Volta rápida: Fox 1.0 Bluemotion inaugura era dos três cilindros na Volkswagen

Volta rápida: Fox 1.0 Bluemotion inaugura era dos três cilindros na Volkswagen
Downsizing não é um conceito exatamente novo. Em pauta na indústria automotiva nos últimos anos, ele consiste em rechear motores menores com tecnologia, fazendo com que eles tenham um rendimento similar - ou até superior - ao de motores de maior cilindrada (ou maior quantidade de cilindros), com o benefício da economia de combustível. A Volkswagen já havia adotado turbo e injeção direta nos motores 2.0 que equipam seus importados Passat, Tiguan e Jetta, porém, faltava um movimento nesse sentido em sua linha de produtos mais acessíveis. Não falta mais: a fabricante acaba de lançar o Fox equipado com o aguardado motor EA211 1.0 de três cilindros. Somado ao novo propulsor, o compacto também recebeu um pacote de mudanças visando a eficiência, o que garantiu à versão o nome de Bluemotion. O que é? O Fox foi o escolhido para ser o abre-alas dessa nova família de motores. Vale lembrar que esse propulsor 1.0 12V equipará o compacto up! nacional previsto para setembro. Na configuração 1.4 16V turbo e com quatro cilindros, ele dará vida à nova geração do Golf. Há ainda uma versão 1.6 16V, também de quatro cilindros, em testes, que vai substituir o antigo EA111 aos poucos - inclusive no Gol.
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O novo motor é 24 kg mais leve que o 1.0 TEC de quatro cilindros, graças ao cilindro a menos e ao bloco de alumínio. Além disso, traz cabeçote com quatro válvulas por cilindro (12V no total) e comando de válvulas variável na admissão. O coletor é integrado ao cabeçote e não há mais tanquinho para o sistema de partida a frio, substituído pela tecnologia E-flex de aquecimento do etanol. No fim, a potência chegou a bons 75/82 cv, com 9,7/10,4 kgfm de torque entre 3.000 e 3.800 rpm – gasolina e etanol, respectivamente.
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Além do motor tricilíndrico, o Fox passou por outras alterações em relação ao seu modelo 2014 convencional, visando diminuir o consumo de combustível. O pacote incluiu pneus de baixa resistência à rolagem (175/70 de 14 polegadas, que usam a pressão de 36 psi na dianteira e 34 psi na traseira), grade dianteira fechada, calotas aerodinâmicas, aerofólio na traseira, direção eletro-hidráulica e câmbio de relações alongadas. O coeficiente aerodinâmico baixou para 0,33 e o peso diminuiu 29 kg em relação à versão 1.0 convencional. Com o conjunto, a VW afirma que o carro ficou até 17% mais econômico.
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A versão Bluemotion tem poucas alterações estéticas. O painel passou a ser cinza, as portas possuem uma soleira de metal e o conjunto de instrumentos agora tem uma indicação que orienta o motorista sobre o momento ideal para a troca de marchas, além de uma barra que marca o consumo instantâneo. De série, o carro traz computador de bordo, freios ABS, airbags frontais, banco traseiro com encosto rebatível, banco do motorista com regulagem de altura, chave canivete, desembaçador do vidro traseiro e gaveta sob o banco do motorista.
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Como anda? O primeiro sinal da presença do novo motor é notado assim que damos a partida no carro. O ronco emitido é bem diferente do som do quatro cilindros, mais interessante até. O EA211 de três cilindros também vibra mais - algo perceptível até pela alavanca de câmbio - e, por mais que a VW tenha se esforçado para suprimir esse comportamento típico de motores com essa configuração, esse problema não foi totalmente sanado. O acabamento e a ergonomia mantêm o padrão do Fox. O motorista fica em uma posição mais alta e tem boa visibilidade ao redor do carro. Os comandos são fáceis de serem acessados, resultado de uma boa ergonomia geral.
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Na hora de acelerar, o propulsor se sai bem. Aliás, ele pede para ser acelerado: a potência máxima de 82 cv aparece em altos 6.250 rpm. O torque máximo (10,4 kgfm) se mantém entre 3 mil rpm e 3.800 rpm, com 85% dele disponível a partir das 2.000 rpm. Por utilizar componentes de menor peso, o motor sobe de giro rápido e, por consequência, deixa o compacto bem esperto. É o típico caso de "pisa que ele anda", facilmente notado ao se trafegar em áreas urbanas. A VW indica 0 a 100 km/h em 13,2 s e máxima de 167 km/h, números que em teoria deixam o Fox no "pelotão da frente" entre os 1.0. Em rodovias, o Bluemotion vai bem até a faixa de 100/120 km/h, mas exige que o motorista realize trocas mais frequentes de marcha para manter a velocidade em trechos de aclive. Aos 120 km/h, o conta-giros fica próximo dos 4 mil rpm, fazendo com que o som o do três cilindros se faça mais presente na cabine.
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O test-drive realizado em estradas e ruas na região de Campinas (SP) não permitiu que avaliássemos a dinâmica do compacto em curvas. A adoção dos pneus verdes e de calibragem mais alta forçou a engenharia da VW a recalibrar a suspensão para manter o conforto a bordo. Vamos ficar devendo essa informação até CARPLACE realizar o teste completo do modelo, o que deve acontecer em breve. Também estamos muito curiosos para medir o consumo. Por enquanto, ficamos com as médias divulgadas pela VW, no padrão Inmetro: 8,8 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada, com etanol, passando para 12,7 km/l e 14,4 km/l, respectivamente, quando abastecido com gasolina. Quanto custa? Considerando que o Fox 1.0 TEC (que permanece em produção) parte de R$ 31.840 na versão duas portas e o novo Bluemotion começa em R$ 32.590 na mesma configuração, até que a diferença de preço se justifica se considerarmos o novo motor e o pacote de itens para maior economia. O problema é que o Fox vem apenas com o mínimo de equipamentos de série, deixando o ar-condicionado, por exemplo, na lista de opcionais. Daí, se pegarmos o preço básico do Bluemotion quatro portas (R$ 34.090), veremos que com o ar-condicionado ele ficará bem mais caro do que o principal rival, Hyundai HB20 1.0 (também de três cilindros), que custa iniciais R$ 33.295 já com ar e sempre de quatro portas - embora essa primeira versão do coreano não tenha freios ABS.
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De todo modo, o que mais importa não são as cerca de 600 a 700 unidades que a marca espera vender desse Fox por mês. E sim que finalmente a Volkswagen passa a ter um motor moderno para sua linha de entrada no Brasil. Depois do Fox, ele equipará o up! e certamente também chegará ao cofre do Gol num futuro próximo. Por Rodrigo Lara, de Campinas (SP) Ficha técnica – VW Fox Bluemotion Motor: dianteiro, transversal, três cilindros em linha, 12 válvulas, comando variável na admissão, 999 cm3, flex; Potência: 75/82 cv a 6.250 rpm; Torque: 9,7/10,4 kgfm a 3.000 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: eletro-hidrálica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: aro 14 com pneus 175/70 R14; Peso: 993 kg; Capacidades: porta-malas 260 litros, tanque 50 litros; Dimensões: comprimento 3.823 mm, largura 1.657 mm, altura 1.545 mm, entreeixos 2.465 mm; Desempenho: aceleração 0 a 100 km/h: 13,2 s; velocidade máxima: 167 km/h

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Foto de: Rodrigo Lara