Avaliação: dirigimos o novo (e evoluído) Sandero em Portugal

Embora o novo Sandero tenha mantido a plataforma da primeira geração, o carro parece totalmente novo num primeiro olhar. A nova encarnação do hatch, mostrada durante o Salão de Paris em setembro do ano passado, chegou a Portugal em janeiro deste ano. Mas mesmo passados cinco meses do lançamento, ainda senti aquela sensação de estar a bordo de uma novidade dirigindo pelas ruas e estradas lusitanas. Vendido aqui na "terrinha" pela Dacia, marca de baixo custo da Renault, o modelo está previsto para estrear no Brasil no primeiro trimestre de 2014. E CARPLACE já antecipa para você o que esperar do renovado compacto.
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De cara, nota-se uma grande evolução no estilo. A única herança visual aparente do modelo anterior é o recorte dos vidros laterais - de resto, tudo é novo. A dianteira finalmente está bem resolvida, com desenho simples, mas atraente, com faróis menores e de linhas mais retilíneas e sérias. Em outras palavras, o hatch aparenta estar mais maduro. No Brasil, o hatch será apresentado com a roupa da Renault, que inclui diferenças na grade e nos para-choques, mas nada muito diferente do carro das fotos. Atrás, as lanternas deixaram de subir pelas colunas e ganharam formato mais tradicional, dando ao carro uma impressão de maior largura.
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É no interior, porém, onde encontramos a maior evolução do Sandero - não só no que diz respeito ao desenho, mas também na qualidade de materiais e construção. O ambiente continua simples, claro, porém os plásticos transmitem boa sensação ao toque, enquanto o painel apresenta peças bem encaixadas e nenhum sinal de rebarbas. Contudo, certas coisas não mudam: na versão Dacia, os comandos dos vidros elétricos continuam no console central - no Brasil o modelo deve manter os comandos nas portas, como ficaram desde a última reestilização (que não ocorreu na Europa). Alguns comandos, como os da ventilação, são um tanto frágeis, parecendo que se fizermos uma forcinha a mais elas ficarão nas suas mãos. Já a peça plástica que envolve o cambio é mole e futuramente pode apresentar aqueles barulhinhos chatos.
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O modelo avaliado tinha alguns opcionais, tais como volante revestido em couro, rodas de liga-leve aro 15" (a versão base conta com aro 14 de aço), pintura metalizada e pack multimídia, que inclui controlador de velocidade automático. O carro trazia também regulagem de altura dos bancos e volante. O computador de bordo é bem completo, exibindo consumo médio e instantâneo, autonomia, relógio e temperatura externa, entre outras funções. Todas as versões ainda podem ser equipadas com um sistema multimídia desenvolvido pela LG, com tela sensível ao toque. No entanto, achei o aparelho lento e confuso na hora de programar o percurso no GPS, pois depois de selecionar o país onde se encontra, é solicitado o código postal da localidade/bairro que você deseja ir. Se não souber, pode tentar pelo nome do bairro, mas esteja preparado para bons minutos tentando configurar o nome da rua...
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O quadro de instrumentos, assim como as saídas de ar, conta com aros cromados na tentativa de criar um ambiente mais refinado. Mas a maioria dos componentes são velhos conhecidos de outros produtos Renault, como os comandos do rádio instalados atrás do volante e os botões de ajuste elétrico dos retrovisores. Os bancos podem não ser os mais confortáveis para longas viagens, mas cumprem o objetivo em percursos urbanos: são bem acabados, exibindo costuras e desenho corretos.
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As portas exigem uma forcinha extra para fechá-las por completo, no que seria bem vindo o sistema de abertura de parte do vidro para ajudar. Fora isso, a Dacia melhorou o isolamento acústico colocando mais guarnições de borracha em volta das portas - e adianto desde já que o resultado é surpreendente. Rodando por autoestradas com o rádio desligado, você tem a sensação que está numa estrada deserta. Mas poderiam ter tido o mesmo cuidado na tampa do porta-malas, que não é exatamente bem revestida.
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Ao entrar no Sandero, o painel curto lembra modelos da década de 1990. Não que seja ruim, mas hoje em dia entramos nesses pequenos hatches e encontramos grandes painéis, que se estendem até o para-brisa avançado, como no Punto, New Fiesta e 208, por exemplo. A posição ao volante é mais elevada que no Renault Clio europeu, enquanto o ajuste de altura dos bancos e da direção ajudam a adaptação dentro do carro. Uma vez em movimento, o hatch revela um rodar macio, mas claramente mais firme que o anterior, que era meio molenga nas curvas. Se você é ou já foi dono do Sandero, finalmente terá a sensação de ter mais controle do carro em suas mãos.
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Isso não significa, entretanto, que o novo modelo tenha perdido o jeito Sandero de ser. O volante continua um pouco grande e pesado (a assistência é hidráulica), principalmente em manobras. Já o câmbio segue tendo os engates um tanto longos e barulhentos, do tipo que você consegue sentir as engrenagens quando muda de marcha. Detalhe: isso é herança do Renault Mégane da antiga geração, que tem exatamente o mesmo câmbio e, por sua vez, o mesmo ruido irritante. Turbo e três cilindros Uma das maiores atrações do carro, infelizmente, não estará disponível no Brasil. Trata-se do novo motor 0.9 TCe, com três cilindros e turbocompressor, que gera 90 cv e saudáveis 14,2 kgfm de torque a 2.500 rpm. Com boa oferta de força, ele agrada pela agilidade na cidade e por não te deixar na mão nas autoestradas, oferecendo uma resposta até certo ponto surpreendente para um bloco inferior a 1 litro. Conferimos a aceleração de 0 a 100 km/h em aproximadamente 12 segundos (a Dacia indica 11,1 s) e, segundo o fabricante, a velocidade máxima chega a 175 km/h.
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Além de bem disposto, o motor TCe conta com um auxiliar de economia batizado simplesmente de "ECO", acionado através de um botão do lado esquerdo do painel (como no Honda Civic). Com o esse modo ligado na maior parte dos 270 km que rodamos durante a avaliação, o Sandero realmente se mostrou frugal: média de 16,1 km/l de gasolina. Já sem a ajudinha do ECO, o consumo subiu para 14,5 km/l - o que ainda assim é uma bela marca diante dos motores que o hatch terá do outro lado do Atlântico. No mercado brasileiro, serão mantidos os atuais flex 1.0 16V, 1.6 8V e 1.6 16V (este exclusivo da versão automática, que seguirá com a transmissão de quatro marchas). Foram bons quilômetros rodados entre Lisboa e Cascais, viagem que incluiu belas paisagens, subidas, descidas, curvas abertas e fechadas... Tudo percorrido com interessante conforto, já que um dos trunfos do Sandero sempre foi a vida a bordo. Com a mesma medida de entreeixos (que define o espaço interno) do modelo anterior, de 2,59 m, estamos diante de um carro espaçoso, que acomoda facilmente cinco pessoas e oferece bons 320 litros de porta-malas - mesma capacidade de antes.
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De volta do passeio, confesso que me surpreendi com o novo Sandero, uma vez que nunca gostei muito da primeira geração. Quando você olha para o preço a partir de 8.990 euros desta versão 0.9 TCe (aproximadamente R$ 25 mil), algumas economias do carro fazem sentido, pois não existe no mercado português um carro com essas qualidades por esse valor. A gama Sandero ainda conta com a versão aventureira Stepway, com o mesmo motor, partindo de 12.300 euros (cerca de R$ 34 mil).
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Mais maduro e evoluído em termos visuais e construtivos, o novo Sandero só dependerá da equação custo-benefício para seguir a carreira de sucesso que construiu no Brasil. Se a Renault mantiver os preços partido de cerca de R$ 28 mil como hoje, deverá ser uma questão de tempo para que o modelo volte à lista dos mais vendidos. Texto e fotos Renato Aspromonte, de Cascais (Portugal) Ficha técnica - Dacia Sandero 0.9 TCe Motor: dianteiro, transversal, três cilindros, 12 válvulas, 898 cm3, comando duplo, turbo e intercooler, gasolina; Potência: 90 cv a 5.250 rpm; Torque: 14,2 kgfm a 2.500 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: aro 15 com pneus 185/65 R15 Peso: 1.037 kg; Capacidades: porta-malas 320 litros, tanque 50 litros; Dimensões: comprimento 4.058 mm, largura 1.733 mm, altura 1.518 mm, entreeixos 2.589 mm

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Foto de: Daniel Messeder