Volta rápida: Street Triple aposta no custo-diversão para peitar a Hornet

Volta rápida: Street Triple aposta no custo-diversão para peitar a Hornet
Em dia de Daytona 675R, dificilmente algo que divida a pista com ela vai conseguir chamar a atenção dos amantes de duas rodas. Mas a Triumph aproveitou o lançamento de sua superesportiva para apresentar também a nova Street Triple, naked que usa configuração de motor semelhante (amansada) e oferece uma proposta mais versátil, para uso diário. Com visual inspirado na fortona Speed Triple 1.050 e uma tocada pra lá de fácil e divertida, eu diria que a Street significa muito mais para o motociclista do "mundo real" (e não o fissurado que vai pro autódromo no fim de semana) do que a própria Daytona. Não é à toa que a Triumph estima que a novidade será uma das motos mais vendidas da marca, com cerca de 60 unidades por mês. O alvo? A líder Honda CB 600F Hornet. O que é? Visualmente, a Street é de uma simplicidade apaixonante. Legítima naked, nada nela parece exagerado ou colocado além da necessidade. Os faróis tipo "olhos esbugalhados" da irmã maior Speed Triple estão lá, assim como as linhas angulosas da carenagem, mas a 675 é claramente mais magrinha e tem a rabeta mais afunilada, com uma bela lanterna na ponta. As suspensões usam garfos invertidos na frente e monoamortecedor na traseira, permitindo ajuste apenas atrás. Já os freios trazem pinças deslizantes de dois pistões da marca Nissin e têm bom calibre: 310 mm nos discos duplos dianteiros e 220 mm no disco simples da traseira.
Volta rápida: Street Triple aposta no custo-diversão para peitar a Hornet
A reduzida altura do banco (800 mm) permite boa acomodação mesmo aos mais baixinhos, enquanto a posição de pilotagem é bastante confortável, com o guidão ligeiramente elevado e as costas não muito inclinadas para frente. As pedaleiras estão bem posicionadas (um pouco para trás) e o tanque oferece bom encaixe para as pernas. Nesse primeiro contato, vamos ficar devendo falar como é a vida do garupa, o que será averiguado numa avaliação mais completa em breve. O painel é semelhante aos dos demais modelos da Triumph, com conta-giros analógico à direita (com luzinha de alerta para troca de marcha - shift-light - logo acima) e um visor de LCD à esquerda que exibe o velocímetro, o computador de bordo, o mostrador do tanque e um útil indicador de marcha em uso, entre outros instrumentos.
Volta rápida: Street Triple aposta no custo-diversão para peitar a Hornet
Derivado da Daytona, o motor de 675 cm3 segue a tradição Triumph de três cilindros em linha, com uma melodia toda própria - aguda em baixas e mais grave e sonora em altas rotações. Em relação à versão europeia, a marca revela uma perda de mais de 20 cv no modelo brasileiro (106 contra 85,1 cv), devido à ajustes de emissões e, principalmente, ruído. Seja como for, uma publicação estrangeira submeteu a Street a um dinamômetro e, dos 106 cv declarados, encontrou apenas 87 cv no motor. Então, talvez a Triumph daqui tenha sido apenas mais precisa (e honesta) que a matriz na divulgação da potência total. Até porque é o bom torque de 6,1 kgfm (contra 6,9 kgfm divulgados lá fora) que vai empurrar seu corpo para trás nas arrancadas.
Volta rápida: Street Triple aposta no custo-diversão para peitar a Hornet
Como anda? Assim como na Daytona, o primeiro contato com a Street se restringiu à pista do autódromo Vello Città, no interior paulista. Mas, ainda que não seja uma moto de corrida, a naked inglesa ficou "em casa" no circuito. Em meio à vontade quase incontrolável de "enrolar o cabo", me ative também aos aspectos que você vai se preocupar no dia a dia. Então, vamos lá: a embreagem tem acionamento macio, o câmbio de seis marchas idem (além de bastante preciso) e os freios oferecem boa resposta e modulação - não são muito sensíveis em baixa velocidade e mostraram mordida suficiente para segurar a moto antes dos "cotovelos" da pista, além de atuação discreta do ABS.
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Mas, como era de esperar numa naked, é o motor que domina as ações da Street. O tricilíndrico têm uma boa receita para entregar suavidade semelhante à dos quatro-em-linha em giros elevados e torque em baixa rotação como nos bicilíndricos. O resultado é um comportamento agradável em todos os regimes de uso, com fácil pilotagem para iniciantes (aceita marchas altas em velocidades baixas) e boa dose de nervosismo para os mais experientes (a potência máxima surge a 11.200 rpm). Claro que a "patada" nas saídas de curva é menos intensa que na Daytona, mas ainda assim é capaz de entusiasmar mesmo o mais pacato dos motociclistas. Na reta principal do autódromo era possível passar dos 160 km/h, ainda que não saindo muito forte da última curva. O que facilita bastante na condução dessa moto, além da baixa altura do banco, é o baixo peso do conjunto. Esta Triumph é simplesmente a mais leve do segmento, com 183 kg (a Hornet pesa 200 kg), o que a deixa incrivelmente maleável e "parceira" nas entradas de curva. Em relação ao modelo anterior, a Street 2013 ganhou um guidão com maior ângulo de esterço, melhorando a capacidade de manobra. Já a suspensão dianteira pareceu macia (o que deve ser ótimo na cidade), mas sem atrapalhar em nada a confiança numa pilotagem em ritmo moderado. Por fim, pneus exibiram bom agarre no ótimo asfalto do circuito.
Volta rápida: Street Triple aposta no custo-diversão para peitar a Hornet
As três baterias a bordo da nova Triumph deixaram uma certeza: se a Street fez bonito ali na pista, que não é necessariamente o lugar onde ela vai passar a vida, fiquei ansioso para conferir como será a convivência com ela em uso cotidiano, na cidade e estradas. Dada a facilidade de uso e força do motor, deve ser ótima companheira de dia-a-dia. Quanto custa? Diferente do que costuma acontecer quando a gente se empolga com uma moto (broxa na hora do preço), a Street Triple montada em Manaus (AM) chega com valor agressivo: R$ 31.900 já com ABS e garantia de dois anos. É uma senhora diferença de R$ 5 mil para a BMW F800R (R$ 36.900), que seria a rival mais próxima em termos de status e potência (87 cv), ainda que a alemã tenha um cilindro a menos.
Volta rápida: Street Triple aposta no custo-diversão para peitar a Hornet
Em relação à Hornet, a Triumph é também mais acessível: a Honda parte de R$ 31.990, mas na versão sem ABS, chegando a R$ 34.990 com os freios anti-travamento. É preciso considerar, também, que a Street tende a ter um seguro bem mais barato que a moto da Honda, muito visada por bandidos nas grandes cidades. Na concessionária Triple, de São Paulo, os vendedores estimam custo de R$ 2,5 mil pela apólice na capital paulista, em média.
Volta rápida: Street Triple aposta no custo-diversão para peitar a Hornet
Ainda é cedo para dizer se a Street Triple faz frente à Hornet, até porque seria preciso colocá-las lado a lado e percorrer os mesmos caminhos para se comparar o comportamento de cada uma. Mas uma coisa é certa: quem estiver interessado na 600 da Honda deve dar no mínimo uma passada na loja da Triumph antes de fechar negócio. Por Daniel Messeder, de Mogi Guacú (SP) Viagem a convite da Triumph Ficha técnica - Triumph Street Triple 675 Motor: três cilindros em linha, 12 válvulas, 675 cm3, injeção eletrônica, gasolina, refrigeração líquida; Potência: 85,1 cv a 11.200 rpm; Torque: 6,1 kgfm a 8.300 rpm; Transmissão: câmbio de seis marchas, transmissão por corrente; Quadro: dianteiro com perfil de alumínio e dupla viga, traseiro com duas peças fundidas sob alta pressão; Suspensão: garfos invertidos na dianteira (110 mm de curso) e monoamortecedor ajustável na traseira (124,5 mm de curso); Freios: discos flutuantes duplos na dianteira (310 mm) e disco único na traseira (220 mm), com ABS; Pneus: 120/70 R17 na dianteira e 180/55 R17 na traseira; Peso: 183 kg; Capacidades: tanque 17,4 litros; Dimensões: comprimento 2.055 mm, largura 740 mm, altura 1.060 mm, altura do assento 800 mm, entreeixos 1.410 mm

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