Avaliação: com redução de preço, A1 Sport se impõe entre os hot hatches

Avaliação: com redução de preço, A1 Sport se impõe entre os hot hatches
De um lado, pura diversão. Motor com compressor e turbo, câmbio de dupla embreagem e borboletas no volante, suspensão "travada", direção orgânica, carroceria compacta, baixo peso... Em resumo, um hatch pra chamar de hot! Na outra ponta, porém, havia uma indigesta conta de quase R$ 110 mil por um carrinho do tamanho do Gol. E isso sem contar os opcionais. Eis o Audi A1 Sport. Foi com esse pensamento que recebi o esportivo para avaliar. A gente já se conhecia de outros carnavais, mas nunca havia passado tanto tempo junto. No fim, porém, a minha conclusão caminhava para o mesmo desfecho: emocionante, mas "irracional" como compra. Isso até que a Audi veio com a boa notícia. Com a entrada da marca no Inovar-Auto, devido à provável produção do novo A3 no país que deve ser anunciada em breve, ela promoveu uma redução de preços para toda a linha. E o A1 Sport, que saía por R$ 109.900, agora está tabelado a R$ 94.900 - valor bem mais próximo dos principais rivais, VW Fusca e Citroën DS3. Com o "desconto", dá quase para rechear a garagem levando também uma Kawasaki Ninja 300.
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Concentrado de tecnologia O grande poder de atração do A1 reside no fato de reunir, num frasco reduzido, algumas das características que a gente aprecia nos Audis mais caros. Temos design sóbrio e esportivo, motor TSFI (turbo e injeção direta), câmbio S-Tronic de dupla embreagem e sete marchas, qualidade de montagem impecável e acabamento de primeira. No caso desta versão Sport, o propulsor adiciona ainda mais tecnologia e complexidade. Além do turbo, também disponível no A1 de entrada, de 122 cv, o esportivo traz um compressor tipo roots para garantir a pegada necessária em baixas rotações. Funciona da seguinte maneira: de 2.400 a 3.500 rpm, o compressor (ativado por uma embreagem magnética) trabalha enviando ar extra para a câmara de combustão, aumentando também a quantidade de gases de escape, que então serão usados para "acordar" o turbo. Acima dos 3.500 giros, o turbo passa a pressurizar o propulsor sozinho, sem ajuda do compressor. O resultado são expressivos 25,5 kgfm de torque a 2.000 rpm e 185 cv de potência a 6.200 rpm - tudo isso extraído de um pequeno bloco 1.4 litro. Num carrinho de 1.265 kg, chegamos a uma saudável relação peso-potência de 6,4 kg para cada cavalo.
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É o suficiente para o A1 atuar de forma arisca em todas as situações, seja para driblar o trânsito na cidade, fazer uma ultrapassagem na estrada ou acelerar forte numa pista fechada. Os ganhos em relação à versão "mansa" são flagrantes: o tempo de 0 a 100 km/h baixa dois segundos (de 8,9 s para 6,9 s, diz a Audi), as retomadas de pé embaixo são bem mais fortes e o ronco do motor tem aquele nervosismo em alta rotação que se espera de um carro invocado. Essa conjunção de fatores me fez levar esse A1 para minha estradinha favorita, um lugar de movimento inversamente proporcional à quantidade de curvas. Se restava algum tipo de dúvida sobre o caráter do carrinho, esse era o local de botar as cartas na mesa. E o Sport não se fez de rogado, a começar pela posição de dirigir baixa e pela ótima acomodação proporcionada pelo banco recheado de apoios laterais. Bastam algumas aceleradas para perceber que estamos num carro sempre disposto a acompanhar o ritmo de quem o dirige. Passei então o câmbio S-Tronic para a posição Sport e "chamei" as trocas manuais pela borboleta esquerda do volante, já pedindo marcha pra baixo. O Audizinho respondeu bravo, elevando o giro imediatamente e disparando cheio de vigor.
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Em meio às arrancadas e retomadas vigorosas, daquelas que fazem o volante "puxar" para o lado, pude notar como esse motor trabalha linear. Diferente da maioria dos turbinados, que começam suaves e dão um "empurrão" quando o turbo entra em ação, aqui a entrega de força já se faz presente desde cedo, por conta do compressor. E a gente nem nota quando o compressor transfere para o turbo a responsabilidade de "encher" o motor. Só notamos que o carro ganha fôlego fácil em qualquer regime de rotação. Pode chamar de S1 Boa parte desse temperamento também pode ser creditado à excelente transmissão de dupla embreagem, acertada para trocas nervosas no modo Sport, e que quase não deixa o torque ser interrompido entre as passagens. Mas o melhor do S-Tronic é deixar para frear lá no "deus me livre" da entrada de curva e poder contar com a redução de marcha mesmo em giros altos - coisa que os automáticos comuns se recusam a fazer. E aí o show passa a ser comandado pelo restante da orquestra. Os freios são fortes e o pedal tem ótima sensibilidade, firme como deve ser num carro assim. A direção é rápida e, apesar da assistência elétrica, tem "feedback" de sobra, a ponto de contar tudo que se passa sob os eficientes pneus Continental 215/40 R17. Para completar, a suspensão foi calibrada com curso limitadíssimo.
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Se você entrar muito "quente" numa curva fechada, vai perceber que a roda traseira oposta à tangência chega a sair do chão - e não porque a dianteira afundou muito, mas sim porque a traseira é quase uma rocha. A suspensão do A1 é do tipo feijão com arroz, McPherson na frente e eixo de torção atrás, mas foi acertada para mínima rolagem da carroceria - o conforto, bem, que se dane... O negócio do Sport é fazer curvas ousadas sem espalhar muito a dianteira, exibindo uma tendência de sair ligeiramente de lado, o que agrada por não obrigar a gente a aliviar tanto o acelerador (no que colabora o bloqueio eletrônico do diferencial). Sério, o Sport parecia ter nascido para aquele trecho sinuoso.
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Passada a euforia, baixei meu nível de adrenalina colocando o câmbio em Drive e aliviando o pé direito. O A1 então se torna uma "moça" e sai jogando marcha alta em velocidades baixas, para economizar combustível. E economiza mesmo: dosando o ímpeto no acelerador, conseguimos médias de 10 km/l na cidade e 15,4 km/l na estrada. Se isso animou você a ter um Sport para uso diário, lamento lembrar que, diferente do câmbio, a suspensão só tem um modo de atuação, e ele é duro e cansativo numa cidade "lisinha" como São Paulo. Além disso, o A1 foi feito para dois. Lugar atrás? Sim, mas só se você quiser perder os amigos. Jogue sua mochila e a bolsa da namorada ali que já está bom demais. Então, no fim do dia, o A1 Sport é isso: um brinquedinho que todo fã de direção esportiva adoraria ter na garagem para curtir no fim de semana e nos dias mais agitados. Entre ele, o DS3 e o Fusca eu não teria muitas dúvidas caso a intenção fosse andar forte. Mas, mesmo com a redução de preço, os R$ 94.900 pedidos pela Audi ainda não incluem o ar digital, o teto solar panorâmico e nem o sistema de som da Bose que estavam na unidade testada. Ou seja, a conta certamente vai acabar acima dos R$ 100 mil...
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Por Daniel Messeder Fotos Rafael Munhoz exclusivo para o CARPLACE Ficha técnica - Audi A1 Sport Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 1.390 cm³, 16 válvulas, turbo e compressor mecânico, duplo comando variável, injeção direta; Potência: 185 cv a 6.200 rpm; Torque: 25,5 kgfm a 2.000 rpm; Transmissão: câmbio automatizado de dupla embreagem, sete marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: Independente Mc Pherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e traseira, com ABS; Peso: 1.265 kg; Porta-malas: 270 litros; Dimensões: comprimento 3.950 mm, largura 1.740 mm, altura 1.410 mm, entreeixos 2.460 mm

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