Avaliação exclusiva: nova BMW R 1200 GS, a rainha da estrada

Avaliação exclusiva: nova BMW R 1200 GS, a rainha da estrada
A nova BMW R1200 GS foi a estrela do passeio realizado pela concessionária Eurobike de São Paulo nesta última quarta-feira (1º de maio), feriado do dia do trabalho. O evento reuniu mais de 100 motos e 200 participantes para um roteiro entre a capital paulista e o município de Morungaba, num total de 220 km entre ida e volta, com direito a test-ride do lançamento na Fazenda São Silvano - local de destino da viagem. A convite da revenda, CARPLACE acompanhou o comboio pilotando com exclusividade a nova geração da moto BMW mais vendida do mundo. Confira a seguir como foi a experiência. Café com curiosidade Logo na chegada à concessionária para o café-da-manhã e reunião dos motociclistas, levei a nova GS para a entrada da loja, onde o fotógrafo Rafael Munhoz poderia clicá-la sem muitas motos ao fundo. Mas, como esperado, rapidamente se formou um grupo de curiosos em volta da novidade. Afinal, trata-se do modelo mais emblemático da BMW, com mais de 30 anos de história desde a primeira GS e uma legião de fãs conquistados pela reputação de robusta e confiável, que tornaram a R1200 um dos modelos preferidos dos viajantes de longa distância. A nova versão, que aposenta a antiga com quase nove anos de estrada, chega com design mais "compacto" e agressivo, além de ter tomado um banho de tecnologia.
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Em termos visuais, o que mais chamou atenção dos motociclistas foi o novo farol com contorno em LED para iluminação diurna, a exemplo do que vem ocorrendo nos carros. Mas também vale destacar o para-lama mais largo e recortado, que se integra perfeitamente à nova carenagem lateral e ao desenho do tanque. O motorzão de dois cilindros opostos (boxer) continua "para fora" do corpo da moto, mas também traz novidades como a refrigeração líquida, enquanto a traseira se destaca pela lanterna também de LEDs, com desenho inédito.
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O novo painel traz grafismo bem mais moderno e elegante, com o conta-giros meio que emendado no velocímetro (ambos com ponteiros apontando para baixo, quando desligados). Além disso, o visor digital do lado direito do quadro de instrumentos cresceu, exibindo informações como a marcha em uso, os dados do computador de bordo, o modo de pilotagem escolhido (dos cinco possíveis) e até a pressão dos pneus. O para-brisa também cresceu, e agora a regulagem de altura dele pode ser feita com uma mão só, por um botão giratório.
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A posição de pilotagem é bastante confortável, com banco largo e ajustável, sem ser tão alta como a irmã menor F800 GS. Quem mede pelo menos 1,75 m não terá dificuldades de apoiar os pés no chão. As manetes são cobertas por protetores de mão e os punhos concentram diversos botões, para ajustar a atuação de itens como controle de tração, freios ABS, computador de bordo, controlador de velocidade automático, suspensão ativa e os modos de entrega de potência. Eu ainda estava "fuçando" todas as configurações quando as buzinas começaram a soar. Era a senha para o começo do passeio. Dei a partida no bicilíndrico e saímos rumo à estrada.
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Suave e vigorosa Em relação à F800 GS (leia avaliação), me surpreendi com o refinamento dos comandos da 1200. A embreagem hidráulica é levíssima, o câmbio de seis marchas tem engates muito macios (além de silenciosos) e a transmissão por eixo cardã proporciona uma pilotagem muito suave, sem trancos nas passagens de marcha. O acelerador trocou o cabo por um sistema eletrônico, e com ele vieram os cinco modos de condução que comentei no começo do texto: Rain, com respostas mais tranquilas para chuva; Road, linear para a estrada; Dynamic, com máximo de esportividade; Enduro, para uso off-road, com controle de tração e ABS mínimos; e o Enduro Pro, sem ABS na roda traseira e com o controle de tração permitindo derrapagens controladas na terra. Variei entre as opções Road e Dynamic (pelo botão "Mode" no punho direito), encontrando reações sensivelmente mais agressivas no modo dinâmico.
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Seja qual for a opção escolhida, a força do motorzão sempre impressiona. Aliás, o clássico boxer da BMW (também chamado de flat-twin) quebra uma tradição de 90 anos desde o pioneiro propulsor desse tipo na marca, que equipava a ancestral R32. Agora a refrigeração é feita 65% pelo ar e 35% pela água, enquanto a geração anterior usava ar (78%) e óleo (22%). Isso permitiu um incremento de 15 cavalos na potência e de meio "quilo" de torque, totalizando 125 cv a 7.700 rpm e 12,7 kgfm a 6.500 giros. O resultado é uma aceleração digna de superesportiva, com 3,6 segundos de 0 a 100 km/h, de acordo com a BMW. E uma velocidade máxima que supera os 220 km/h. Acelerando pela rodovia dos Bandeirantes, a R 1200 GS mostrou toda sua vocação para longas viagens. Se o elevado peso de 246 kg complica um pouco as manobras em baixa velocidade, na estrada a big GS fica muito bem assentada, gerando grande confiança no piloto. Comparando novamente com a F800 GS, que começa a sentir o vento e a turbulência dos caminhões em velocidades mais elevadas, a 1200 se mantém impassível nas mesmas condições - como quando viajamos em um "carrão". Para completar, a proteção aerodinâmica é excelente. O para-brisa no nível mais alto desvia praticamente todo o vento do capacete, enquanto o motor desloca o ar das pernas.
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Essa sensação de conforto e segurança, somada à elevada potência disponível, faz com que manter os 120 km/h legais seja um exercício de autocontrole. Você pode estar em sexta marcha, com o giro baixinho, e acelerar que essa BMW vai responder vigorosa. Se mandar marcha para baixo, então, o motor "enche" bonito até o corte a 9 mil rpm. Para quem era fã da 1200 anterior, a boa notícia é que o ronco característico mantém praticamente o mesmo timbre, apesar do novo sistema de escape. Mas a máquina está girando nitidamente mais suave, com o virabrequim diminuído gerando menos vibrações.
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Quando a autoestrada de quatro faixas deu lugar à uma pista simples com trajeto sinuoso, na saída para Morungaba, a GS não perdeu a pose. Lembra que falei do peso elevado dela? Pois ali a 1200 parecia ter metade da massa que realmente tem, tamanha a facilidade com que ela aponta onde você deseja nas entradas de curva e permite desvios rápidos mesmo no meio da trajetória. A ótima estabilidade direcional é mérito do novo chassi (mais rígido), mas também da suspensão ativa ESA, que ajusta eletronicamente o curso e a pré-carga de acordo com o terreno ou com a tocada imposta pelo piloto. Ou seja, essa BMW varia entre ser macia nos buracos e firme quando se anda mais rápido, unindo o melhor dos mundos. Se preferir, você pode escolher manualmente o seu ajuste pelo botão do punho esquerdo (onde também se mexe no ABS e no controle de tração). Para completar, os freios Brembo receberam pinças radiais, aumentando a eficiência do conjunto. O sistema tem atuação forte, na medida para conter a motona em curtos espaços, e o ABS apresenta funcionamento discreto, com pouca trepidação no pedal.
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Chegando à Fazenda São Silvano, anotei o consumo médio de 20 km/l pelo computador de bordo. Uma marca considerável para uma moto dessa cilindrada (a F800 GS fez praticamente a mesma média em nossa avaliação) e que, com o tanque de 20 litros, permite uma autonomia de cerca de 400 km. Com a moto estacionada, reparei em outros detalhes interessantes, como o aplique emborrachado no tanque, que o protege do contato com o piloto (evitando riscos), e o pequeno espaço sob o banco do garupa para guardar as ferramentas. Enquanto almoçávamos, "nossa" GS se uniu a outras quatro unidades para o test-ride com os participantes do passeio. Alguns deles, vale dizer, donos de motos de marcas diversas - até uma rival Triumph Tiger Explorer estava presente! Mas, de acordo com Henning Dornbusch, presidente da Eurobike e ex-presidente da própria BMW do Brasil, a maior parte do público da nova R 1200 GS deverá ser composto de proprietários da antiga versão, ao menos agora no começo das vendas. "É um tipo de cliente fiel à tradição do modelo". Terminado o evento, pegamos de volta a R1200 GS azul para o retorno a São Paulo. Dessa vez sem acompanhar o comboio, o ritmo foi mais forte, a ponto de eu tirar duas conclusões: o suporte do GPS atrapalha a visualização da escala mais alta do conta-giros e, sim, essa moto justifica com sobras o apelido de "rainha da estrada" que ela conquistou ao longo de sua história. Confortável e com apetite de quilometragem, ela estimula o piloto a querer sempre ir mais longe, não à toa sendo um dos modelos preferidos pela turma que viaja daqui para o Ushuaia rodando - entre outras aventuras sobre duas rodas.
Avaliação exclusiva: nova BMW R 1200 GS, a rainha da estrada
R 1200 GS ou 116i? Antes de devolvê-la, uma voltinha pelas avenidas próximas à concessionária tirou um pouco da imagem de "caminhão" que eu tinha dessa moto na cidade. Claro que temos de respeitar a largura e o peso extras dela ao se embrenhar entre os carros (não é uma moto para o dia-a-dia), mas nada que um pouco de costume não resolva. O mais pesado mesmo é encarar a conta: nessa versão Premium que avaliamos, a nova R 1200 GS custa R$ 83.900 - um salto e tanto para quem vem da trail imediatamente abaixo dela, a F800 GS, de R$ 42.900 - e quase o mesmo valor do carro de entrada da BMW no Brasil, o hatch 116i, que sai por R$ 89.950. A marca já anunciou também uma versão mais barata da 1200, chamada de Sport (R$ 73.400), só que nela os principais atrativos são opcionais. Conclusão: a GS 1200 é realmente uma rainha, mas em diversos sentidos!
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Por Daniel Messeder Fotos Rafael Munhoz exclusivo para o CARPLACE, e autor Viagem a convite da Eurobike BMW Motorrad Ficha técnica - BMW R 1200 GS Motor: dois cilindros boxer, 8 válvulas, 1.170 cm3, injeção eletrônica, comando duplo no cabeçote, refrigeração a ar e água; gasolina Potência: 125 cv a 7.700 rpm; Torque: 12,7 kgfm a 6.500 rpm; Transmissão: câmbio de seis marchas, transmissão por eixo cardã; Quadro: dupla viga tubular de aço; Suspensão: Telescópica telelever na dianteira (190 mm de curso) e monoamortecedor paralever na traseira (200 mm de curso), ambas com regulagem eletrônica automática; Freios: discos duplos com pinças radiais na dianteira (305 mm) e disco simples na traseira (220 mm), com ABS; Pneus: 120/70 aro 19 na dianteira e 170/60 aro 17 na traseira; Peso: 246 kg (em ordem de marcha); Capacidades: tanque 20 litros; Dimensões: comprimento 2.207 mm, largura 952 mm, altura do assento 850/870 mm, entreeixos 1.507 mm

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