Avaliação: Citroën C3 Exclusive - O tempero premium está de volta

Pode reparar nas ruas: dos novos carros lançados recentemente (sem contar reestilizações), o C3 de segunda geração é o que mais se vê por aí. Prova disso é que o modelo cresceu no retrovisor do Punto em vendas (3.497 unidades contra 3.517 em setembro), em que pese a rede bem menor da Citroën comparada à da Fiat. Sinal de que o novo compacto francês fabricado em Porto Real (RJ) caiu no gosto do público.
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Que o C3 ficou mais bonito e perdeu aquele ar de carro de “menininha” a gente vê logo de cara. Não dá para negar que o C3 está bem mais atraente, principalmente aos olhos masculinos, uma vez que o hatch ganhou linhas mais agressivas. Mas não é só estilo: a convivência revelou melhorias em diversas áreas. Meu primeiro contato com o hatch se deu numa pista fechada, e já saí de lá com boa impressão do modelo. Pois agora o C3 Exclusive 1.6 16V veio passar um tempo no CARPLACE para a gente se conhecer melhor.
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É tremenda a evolução em relação ao modelo anterior. O projeto inicial, de 2003, fez boa figura na época, mas atualmente não convencia como compacto premium – tanto que a Citroën baixou o preço para brigar na seara de Gol e Palio mais equipados. O novo C3 reescreve a história sem, no entanto, alterar drasticamente o sabor característico do carro. Ou seja, você percebe todas as novidades, mas ainda se sente num C3. É um equilíbrio que permite atrair novos compradores sem desagradar aos antigos (e antigas) fãs.
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O primeiro C3 tinha direção levinha e suspensão macia. Na cidade era uma beleza, mas na hora de cair na estrada o volante ficava “bobo” e a carroceria balançava demais. Passe a borracha nesse passado: o novo C3 tem bitolas mais largas e, apesar de manter a maciez da direção (elétrica) nas manobras, o volante ganhou o peso que faltava em velocidades de viagem. Com o hatch mais “parrudo”, a Citroën nem precisou pegar pesado no acerto de molas e amortecedores para deixar o carro mais estável. Assim, o C3 manteve a desejada suavidade em pisos ruins (OK, transmite um pouco mais as imperfeições), mas agora encara as curvas com muito mais propriedade – contribuem aí as rodas aro 16 e os ótimos pneus Michelin 195/55 que equipam essa versão Exclusive.
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Melhorada a questão da estabilidade, a Citroën atacou o motor. Afinal, o C3 cresceu e ficou mais pesado (1.139 kg no modelo avaliado). Portanto, nas versões de entrada o antigo 1.4 deu lugar a um novo 1.5, com maior potência e torque (93 cv e 14,2 kgfm). No bloco 1.6 16V, a principal novidade foi a eliminação do tanquinho de gasolina do sistema flex – daí o nome FlexStart, tecnologia que funcionou muito bem mesmo na primeira partida do dia. Agora com 122 cv e 16,4 kgfm quando alimentado com etanol, o motor equipa até modelos maiores, como o Peugeot 308 (também do grupo PSA). No C3, sobra até uma reserva de força. Não que o hatch da Citroën tenha pegada esportiva. Embora mais redondinho de dirigir e mais potente (o antigo tinha 113 cv), o C3 é um compacto requintado com bom desempenho, e ponto. Fizemos alguns ensaios com nosso aparelho de medição (em breve teremos o primeiro teste completo) e obtivemos 11,6 s na aceleração de 0 a 100 km/h. É um valor coerente com a proposta, e no nível de rivais como Chevrolet Sonic, Fiat Punto e Ford New Fiesta – também equipados com motores 1.6 16V. Além do ganho de potência, agora o torque aparece de forma mais contundente em baixas rotações (80% a 1.500 rpm, diz a Citroën), evitando constantes reduções de marcha. De todo modo, a senha para se obter as melhores respostas desse 1.6 é manter o giro acima das 3 mil rpm. Pena que o câmbio tenha mantido os engates “manhosos” e um pouco barulhentos. Versão automática? Ela ganhou até borboletas na direção para mudanças manuais, mas manteve a caixa de apenas quatro marchas.
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Nessa versão manual, a Citroën adotou uma relação de transmissão curta, para priorizar o pique na cidade. Conseguiu, mas à custa de uma rotação um pouco elevada em velocidades mais altas. Na estrada a 120 km/h em 5ª marcha, com o motor trabalhando a cerca de 3.500 rpm, registramos consumo de 10,9 km/h com etanol. Alguns concorrentes fazem o mesmo com 3 mil rpm e, assim, bebem menos. Em circuito urbano, o C3 fez média de 7 km/l, também com o combustível vegetal. Na visita ao posto, uma chatice: a tampa do tanque não tem abertura interna, e exige a chave – algo que não combina com o rótulo premium do modelo. E aí chegamos à outra parte da evolução: o C3 voltou a fazer o cliente se sentir especial ao pagar mais num carro compacto. E o encanto começa por fora, com os belos feixes de leds (que funcionam como luzes diurnas) nos para-choques. Uma vez lá dentro, o mais legal é ver o céu. Sim, o para-brisa panorâmico Zenith vai quase até o meio do teto e permite uma visibilidade sem igual no segmento – sem contar que a mulherada curte ver a noite estrelada por ali. Mas esse vidrão gera duas perguntas: “E nos dias de Sol forte?” Basta puxar a cobertura corrediça do teto que o vidro fica do tamanho “normal” de outros carros. “E se quebrar?” A Citroën diz que ele custa o mesmo preço do para-brisa do C3 anterior.
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O painel ganhou desenho bem mais interessante, com saídas de ar circulares que trazem bordas pintadas de prata e um console central cinza escuro onde fica o ar digital – tudo de bom gosto. O quadro de instrumentos recebeu grafismo mais esportivo e o volante é o mesmo do DS3, com base reta e ótima pegada. Para completar, a posição de dirigir ficou mais baixa.
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A montagem interna é cuidadosa e não se acha pontos de rebarbas nos plásticos. Mas também não espere encontrar cobertura acolchoada na parte superior do painel. Os plásticos de acabamento do C3 são rígidos, embora a textura das peças seja agradável ao tato. No capítulo “pelo em ovo”, me incomoda um pouco ver o mesmo pomo da alavanca de câmbio do modelo antigo. E, na parte ergonômica da coisa, o puxador da porta do motorista atrapalha o acesso aos botões dos vidros elétricos. Ser maior que os hatches compactos não traz vantagem prática de espaço ao novo C3. Quem viaja atrás passa aperto tanto nas pernas quanto na cabeça, sem falar que o encosto é muito vertical. Mas área útil não parece ser prioridade nesse segmento. Exceto pelo Sonic, os demais rivais também recebem críticas de quem anda no banco de trás. E o mesmo vale para o porta-malas: com 300 litros, o compartimento do Citroën tem capacidade equivalente à do Hyundai HB20, um carro menor. Na frente, porém, os ocupantes são muito bem tratados. Os bancos são confortáveis e, para o carona, o painel recuado na área do porta-luvas amplia o espaço.
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Tabelado a R$ 49.990, o C3 Exclusive vem bastante equipado de série, restando uma pequena lista de opcionais: GPS integrado ao painel com tela de sete polegadas, bancos revestidos de couro, sensor de estacionamento traseiro e airbags laterais são os destaques. Ele já vem de fábrica com ar digital, CD player com entrada USB e comandos na coluna de direção, rodas de liga e mimos como faróis e limpadores com acionamento automático. Boa novidade é o rádio da Pioneer, que tem melhor sintonia que o sistema de som usado pelo C3 antigo.
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Mais bonito, melhor de dirigir e com exclusividades como o para-brisa panorâmico e a ausência do tanquinho no sistema flex, o C3 está bem armado para a batalha dos compactos premium. A boa acolhida do mercado, inclusive, indica que a Citroën fez a lição de casa direitinho. Por Daniel Messeder Fotos Rafael Munhoz exclusivo para o CARPLACE - Portfólio Flickr Ficha técnica - Citroën C3 Exclusive: R$ 49.990 Motor: dianteiro, quatro cilindros, 16 válvulas, comando variável, flex; Potência: 115/122 cv a 6.000/5.800 rpm; Torque: 15,5/16,4 kgfm a 4.000 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: Independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Peso: 1.139 kg; Porta-malas: 300 litros; Dimensões: comprimento 3,944 mm, largura 1,708 mm, altura 1,521 mm, entreeixos 2,460 mm; Aceleração 0 a 100 km/h: 11,6 s (aferida); Consumo: cidade 7,0 km/l, estrada 10,9 km/l (aferidos)

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Foto de: Daniel Messeder