Incentivo às usinas não deve mudar preço do etanol; meta é exportar

Em medida divulgada na terça-feira (23), o governo anunciou incentivos que podem chegar a R$ 1 bilhão às usinas produtoras de etanol. O auxílio consiste em isenções fiscais e facilidade de acesso ao crédito, além do aumento da porcentagem de etanol na gasolina, que vai de 20 para 25%. A notícia, entretanto, não significa que o consumidor pagará menos para abastecer seu veículo com o combustível derivado de cana-de-açúcar. "Ou o etanol estava sendo vendido abaixo do preço de custo ou, no máximo, chegava a empatar. Os subsídios para manter o preço da gasolina em patamares mais baixos fez o combustível de cana perder competitividade. As usinas sentiram mais o efeito, já que os produtores normalmente trabalham com mais de um produto além da cana", explica Francisco Malta Cardozo, vice-presidente da Canasol, a Associação dos Fornecedores de Cana de Araraquara, interior de São Paulo. O produtor salienta que as usinas se endividaram muito de 2007 para cá e diz que, ao menos em um primeiro momento, o consumidor não deve sentir os efeitos do pacote do governo. "Ao contrário do que é dito, as usinas não têm muita flexibilidade para mudar a relação da produção entre etanol e açúcar. Por exemplo, caso 60% da produção da usina seja de açúcar, o máximo que dá para variar é de 5 a 10%. A programação de moagem não é tão simples de ser mudada e a usina não tem capacidade para aumentar muito a fabricação de um ou outro item. Então é lenda aquela história de que o preço do etanol sobe muito porque o preço do açúcar no mercado melhorou", explica. Malta conclui afirmando que as medidas devem ajudar a todas as etapas do processo produtivo. Entretanto, os resultados práticos deverão ser sentidos a médio e longo prazo. "Ajuda para nós, produtores, que já chegamos a ficar meses sem receber pela produção de cana, e também dá um respiro para as usinas acertarem sua reserva financeira e aumentarem a liquidez da sua produção, já que a porcentagem de etanol na gasolina também aumenta. No fim, o setor como um todo deve se fortalecer, mas a situação ruim das usinas deve demorar um pouco até ser normalizada", conclui. Em entrevista coletiva, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda Guido Mantega, afirmaram que a medida visa proteger os produtores desse combustível. Outra meta do governo é viabilizar investimentos nessa área de produção e viabilizar a exportação do combustível derivado de cana.

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