Garagem CARPLACE #7: 208 tem encontro de gerações com o inspirador 206

Apresentado na Europa no final dos anos 1990, o 206 foi o carro de maior sucesso da Peugeot até hoje. Com design revolucionário para a época, ele causou furor semelhante ao do Chevrolet Corsa quando chegou aqui, em 1994, redefinindo o visual dos hatches compactos. O leãozinho tinha linhas tão avançadas que, mesmo hoje, ainda exibe uma beleza marcante. Isso criou um problema para seus sucessores, o 207 de verdade (europeu) e o nosso 207 (um 206 maquiado), que nunca obtiveram o mesmo êxito em seus respectivos mercados.
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Primeiramente importado da França, em 1999, o 206 chegou ao Brasil com motor 1.6 8V para brigar contra Chevrolet Corsa, Fiat Palio, VW Gol, Ford Fiesta e o compatriota Renault Clio. Depois, em 2001, passou a ser produzido no país, inaugurando a fábrica da PSA em Porto Real (RJ). com motores 1.0 16V (emprestado da Renault) e 1.6 16V. Mais tarde viria o 1.4 8V, como o que equipa a unidade que ilustra este post. Trata-se de um 206 ano 2005, versão Presence 1.4, que veio fazer um encontro de gerações com nosso 208 Allure 1.5 2013. Hoje é o 208 que a Peugeot fabrica na planta fluminense, embora o 207 ainda esteja em produção.
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Os quase 15 anos que separam os dois projetos incluem óbvias evoluções em termos de qualidade de construção e segurança, mas, repare como o design do 208 bebe muito na fonte do 206. Para começar, o formato da carroceria é bem parecido, como pode se observar pelo capô curto, para-brisa bastante inclinado, formato dos vidros laterais e a traseira arredondada. Os faróis seguem o formato "olho de gato", com mais detalhes e vincos no 208, enquanto o logotipo do leão subiu da grade para o capô no hatch mais moderno, sendo envolto por um vinco central que não existia no 206.
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Nas laterais, o 208 adicionou piscas nos retrovisores e abriu mão do borrachão para proteger as portas (passou a ser acessório), ao passo que as maçanetas passaram a ser de puxar, e não mais de levantar como no 206. As rodas agora são aro 15, contra 14 do antigo. Na traseira, mais semelhanças: placa na tampa, vidro arredondado, lanternas horizontais invadindo as laterais e luz de neblina no centro do para-choque. A maior diferença é que no 208 as lanternas são mais trabalhadas, com formato bumerangue nas pontas. Por fim, a imensa antena característica do 206 deu lugar a uma menor e posicionada na parte de trás da capota no 208.
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Em termos de dimensões, compare aí: o 206 mede 3,83 m de comprimento por 1,65 m de largura, com entre-eixos de 2,44 m e altura de 1,43 m. O 208 é maior em todos os sentidos, com 3,96 m de comprimento por 1,70 m de largura, com entre-eixos de 2,54 m e altura de 1,47 m. Repare que são nada menos que 10 cm extras de entre-eixos, o que faz uma baita diferença em espaço para as pernas no banco traseiro, sem contar os 4 cm a mais de altura para acomodar a cabeça. O porta-malas cresceu de 245 l para 285 litros, apesar de no 208 o compartimento abrigar o estepe sob o forro - no 206 ele ficava debaixo do carro.
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Em movimento, o 206 tem respostas agradáveis do motor 1.4 8V (82 cv e 12,6 kgfm a 2.600 rpm) para um modelo que pesa 1.050 kg, mas a suspensão é um tanto seca nos buracos e a direção, pesada. Dirigir o 208 logo em seguida mostra que a Peugeot evoluiu bastante em termos de acerto de suspensão, já que o novo hatch é bem mais macio e ainda assim mais estável, enquanto a direção elétrica é mais levinha e rápida que o sistema hidráulico do modelo antigo. O câmbio continua a ter engates longos, mas a marcha entra com maior suavidade e faz menos barulho. O motor 1.5, uma evolução do 1.4 do 206, também deixa o 208 em vantagem no desempenho - são 93 cv e 14,2 kgfm a 3.000 rpm. Uma curiosidade é que, apesar de maior, o 208 é apenas um pouco mais pesado: 1.086 kg.
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Mas a maior evolução que percebemos ao juntarmos os dois Peugeots está na cabine. O 206 tinha desenho moderno para sua época, mas não causava tanto impacto quanto por fora. Já o 208 é o contrário, com melhor acabamento e montagem, quadro de instrumentos elevado e volante pequenino - um conjunto que torna o ato de dirigir bem mais divertido. Fora isso, ele traz a tela sensível ao toque da central de entretenimento, talvez o maior salto de tecnologia de um carro para o outro. Ah, outra evolução ocorreu no posicionamento dos vidros elétricos traseiros, que antes ficavam entre os bancos dianteiros, e agora estão nas portas. Mas olhando atentamente é possível notar também algumas semelhanças, como nos comandos da ventilação (ainda que o 208 tenha seis velocidades contra quatro do 206) e nas alavancas de seta e limpador, bem parecidas.
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Ao fim do encontro, fica uma pergunta: será que o 208 conseguirá bater o 206 nas vendas e deixar a mesma marca no coração dos fãs? Dê sua opinião! Obs: Como bem observou o internauta "V8_sempre", ficou faltando uma informação importante sobre as diferenças entre o 206 e o 208. Com o novo carro, a Peugeot abandonou suspensão traseira independente com braços arrastados e barra de torção dos 206 e 207, em troca do tradicional eixo de torção com molas helicoidais - igual a praticamente todos os rivais. Por Daniel Messeder Fotos Diogo Dias

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