CARPLACE na neve: dirigindo no Polo Norte

Entramos numa fria! Escrevo essas linhas diretamente de Arjeplog, no norte da Suécia, cidadezinha de cerca de 2 mil habitantes situada a 90 km do círculo polar ártico. Nesse momento acaba de anoitecer e faz 15 graus negativos. Viemos aqui para conhecer o centro de testes de inverno da Fiat. Todo ano, durante cerca de quatro meses (de dezembro a março), Arjeplog se torna um dos principais campos de provas automotivos do mundo, onde quase todas as montadoras vêm avaliar seus futuros veículos sob condições de frio extremo.
CARPLACE na neve: dirigindo no Polo Norte
"Depois de feitos os testes em laboratório, é hora de conferir se tudo funciona perfeitamente na prática", explica o engenheiro Robson Cotta, da Fiat brasileira. É onde os carros são validados. E mesmo os modelos brasileiros, que em teoria nunca enfrentarão temperaturas tão baixas, passam pela avaliação gelada. "É uma operação de praxe desde o Projeto 178 (o primeiro Palio)", explica o diretor de comunicação Marco Antônio Lage. A Fiat realiza em torno de 1.000 testes por temporada, com 40 a 50 modelos. São verificados o comportamento geral do carro, sistema de climatização, vedação de cabine, sistema de partida a frio, calibração do motor, transmissão, suspensão, direção e, claro, toda a parte de eletrônica ligada à segurança. O piso coberto de neve ou gelo, de baixa aderência, é a condição ideal para aprimorar recursos como os freios ABS e os controles de tração e estabilidade.
CARPLACE na neve: dirigindo no Polo Norte
Primeiro dia da viagem, hoje foi dia de descobrir o que é dirigir na neve - amanhã faremos provas específicas de handling e frenagens numa pista sobre um lago congelado. A bordo de alguns carros do Grupo Fiat (como Fiat 500L, 500 Abarth, Alfa Romeo Mito e Jeep Wrangler, entre outros), fomos até o círculo polar ártico, num trajeto de 180 km entre ida e volta. Com a estrada parcialmente coberta de neve pela manhã, foi preciso cautela nas saídas e, principalmente, nas frenagens. Mesmo com o ABS e o ESP (itens primordiais para circular por aqui), a recomendação é andar a no máximo 50 km\h e manter uma distância de pelo menos 100 metros para o carro da frente. Logo na primeira pisada no freio já deu para sentir o carro deslizando e entender a recomendação... As curvas também pedem movimentos suaves ao volante.
CARPLACE na neve: dirigindo no Polo Norte
A estrada de mão dupla não parece intimidar os motoristas locais, que trafegam em sua maioria em velocidades elevadas e, em alguns casos, carregando uma carreta com um snowmobile (aquela moto de neve) atrás. Acidentes parecem comuns, apesar do pouco movimento - só hoje vimos um caminhão atravessado e um Fiesta preso num barranco de neve após rodar e sair da pista. E olha que, vale dizer, os carros são equipados com pneus de inverno, que têm desenho mais agressivo (lembra um pneu lameiro) e são feitos de um composto mais macio. Outro acessório indispensável por essas bandas são os faróis auxiliares, daqueles três grandes bem na frente da grade, como nos carros de rali.
CARPLACE na neve: dirigindo no Polo Norte
No caminho, é fácil se deparar com alguns carros camuflados em testes. Foi o caso dos novos Mercedes Classe S e Land Rover Range Rover Sport, que cruzaram rapidamente com nossa caravana hoje na estrada. Os pilotos de prova também inspiram alguns motoristas locais a acelerar na neve. Numa cena pra lá de insólita, ontem à noite, em plena praça central da cidade, um maluco fazia drift com seu velho Volvo numa rotatória. Coisas do Polo Norte...
CARPLACE na neve: dirigindo no Polo Norte
Texto e Fotos Daniel Messeder, de Arjeplog, Suécia Viagem a convite da Fiat

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