Avaliação: Fiat 500C é sem-teto para todas as horas

Avaliação: Fiat 500C é sem-teto para todas as horas
Como já dizia a canção, moramos num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Em teoria, era para ser o paraíso dos conversíveis, certo? É, mas na prática sem-teto aqui é coisa de rico - e para ser usado em ocasiões especiais, sob alegação de falta de segurança por deixar os passageiros expostos a assaltos. Bom, o Fiat 500C (de Cabrio) muda um pouco esse panorama. Além de ser disparado o "descapotável" mais barato do mercado, tabelado a R$ 60.200 - um Mini Cabrio S sai por R$ 137.950! -, o pequenino proporciona uma relação, digamos, não tão íntima com o ambiente.
Avaliação: Fiat 500C é sem-teto para todas as horas
O grande diferencial do 500C está, obviamente, na capota. Mas repare nas fotos que não é uma cobertura como a dos demais conversíveis. Neste Fiatzinho, as colunas central e traseira mantêm-se do modelo original - apenas o teto de tecido pode ser recolhido. É como se você tivesse à disposição um "tetão-solar" variável, que pode ser aberto em três níveis: vai desde só um pouco para ventilar a cabine até a cobertura ficar totalmente dobrada atrás do banco traseiro - situação que inutiliza o retrovisor interno, é bom saber.
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O resultado é que você acaba usando muito mais a capota aberta do que nos conversíveis normais, que são do tipo 8 (fechado) ou 80 (aberto). Na semana em que fiquei com o 500C, andei de teto aberto os sete dias - e praticamente toda vez que saía com o Fiatzinho. Isso o torna bem mais apto a ser usado em todas as estações, até como carro do dia-a-dia. Você ganha o vento no rosto e a liberdade de uma janela para o céu, mas sem aquela sensação de que será abordado a qualquer momento no trânsito de uma grande cidade como São Paulo. Não vou mentir, porém, que foi na descida para Santos - onde fizemos as belíssimas fotos que ilustram essa reportagem - que eu realmente curti o carrinho!
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Além do forte apelo lúdico intrínseco a todo Cinquecento, o Cabrio eleva o nível de diversão (e do charme) conforme a capota vai sendo arriada. A operação é toda elétrica, feita por um botãozinho, e pode ser feita com o carro em movimento a até 80 km/h. O ronquinho do motor 1.4 16V MultiAir vai ficando mais audível (é nervosinho em alta rotação, como típico Fiat) e o sol vai pedindo licença para entrar pela cabine do 500, juntamente com a brisa da estrada. Tudo isso sem notar a carroceria torcer nas curvas, já que a estrutura é praticamente igual à da versão fechada - sem teto, mas com as colunas "A" e "C" reforçadas.
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Pode curtir a paisagem com calma, porque desempenho não é o forte do 500C. Equipado exclusivamente com câmbio automático de seis marchas (da japonesa Aisin, bem melhor que o automatizado Dualogic), o Cabrio foi feito para passear. A transmissão é bem escalonada e aproveita razoavelmente bem a força do motor 1.4 (105 cv e 13,6 kgfm que só aparecem em giros mais altos), mas prioriza o conforto nas mudanças, feitas de forma bem suave. Aperte o botãozinho Sport no centro do painel e as marchas serão esticadas até quase o limite do conta-giros, enquanto a direção elétrica ficará sensivelmente mais pesada, mas ainda assim não espere grandes emoções. Medimos a aceleração de 0 a 100 km/h em 15,2 segundos - atrás até do Chevrolet Onix 1.0, que fez 14,6 s - e a velocidade máxima indicada pela Fiat não passa dos 179 km/h. Pelo menos as retomadas são mais espertas, deixando o carrinho desenvolver de forma agradável na cidade, sem decepcionar na estrada. A sexta marcha ajuda a baixar o giro (e o ruído) em viagens, um problema observado nos 500 de cinco velocidades.
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O propulsor MultiAir traz um inteligente comando variável de válvulas controlado por um sistema eletro-hidráulico (que varia ilimitada e infinitamente o levantamento e permanência de abertura das válvulas de admissão), de olho principalmente em economia de combustível. Mas não sentimos muito resultado prático: além desse motor não ser flex (só bebe gasolina), a média de consumo registrada em nossa avaliação ficou na casa de 9 km/l no circuito urbano e de 13,5 km/l no trecho rodoviário - marcas apenas razoáveis para o porte compacto deste Fiat. E tanque é tão pequeno quanto o carro, com somente 40 litros.
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No mais, a versão cuca fresca do 500 repete as virtudes e defeitos do modelo fechado. É muito fácil de dirigir e manobrar pelo tamanho diminuto, tem direção levinha (menos no modo Sport) e uma suspensão bem acertada, mais para firme, que garante boa estabilidade sem transmitir muito os buracos para o interior - apesar de que as rodas aro 16 com pneus de perfil baixo (195/45) deixam o carro mais sensível a pisos ruins. Uma vantagem do Cabrio é liberar espaço para a cabeça dos ocupantes do banco de trás, quando sem a capota - foi o único jeito que consegui levar um casal de amigos altos sem dobrar o pescoço! Na frente, o espaço e o painel são os mesmos da versão com teto de aço, com destaque para o acabamento bem mais caprichado que nos demais Fiats compactos. Os bancos tinham revestimento de couro vermelho e marfim no carro avaliado.
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Desvantagens? Sim. O já limitado porta-malas passou de 185 para apenas 153 litros (até a tampa ficou pequenininha sem o vidro!) e a visibilidade traseira é ruim, tanto com a capota fechada quanto com ela recolhida - no que ajuda bastante o sensor de estacionamento traseiro. Por falar em equipamentos, o 500C é baseado no pacote Lounge do modelo "normal", a versão topo de linha do Cinquecento. Ainda assim, itens como o ar-condicionado digital, o sistema de conectividade Blue&Me e os airbags laterais e de joelho (para o motorista) são cobrados à parte. No fim, a conta vai para R$ 65.426, com pintura lisa (vermelha).
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É uma grana preta para um carrinho desse tamanho, sem dúvidas, mas lembre-se que ainda assim é um valor bem mais em conta que o dos demais conversíveis - lembrando que o 500 vem do México livre de Imposto de Importação. Pelo charme e prazer de rodar ao ar live, ainda tendo a segurança das colunas laterais, o Cabrio pode ser a peça que faltava para os sem-teto se darem melhor por aqui. Por Daniel Messeder Fotos Rafael Munhoz Ficha técnica – Fiat 500C Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 1.368 cm3, comando simples variável, gasolina; Potência: 105 cv a 6.250 rpm; Torque: 13,6 kgfm a 3.850 rpm; Transmissão: câmbio automático de seis marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: aro 16 com pneus 195/45 R16; Peso: 1.176 kg; Capacidades: porta-malas 153 litros, tanque 40 litros; Dimensões: comprimento 3,546 mm, largura 1,627 mm, altura 1,507 mm, entreeixos 2,300 mm; Desempenho: aceleração 0 a 100 km/h: 15,2 s (aferida); velocidade máxima: 179 km/h

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