Teste CARPLACE: medimos, com exclusividade, o Mégane RS que acelera em direção ao Brasil

Win on sunday, sell on monday (vença no domingo, venda na segunda-feira). Essa antiga máxima de marketing, que ficou famosa entre as montadoras norte-americanas nas décadas de 1960 e 1970, parece que anda em alta nos corredores da Renault brasileira. Afinal, a marca, que já teve seus motores conquistando 11 vezes o campeonato de construtores da Fórmula 1 e lidera a atual temporada com a Red Bull, finalmente dá sinais de que vai explorar sua imagem esportiva por aqui. Prova disso é que, após lançar o Fluence GT, a empresa estuda a importação do Mégane RS, versão endiabrada do hatch europeu.
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Graças às novas regras criadas pelo programa Inovar-Auto, a Renault tem o direito de importar 9.600 carros sem pagar os 30% de IPI extras. Hoje a empresa não tem nenhum veículo importado à venda no Brasil (exceto os vindos da Argentina, considerados "nacionais" por conta do Mercosul), mas isso vai mudar em 2014: além do Captur, que usará a maior parte desta cota, o RS deve vir como "carro de imagem". Para testar a receptividade do esportivo, a Renault realizou uma exibição pública em Campos do Jordão e, nesta última quarta-feira (7), promoveu um test-drive para a imprensa no aeródromo Dr. José Augusto de Arruda Botelho, em Itirapina (SP) - justamente na cidade onde a Honda construirá uma nova fábrica. CARPLACE esteve por lá e, além de acelerar as versões "normal" (preta) e Cup (amarela), testou com exclusividade o modelo mais nervoso.
Teste CARPLACE: medimos, com exclusividade, o Mégane RS que acelera em direção ao Brasil
Pressão elevada Nos mais de 200 km que separam a capital da paulista da pista usada para o evento, fui dirigindo um Fluence GT como aperitivo. Afinal, o Mégane é (basicamente) a versão hatch do Fluence e o RS usa (basicamente) o mesmo powertrain do GT, só que mais fuçado. O motor 2.0 16V mantém o turbo de duplo fluxo, como no sedã, mas trabalha com a pressão elevada para 1,2 bar - contra 1 bar do Fluence. Por conta disso, o propulsor teve pistões, bielas e virabrequins reforçados, além de receber um novo intercooler. Também houve mudanças na calibração da central eletrônica e na variação do tempo de abertura das válvulas de admissão. Como resultado das modificações, chegou-se a expressivos 265 cavalos de potência e não menos animadores 36,7 kgfm de torque - lembrando que o GT rende 180 cv e 30,6 kgfm. O motor mais bravo, porém, não conta a história toda. Se o Fluence GT anda bem, mas mantém o elevado nível de conforto, o Mégane RS é um animal menos domesticado - especialmente na versão Cup. Começamos a brincadeira num circuito pró-solo, um pequeno trajeto travado delimitado por cones, onde já deu para sentir que o hatch tem uma tocada mais nervosa que o sedã. Da suspensão enrijecida à tendência de a dianteira ser arrastada pelos 265 cv, o RS empolga bem mais que o GT, sem falar no ronco mais encorpado - amplificado com o uso do modo Sport, que modifica também a atuação do controle de estabilidade e do assistente de frenagem, além de liberar toda a força do motor (limitada a 250 cv e 34,7 kgfm no modo normal). Era possível notar o timbre mais grave do escape mesmo de longe, observando os demais jornalistas fazendo a prova.
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Mas o grande destaque do dia ficou para o Cup. Ele tem suspensão ainda mais "travada" (com direito a barras estabilizadoras mais grossas), discos de freio ranhurados e diferencial de deslizamento limitado, que gerencia a entrega de torque para a roda com maior tração naquele momento. Fora isso, o modelo trazia rodas aro 19 (opcionais) com pneus Bridgestone Potenza 235/35 R19, contra aros 18 vestindo pneus Dunlop Sport Maxx em medidas 225/40 R18 no RS "básico". Armado assim, o Cup demonstrou superioridade até mesmo neste circuitinho, onde praticamente todos conseguiram ser mais rápidos com ele.
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O ambiente interno é mais despojado e esportivo que no RS, com direito a costuras e cintos de segurança na cor amarela. Os bancos perdem o ajuste elétrico, mas são do tipo concha (bem mais legais!), e no lugar da tela da central de entretenimento está o "RS monitor" (de série no Cup, opcional no RS). Trata-se de um sistema que fornece dados como pressão do turbo, temperatura do óleo, uso de torque e potência, solicitação dos freios, acelerações lateral e longitudinal (em g), cronômetro para voltas rápidas e aceleração de 0 a 100 km/h e de 0 a 400 metros. O carro é tão configurável que você pode até ajustar a sensibilidade do pedal do acelerador, do nível mais manso até o mais nervoso.
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Foi neste último modo que parti para a segunda parte da avaliação, que percorria os 1.450 metros da pista do aeródromo de pé embaixo. E o RS fez bonito tanto na "puxada" quanto na frenagem ao final da reta, quando convocamos os discos com pistões Brembo para conter o Mégane a mais de 210 km/h - com direito a umas balançadas da carroceria, é claro. Aqui foi possível notar, além do excelente fôlego do motor (a entrega de força é vigorosa já em giros médios), que o câmbio manual de seis marchas tem engates um pouco mais justos que os do Fluence e a direção é mais rápida (2,66 voltas entre batentes) e sensível que a do sedã, contando com fidelidade para suas mãos quando os pneus começam a cavar o chão em busca de aderência.
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Mesmo num ambiente sem curvas, o RS Cup mostrou ótimo controle. Como? Havia um slalom entre cones e também um contorno ao final da pista, feito em segunda marcha dosando o acelerador para que a dianteira não alargasse demais a trajetória. Resolvi desabilitar o controle de estabilidade de vez, pois no modo Sport ele ainda dava uma "travada" no carro quando a carroceria apoiava de um lado para o outro, no slalom. Agora sim: com suspensão que parece preenchida por concreto e uma direção obediente, o Cup gera imensa confiança mesmo com os controles desligados, mas prefiro deixar as conclusões finais para quando o carro chegar oficialmente ao Brasil e nós o avaliarmos pelas serrinhas desertas da vida. Bom, pelo menos ser macio nos buracos eu já sei que ele não será - e nem deveria!
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Acelera muito, e freia mais ainda Entre um e outro avião que pousava ou decolava (suspendendo as atividades com o carro, obviamente), consegui mais dez minutos de pista com o Cup para nossas medições. Era o que faltava para comprovar, na precisão dos números, a animação que o hatch transmitiu ao volante. Fiz a primeira aceleração com o ESP ligado, mas a eletrônica logo mostrou que estava contendo os ânimos do RS, não o deixando arrancar com vontade. Desativei o dispositivo e, então, tive de conter o ímpeto no acelerador para que o carro não perdesse tempo patinando em vão - o que não falta é força para destracionar os pneus. A melhor saída resultou na respeitável marca de 6,7 s de 0 a 100 km/h, uma excelente margem para os 9,2 s registrados pelo Fluence GT na mesma medição meses atrás. Aproveitei o momento para observar que o "RS monitor" exibia o tempo de 6,1 s de 0 a 100 km/h (0,6 s a menos), indicando que ele "rouba" para o time da casa - a Renault indica 6,0 s nessa prova. Mas não deixa de ser divertido para mostrar aos amigos.
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Outro indício da saúde do RS apareceu nas retomadas: 5,9 s de 40 a 100 km/h em terceira marcha, simplesmente 2 s mais rápido que o GT. Na recuperação de 80 a 120 km/h, mais um resultado de destaque, com 4,6 s. Mas o que realmente se destacou foi a capacidade de frenagem do Cup, que já havia me chamado a atenção quando freamos forte lá no fim da pista - lembra? Pois de 100 km/h a 0 o Cup percorreu somente 35,2 metros – uma das melhores marcas já obtidas em nossos testes. Defeitos? Bom, o espaço traseiro é exíguo e a visibilidade para trás é limitada pelo pequeno vidro e largas colunas. Mas creio que esses não sejam o tipo de problema que deixa alguém preocupado num esportivo dessa estirpe. O que me incomodou mais foi o painel muito semelhante ao do Fluence, que está longe de ter visual à altura da agressividade do design deste Mégane cupê. A principal queixa, porém, deve recair sobre o preço – sempre ele...
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RS a quantos R$? Desço satisfeito do Cup e, ainda no calor do momento, a Renault me passa um questionário sobre o que achei do carro e o quanto eu acho que ele vai custar. Bem, se eu puder ajudar na decisão de importá-lo, eu diria que a Renault já demorou de trazer o esportivo – e os Mégane comportados também! A decisão será tomada em setembro e, caso seja aprovada, os primeiros carros deverão chegar no começo do ano que vem. Agora, a questão do valor é bem mais complicada. O RS virá da Espanha e numa configuração lotada de equipamentos, como ar digital de duas zonas, toda a parafernália eletrônica de segurança, rodões aro 18 no mínimo, bancos de couro, faróis de xenônio, sistema de entretenimento... Pode apostar que a conta não deve fechar em menos de R$ 130 mil, pelo que deu para perceber nas conversas com o pessoal da marca. Se pensarmos no RS Cup (que seria o meu escolhido para vir), aí as cifras devem subir ainda mais. E não sei se a Renault tem status para enfrentar modelos de renome como Audi A3 Sport, BMW Série 1, Subaru WRX e Mitsubishi Lancer Sportback - ainda que o Mégane esteja muito bem posicionado em termos de desempenho e tocada no meio dessa turma. Em matéria de marketing, ao menos, a Renault leva uma vantagem: nenhum dos rivais tem uma Red Bull e um Sebastian Vettel para ajudar a vendê-los! Por Daniel Messeder, de Itirapina (SP) Fotos Oswaldo Palermo/Divulgação Viagem a convite da Renault Ficha técnica - Renault Mégane RS Cup Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 1.998 cm3, 16 válvulas, turbo twin scroll, intercooler, comando de válvulas variável, gasolina; Potência: 265 cv a 5.500 rpm; Torque: 36,7 kgfm a 3.000 rpm; Transmissão: câmbio manual de seis marchas, tração dianteira com diferencial de deslizamento limitado; Direção: elétrica; Suspensão: Independente Mac Pherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: disco nas quatro rodas, com ABS; Peso: 1.387 kg; Porta-malas: 344 litros; Dimensões: comprimento 4.299 mm, largura 1.848 mm, altura 1.435 mm, entreeixos 2.639 mm; Medições CARPLACE Aceleração 0 a 60 km/h: 3,4 s 0 a 80 km/h: 4,7 s 0 a 100 km/h: 6,7 s Retomada 40 a 100 km/h em 3a marcha: 5,9 s 80 a 120 km/h em 4a marcha: 4,6 s Frenagem 100 km/h a 0: 35,2 m 80 km/h a 0: 22,6 m 60 km/h a 0: 13,1 m Consumo Ciclo cidade: - Ciclo estrada: - Números do fabricante Aceleração 0 a 100 km/h: 6,0 s Consumo cidade: 8,7 km/l Consumo estrada: 14,9 km/l Velocidade máxima: 254 km/h

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