Avaliação: Hyundai HB20S 1.6 é o sedã a ser batido na categoria

Tão logo o Hyundai HB20S chegou à redação do CARPLACE, o editor-chefe Daniel Messeder foi direto. "Esse é seu", disse. Deixando de lado questões organizacionais, a ideia me pareceu boa por um motivo em especial: meu carro de uso cotidiano é justamente um HB20 1.6. Logo, a intimidade com o hatch me permite ter uma base de comparação exatamente de onde o sedã nasceu. Por falar disso, o HB20S encara dois desafios logo de cara: se o modelo do qual ele deriva é bom, há a obrigação de, no mínimo, manter essas qualidades. Caso a base não seja das melhores, porém, cabe ao novato um papel de redentor, a "salvação da lavoura". Convenhamos que a primeira missão é menos espinhosa.
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O terceiro produto da família HB20 nasceu nesse primeiro contexto. Restava, somente, não estragar a fórmula vencedora do hatch, carro que causou furor no lançamento e acabou por se tornar a atual referência do segmento. Ao mesmo tempo, era preciso atenção especial ao design, pois trata-se de um dos quesitos mais difíceis de serem harmonizados quando um hatch é transformado em um sedã. Ao menos em termos visuais, a Hyundai conseguiu manter a boa impressão causada pelo dois-volumes. Não há a incômoda sensação de que o sedã é uma adaptação. Como era de se esperar, ao acrescentar o "S" ao nome do carro, a fabricante sul-coreana efetuou mudanças apenas após a coluna B. Sendo assim, a "primeira metade" do sedã é idêntica à do hatch. Já o "final" do carro tem personalidade própria e está de acordo com a linguagem visual da marca. Isso é notável em duas características: o teto com caimento suave e a traseira elevada com lanternas em disposição horizontal e desenho delgado. O resultado é um estilo meio "cupê", filosofia claramente inspirada nos irmãos maiores Elantra e Sonata.
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Além do visual Boa aparência ajuda, mas não é tudo. Então, como o HB20S se sai quando vamos além do estilo? Uma resposta direta seria: "igual ao hatch". Se eu entrasse de olhos vendados dentro do sedã, só perceberia estar em um carro que diferente do meu por detalhes do acabamento - a unidade do HB20S cedida era uma versão Premium, enquanto meu hatch é um Comfort Plus. A maior novidade interna é olhar pelo retrovisor interno e ver o "bumbum" arrebitado do sedã cobrindo o porta-malas de 450 litros.
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Exclua os dois fatores citados acima e temos carros idênticos. Nessa conta entram características como os bancos dianteiros com espuma de boa densidade e que apoiam bem o corpo, o painel de design moderno e leitura fácil, o bom espaço para os ocupantes (se forem quatro, melhor; cinco, depende do tamanho de quem ocupa o banco traseiro) e o baixo nível de ruído a bordo. O mesmo vale para as falhas que, apesar de pequenas, ainda estão lá. A primeira é a posição dos botões dos vidros elétricos na porta do motorista, que poderia ser menos recuada.
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Já a segunda merece um parágrafo à parte. Trata-se da injustificável ausência de um relógio visível o tempo todo. Para que o motorista possa ver as horas, ele precisa passar por duas telas no menu do rádio. Ou seja, algo que tira a atenção do motorista: ou ele ficará "girando" pelos menus do rádio para ver o horário, ou pegará um celular para obter a informação (meu caso), ou olhará no relógio de pulso. Seria muito mais simples ter essa função no visor do computador de bordo, no centro do painel, especialmente porque trata-se de uma informação muito mais útil do que, por exemplo, quanto tempo o carro passou rodando - coisa que o HB traz... Ao conjunto de reclamações, vale acrescentar ainda a (falta de) visibilidade traseira do sedã. Ao contrário do hatch, que possui um vidro traseiro maior, o motorista do três volumes tem a visão pelo retrovisor interno prejudicada pela vigia bastante inclinada e pela traseira elevada. Considerando isso, as versões sem os sensores de estacionamento pedem atenção extra ao usar a marcha à ré. Quilinhos a mais O ponto no qual o HB20S poderia se diferenciar mais do hatch seria o desempenho. Os quilinhos a mais, entretanto, proporcionalmente não fariam uma modelo aumentar o manequim. O sedã é apenas 5,7% mais pesado do que o hatch (1.057 kg contra 1.000 kg), o que não representa praticamente nenhum esforço extra do motor, nesta versão 1.6. Na prática não senti diferença entre o meu carro e esse sedã no que diz respeito às acelerações - o hatch cravou 10,3 s de 0 a 100 km/h em nosso teste. O motor rende os mesmos 122/128 cv de potência e torque de 16/16,5 kgfm (gasolina/etanol), com funcionamento suave e subida de giro fácil.
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A boa dose de força permite acelerações vigorosas, o que ajuda na disposição no trânsito urbano, e também faz com que o motor trabalhe folgado na estrada: a 120 km/h, o conta-giros marca os 3.250 rpm. Essa folga também se reflete no consumo: no percurso rodoviário o carro marcou, com etanol, 12,3 km/l. O mesmo percurso feito com gasolina elevou a marca para 14,9 km/l. Mas na estrada tive a primeira sensação distinta no que diz respeito à dinâmica: em velocidade de cruzeiro, há uma leve tendência do HB20S oscilar mais com ventos laterais. De resto, o carro se mostrou tão estável em curvas quanto o hatch. Outra reclamação, que também se repete no hatch, diz respeito ao peso da direção hidráulica, leve demais em velocidades de viagem e que demanda um período de adaptação. Os freios poderiam "morder" mais, mas ao menos são progressivos. Hatch com algo mais Ao final da avaliação, a conclusão não poderia ser outra: a versão sedã do HB20 difere-se muito pouco do hatch. A semelhança é tão grande que não há muito espaço para conclusões menos óbvias. O modelo avaliado, Premium 1.6 com câmbio manual, sai por R$ 49.595 e traz, além de itens como painel em dois tons, trio elétrico, faróis de neblina, sensores de estacionamento, ar-condicionado, freios ABS com EBD, rádio com conexão Bluetooth, volante regulável, entre outros. Mas vamos nos concentrar na base dos HB com motor 1.6. E, tendo isso em mente, fica a pergunta: por que pagar mais caro - um HB20 1.6 Comfort Plus sai por R$ 41.290, enquanto o HB20 S na mesma configuração custa R$ 43.995 - para levar o sedã?
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Bem, a primeira resposta óbvia é o porta-malas 150 litros maior que hatch, apesar de ainda trazer os velhos braços tipo "pescoço de ganso" que roubam espaço das bagagens. Considerando pequenas famílias, é uma diferença considerável na hora de viajar. A segunda diz respeito ao estilo, pois há quem prefira sedãs em relação aos hatches, até por uma questão de status. No fim, o HB20S se posiciona no mesmo lugar do hatch: é o carro a ser batido na categoria. Por Rodrigo Lara Fotos: Luís França Ficha técnica – Hyundai HB20 S Motor: quatro cilindros, dianteiro, transversal, 1.591 cm³, 16 válvulas, variação contínua da abertura das válvulas, flex; Potência: 122 cv/128 cv a 6 mil rpm; Torque: 16,5 kgfm a 5 mil rpm / 16 kgfm a 4.500 rpm; Transmissão: manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica; Tanque: 50 litros; Freios: dianteiros a disco ventilado e  traseiros a tambor, com ABS e EBD; Peso: 1.057 kg; Porta-malas: 450 litros; Dimensões: comprimento 4.230 mm, largura 1.680 mm, altura 1.470 mm, distância entre-eixos 2.500 mm

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Foto de: Rodrigo Lara