar o bom momento brasileiro teriam que se instalar aqui trazendo tecnologia. “Mas isso não pode ser feito às custas de demissões de trabalhadores e aumento da fila do desemprego”. Mercadante enxerga as exigências como algo “criativo” no atual cenário internacional e afirma que já existe um “pequeno compromisso” das empresas em pesquisa e desenvolvimento. “Vamos aprofundar. Não é o fim do caminho. Mas é um passo decisivo para nova trajetória”, completou. Participando da coletiva que anunciou as novas medidas, José Luiz Gandini, presidente da associação dos importadores sem fábrica no Brasil, tentou argumentar, mas foi interrompido todas as vezes pelo ministro Guido Mantega que, na ocasião, disse que a coletiva era apenas para a imprensa. Mantega garantiu fiscalizar o compromisso firmado com as montadoras nacionais para que não elevem o valor dos preços dos automóveis por conta das medidas adotadas. Em seguida, disse que o governo espera que os fabricantes já instalados no Brasil continuem investindo e expandindo a produção. Por outro lado, durante conversa com os jornalistas, Gandini informou que devido ao posicionamento brasileiro existe a possibilidade de que montadoras que pretendiam se instalar no país desistam do investimento. “Há novas fábricas que estão vindo para cá. Elas podem parar de investir”, explicou citando Chery, JAC Motors e Suzuki – que comunicaram a instalação de unidades de produção com baixos índices de nacionalização de componentes. “Se vão manter os investimentos ou não, não sabemos, mas não podemos esquecer que a primeira etapa de chegada de uma empresa no Brasil é por meio das importações”, disse, dando exemplos como a PSA Peugeot Citroën. Gandini também argumentou que as medidas não servem para justificar a preservação de empregos uma vez que nada mudou em relação às importações do Mercosul e México. “Se é para segurar empregos, por que não vale para esses locais?”, questionou. Ainda segundo ele, as associadas da entidade representam apenas 6% das vendas de todo o mercado nacional totalizando mil revendas de veículos estrangeiros. “Isso não justifica aumento de 30% de imposto. Não é motivo para uma medida tão radical. São brasileiros que investiram e terão os negócios comprometidos”, alegou. Por Michelle Sá / Fonte: Automotive Business

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