Aceleramos o Audi R8 GT Spyder – e você também vai poder dirigi-lo no Salão!

“Começa devagar porque esse trecho aqui tem movimento”, me segura o engenheiro da Audi, enquanto meu pé direito está coçando para esmagar aquele pedal de alumínio encrustado no assoalho. Estamos numa estradinha sinuosa, de mão dupla, que já conheço de outros carnavais. Só que o carro que dirijo é, digamos, um tanto mais exclusivo do que os outros que já levei lá: das 333 unidades do R8 GT Spyder produzidas, apenas duas serão vendidas no Brasil. Preço? A bagatela de R$ 1,2 milhão. Deixar essa nave ser pilotada por alguns jornalistas, porém, é apenas parte da ação que a Audi vai promover no Salão do Automóvel, na semana que vem. Quem comparecer a um guichê que a marca terá na área externa do Anhembi (próximo ao hotel Holiday Inn) com o ingresso na mão poderá dirigir esse R8 ou mais três modelos da empresa: o R8 Spyder “comum”, o S5 Cabriolet e o TTS. Mas, atenção: é preciso ser rápido para garantir sua vaga entre os previstos 21 test-drives (para cada carro) por dia de evento. As inscrições começam às 13 hrs, e só valem para o próprio dia. A intenção da Audi é realizar, no total, 333 passeios – número em alusão à quantidade de GTs Spyder espalhados pelo mundo. A “nossa” unidade tem placa da Alemanha (volta pra lá depois do Salão) e a numeração 000/333 estampada na manopla de câmbio, o que indica ser esse o primeiro GT Spyder a sair da fábrica. Em relação ao R8 V10 “normal”, o GT se diferencia pela redução de peso de 100 kg (total de 1.715 kg), graças ao extenso uso de fibra de carbono. O difusor e a asa traseira, além do spoiler dianteiro e algumas partes internas, tudo é feito com o nobre material. Não bastasse o “regiminho”, o GT também vem com uma anabolizada no motorzão V10 de 5.2 litros: potência de 560 cv a 8.000 rpm (contra 525 cv do V10 comum) e 55,1kgfm de torque a 6.500 rpm.
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São valores que beiram a inconsequência, eu sei, mas quando você dá a partida naquelas “dez bocas” e põe o bicho para andar, nota porque a Audi vai deixar o carro na mão dos visitantes do Salão. O GT é tão dócil que minha avó poderia ir com ele à padaria, contanto que tomasse cuidado com as valetas, porque o bico é baixo. Essa postura amigável é característica do R8, e não se perdeu nessa versão mais brava. Chame-o para a briga, porém, e a história muda para algo próximo do visceral. Foi o que fiz assim que o trecho aberto da estrada ficou para trás – estamos agora numa parte fechada. Passei a transmissão R-Tronic para o modo Sport e chamei uma redução de marcha pela borboleta da esquerda, mantendo a terceira marcha “cheia” para disparar assim que pintasse uma oportunidade. “Vai, pisa tudo!”, me libera o engenheiro da Audi. O V10 rosna alto e o R8 dá um soco nas minhas costas, deixando os 200 km/h para trás em questão de segundos. A reta permite mais um pouco, mas nos 230 km/h eu alivio porque a curva a seguir é cega, daquelas que a gente não consegue ver onde acaba. Foi um tiro rápido, mas o suficiente para não desconfiar dos 317 km/h que a Audi promete de máxima. Eu mesmo já andei a mais de 320 km/h reais com o GT na versão cupê, mas estava na pista de um aeroporto que permitia tal façanha. Faço o retorno e paro o carro. Hora de conferir o poder de arrancada proporcionado pelo controle de largada em conjunto com a tração integral Quattro. É uma descarga imediata de adrenalina nas veias, enquanto o ponteiro do velocímetro varre alucinadamente a escala do mostrador. E já estamos de novo acima dos 200 km/h. Ah, você quer saber o 0 a 100 km/h? Somente 3,8 s, nas contas da Audi. E não tenho porque duvidar.
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Mas nem tudo são flores. Culpa do câmbio automatizado R-Tronic, que dá trancos nas mudanças mais radicais. Não tem jeito, com uma embreagem só, você percebe o trabalho de desacoplamento e acoplamento da transmissão com o motor. E, se não aliviar o acelerador nas mudanças, é tranco na certa. Nada que me fizesse desistir da compra (como se eu tivesse R$ 1,2 milhão...), mas a própria Audi sabe que esse é o ponto a melhorar no R8. Tanto que a marca já apresentou, na Europa, uma versão reestilizada do superesportivo, com direito ao câmbio S-Tronic de dupla embreagem já presente em outros modelos dos quatro anéis no focinho. Além disso, ele virá com sete marchas, contra seis do atual. Apesar das trocas brutas, não podemos reclamar de falta de agilidade nas mudanças. Tanto a subida quanto a redução de marchas são bem rápidas, mesmo no modo automático (na posição Sport, claro). Mas confesso que fiquei só com as borboletas do volante, reduzindo em cima das curvas e aproveitando de todo o poderio de frenagem dos discos de cerâmica reforçados com fibra de carbono. São simplesmente impecáveis, da potência da mordida à modulação do pedal. Depois das reduções vêm as... curvas! E aí o GT volta a brilhar pelo comportamento neutro e pela imensa aderência dos borrachudos 235/35 na dianteira e 305/30 na traseira, montados em rodões aro 19. Apesar da tração integral, é nítido como o R8 tem tendência traseira, dada a maior distribuição de torque para as rodas de trás. Sendo assim, você pode entrar forte na curva que a frente aponta facilmente para onde o volante manda, enquanto a traseira pode ser controlada pelo acelerador. Para completar a experiência, a direção é rápida e comunicativa, indicando exatamente o que se passa com os pneus. A suspensão firme praticamente não deixa a carroceria inclinar e o controle de estabilidade, não muito intrusivo, permite que você abuse um pouco antes de ele entrar em ação.
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O fim do passeio se aproxima e ainda não tive tempo de ligar o sistema de som da Bang &Olufsen e, espera aí, nem mexi na capota! O mais legal é que ela pode ser fechada eletricamente até 50 km/h, então nem é preciso interromper a brincadeira. Estaciono o carro e sinto pela última vez o abraço do banco concha opcional (com regulagem manual para economizar peso) e o tato de camurça do revestimento do volante. Eu tive meus 15 minutos de fama. Agora pode ser sua vez de pilotar essa máquina! Por Daniel Messeder / Fotos: Marcelo Spatafora/Audi

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Foto de: Redação