Biocombustíveis podem ameaçar países em desenvolvimento

Um estudo realizado recentemente pela ONG ActionAid revelou que a proposta de sustentabilidade ligada ao uso de biocombustíveis não é tão sustentável quanto se imagina. Se por um lado há emissão praticamente nula de poluentes durante a combustão, por outro há uma demanda enorme por matéria-prima para atender grandes produções e ocupação de extensas áreas cultiváveis em países ainda em desenvolvimento. De acordo com a ActionAid, apenas o G8, grupo dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia, consome na fabricação de biocombustíveis uma quantidade de matéria-prima que seria suficiente para alimentar metade das pessoas famintas do planeta - hoje cerca de 870 milhões passam fome. Por ano, a frota dessas nações gasta nada menos que nove bilhões de litros de combustível vegetal. Além disso, o ocupação de extensas áreas propícias à agricultura familiar por parte de grandes empresas estrangeiras também preocupa. Segundo a organização, a África Subsaariana tem hoje nas mãos de multinacionais aproximadamente seis milhões de hectares, sendo dois milhões dominados por empresas do Reino Unido.
Biocombustíveis podem ameaçar países em desenvolvimento
Conselheiro político da ActionAid, Anders Dahlbeck revela que o que poderia ter sido originalmente uma política bem-intencionada para tornar os combustíveis mais limpos acabou se tornando desastrosa para o combate à fome. "Os biocombustíveis elevam os preços dos alimentos, desviam o uso da terra e estão associados ao agravamento do aquecimento global", revela. "Será que podemos  justificar o uso de alimentos para abastecer nossos carros, enquanto uma em cada oito pessoas está passando fome?", desabafa.

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Biocombustíveis podem ameaçar países em desenvolvimento

Foto de: Dyogo Fagundes