Diminuição no consumo de álcool pode afetar metas ambientais

O Brasil pode não cumprir as metas de redução de gases de efeito estufa. A notícia pegou de surpresa o Ministério do Meio Ambiente, que esperava um aumento nas vendas de etanol. Contudo, o efeito foi contrário ao esperado. Nos dois últimos anos o produto apresentou uma queda de 35% (cerca de 6 bilhões de litros), pondo em risco as metas almejadas pelo governo de, até 2020, não lançar na atmosfera algo em torno de 89 milhões de toneladas de CO2. Devido ao aquecimento nas vendas do setor automotivo, esperava-se que, em média, as emissões alcançassem 4,7% ao ano, até 2020. O problema é que este valor já supera a média de aumento da poluição registrada nas últimas três décadas. O crescimento nas vendas de carros flex – que em 2009 correspondiam a 37% de toda a frota nacional – era a principal esperança do governo para atingir seus objetivos. Não foi o que ocorreu. Em 2011, pela primeira vez, as vendas destes modelos caíram para 83% do total de veículos comercializados no país – o menor percentual em cinco anos.
Diminuição no consumo de álcool pode afetar metas ambientais
Este não é o único desafio, para não dizer problema, com que o Brasil anda as voltas. Segundo projeções do Ministério do Meio Ambiente, é possível que os veículos flex não atinjam a cota estimada, próxima a 50%, de circularem alternando o etanol com a gasolina, pois o primeiro deixa de ser vantajoso quando seu preço ultrapassa 70% do valor do segundo. E, no momento de abastecer, o consumidor comumente opta pelo preço mais atrativo. O comportamento adverso ao desejado pelo governo começou em 2005, quando a gasolina registrou um aumento de 2% ao ano nas vendas de combustíveis. Em 2010, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o volume cresceu 17,45%. No ano passado, foram comercializados 35,4 bilhões de litros de gasolina (18,79%) contra 10,7 bilhões de litros de etanol. Para se ter uma noção do que isso significa, nos últimos dois anos, enquanto o comércio do etanol apresentou uma queda de 35%, a gasolina se destacou por apresentar uma elevação superior a 39% no número de vendas. Por Michelle Sá / Fonte: Época Negócios

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