Garagem CARPLACE #5: Fit LX CVT encara Fiesta SE Powershift e C3 Tendance A/T

Carro compacto com câmbio automático já não é novidade faz algum tempo. Mas você imaginaria alguns destes modelos perdendo versão manual em favor da automática? Sim, caro leitor, os tempos mudaram. Todas, veja bem, todas as versões do novo Honda Fit podem vir com transmissão automática. Mais do que isso, as duas mais caras, EX e EXL, são oferecidas somente com dois pedais. Pois a linha 2015 do Citroën C3 chega com configuração semelhante. Câmbio manual agora só com motor 1.5. Para compensar, o modelo 1.6 automático ganhou uma versão mais barata, a Tendance, em complemento à top Exclusive. Por fim, a Ford tem uma estratégia similar com o New Fiesta, dispondo da transmissão automatizada nas versões 1.6 SE, intermediária, e na top Titanium.
Garagem CARPLACE #5: Fit LX CVT encara Fiesta SE Powershift e C3 Tendance A/T
Com o Fit LX automático em nossa garagem e o lançamento do C3 Tendance A/T, resolvemos unir as versões intermediárias dos chamados "compactos premium" automáticos mais vendidos do país. Por isso, além do Honda e do Citroën, chamamos o New Fiesta SE Powershift. Não por acaso, escolhemos os três também por usarem tipos de transmissões diferentes: CVT no Fit (relações infinitas), automática tradicional no C3 (quatro marchas) e automatizada de dupla embreagem (seis marchas) no Fiesta. Os preços do trio variam entre R$ 51 mil e R$ 59 mil. Qual deles é o melhor para suas necessidades? Vamos a eles: Honda Fit LX O mês a bordo do novo Honda aqui na redação foi curioso: no começo, muito se discutia o preço elevado do modelo pelo (pouco) que ele oferece de equipamentos. Mas, com o passar do tempo, o Fit foi conquistando todo mundo: "É muito bom de usar no dia-a-dia", "não bebe nada", "ficou mais confortável" e "esse design está bem melhor" foram alguns dos comentários da galera no decorrer dos 30 dias de avaliação.
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Comparado aos rivais, o Fit reúne características únicas: além do formato monovolume (repare que a frente é bem curtinha e não há diferença na inclinação do capô e para-brisa), o Honda tem o tanque de combustível posicionado sob o banco do motorista. Junte esses recursos ao teto mais elevado e temos um compacto com espaço de carro grande. Se você precisa levar sua família, o Fit é a melhor indicação. Ele proporciona maior liberdade de movimentos tanto nos bancos da frente quanto de de trás, e ainda oferece uma modularidade que permite levantar os assentos traseiros (aproveitando o espaço que normalmente seria usado pelo tanque) e até formar uma espécie de cama em conjunto com os bancos da frente. Para completar, é dele também o maior porta-malas, com 363 litros.
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Afora a melhor acomodação, o Fit também está mais confortável do que nunca. A Honda enfim achou um acerto de suspensão que não maltrata os ocupantes nos buracos, sem afetar a boa estabilidade do monovolume. A direção elétrica também revela bom acerto, macia nas manobras e precisa na estrada. Mas o que realmente mudou o comportamento do Fit foi o câmbio CVT. Por não ter trocas e manter o giro baixo na maioria do tempo, fica bastante cômodo de usar o carro na cidade - é um "metrôzinho". Na estrada, em velocidade constante temos o benefício do menor ruído e consumo, mas o carro fica um tanto monótono de guiar. E mesmo o modo Sport da transmissão não resolve.
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Não que o desempenho do Fit CVT deixe a desejar. Agora só disponível com motor 1.5 i-VTEC nesta terceira geração (antes havia o 1.4), o monovolume se defende bem com os 116 cv e 15,3 kgfm de torque disponíveis. Mesmo sendo o menos potente do trio, o Honda acelerou mais rápido que o C3 e retomou melhor de 80 a 120 km/h. O grande destaque, no entanto, ficou para o baixo consumo: média de 8,3 km/l na cidade e 12,2 km/l na estrada, com etanol.
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A questão é que o Fit é o mais caro e menos equipado do trio. Esta versão LX é tabelada a R$ 58.800 e não traz sequer faróis de neblina ou acabamento com apliques no painel e no volante. Ar digital? Controle de estabilidade? Nem na versão top de linha. Outra economia desta versão LX aparece no quadro de instrumentos, bem mais pobre que o dos rivais. Mas, pelo que vivenciamos ao levar o novo Fit para o dono de um antigo, os clientes da Honda não estão muito preocupados com isso. E, de fato, as vendas do novo Fit vão muito bem, obrigado. Citroën C3 Tendance A/T Se o diferencial do Fit é o espaço, o do C3 é a atenção aos detalhes. Embora não seja a versão topo de linha, este novo Tendance A/T vem com para-brisa panorâmico, LED's dianteiros para iluminação diurna e é o único dos três a dispor de GPS - o do Fiesta é acessório. Além disso, o acabamento interno traz diversas peças metalizadas e o revestimento dos bancos, com tecido em relevo, imita o desenho das calçadas de Copacabana. Assim, o C3 justifica sua fama de refinado mesmo sendo o mais barato deste comparativo, com preço de R$ 50.990.
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Tratar bem os ocupantes é premissa neste Citroën. Além de bonitos, os bancos são confortáveis, os comandos têm tato agradável e a suspensão é a mais macia do trio ao enfrentar a nossa buraqueira cotidiana (ajudada pelos pneus de perfil mais alto, 195/60). A posição de dirigir é a mais elevada e "sentada" da turma, como se você estivesse numa cadeira. Isso proporciona boa visibilidade geral, sem contar a gigante área envidraçada do para-brisa que causa ótimo efeito de amplitude. O espaço não é tão farto como no Fit, mas o C3 leva quatro adultos sem apertos, graças ao teto elevado. Para completar, o porta-malas é maior que o do Fiesta, com 300 litros.
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Partidário do conforto, o Citroën deixa a desejar pelas trocas do antigo câmbio automático de quatro marchas. Com relações muito distantes entre si, a transmissão nem sempre exibe passagens suaves, chegando a dar trancos em algumas situações. É o câmbio, aliás, que também prejudica o desempenho e principalmente o consumo do francês. O motor 1.6 16V de 122 cv e 16,4 kgfm de torque é bom, entregando boas respostas ao C3 e fazendo parecer que ele anda mais do que realmente anda. Em nossas medições, os 100 km/h vieram em 11,8 s e a retomada de 40 a 100 km/h exigiu 8,7 s - mais rápida que a do Fit.
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Com números próximos aos dos demais em performance, o C3 fica devendo mesmo é na hora de abastecer: com médias de apenas 5,7 km/l na cidade e 9,6 km/l na estrada (etanol), o Citroën pede mais idas ao posto. Ao menos ele traz o sistema de aquecimento do etanol, que elimina o tanquinho de partida a frio - coisa que o antigo C3 não tinha, mas está presente nos concorrentes daqui. O fato é que uma transmissão nova, como a de seis marchas que a marca usa em seus modelos maiores, daria vida nova ao C3. Em conversa com a engenharia da marca, ouvimos que, por não vender nos EUA (como Ford e Honda fazem), a Citroën não tem uma caixa moderna disponível para seus compactos. Ou seja, ainda deve demorar um pouco para que o modelo ofereça um câmbio automático evoluído.
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Para atenuar, a caixa atual oferece borboletas para trocas manuais na direção (que tanto fazem falta no Fiesta) e os modos neve (com partida em segunda marcha, mais suave) e esportivo. Tocada agressiva, no entanto, não é o forte do C3. Mesmo tendo evoluído bastante na dirigibilidade em relação ao anterior, ele ainda balança mais que os rivais em curvas fortes e sua direção é a mais sensível de todas. Macio, confortável e cheio de mimos, o Citroën gosta mesmo é de passear. Ford Fiesta SE Powershift O perfil esguio da carroceria não deixa dúvidas sobre o aspecto esportivo do Fiesta diante dos rivais. E não se trata apenas de visual: o Ford tem o motor mais potente, o câmbio com trocas mais rápidas e as suspensões e direção mais afiadas do segmento. Se você quer um compacto sem pedal de embreagem, mas que ofereça diversão ao volante, o Fiesta é o que você procura.
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A começar pela posição de dirigir, bem baixa e deitada, passando pelo desenho do painel estilo cockpit, o Ford é o mais envolvente do trio. Convoque o motor Sigma 1.6 16V Ti-VCT (comando variável na admissão) pelo acelerador que ele entrega de imediato seus 130 cv e 16 kgfm, enquanto o câmbio de dupla embreagem faz as mudanças com o mínimo de perdas - enquanto uma marcha está em uso, a próxima fica pré-engatada. O resultado é o hatch mais esperto do comparativo, tanto nas acelerações (0 a 100 km/h em 10,5 s) quanto nas retomadas. E isso sem sofrer com trancos. O Fiesta pode não ter a suavidade do Fit CVT (isento de trocas), mas trabalha bem mais liso e eficiente que o C3. Só não dá para entender esses botõezinhos na lateral da alavanca de câmbio em vez das borboletas no volante para trocas manuais!
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Se motor e câmbio jogam bem entrosados, suspensão e direção também falam a mesma língua. O Fiesta é ágil e leve nas manobras, e ao mesmo tempo firme e preciso em velocidades elevadas. Já a suspensão tem acerto intermediário, um pouco mais macia que a do Honda e mais firme que a do Citroën. Pode jogar o hatch da Ford nas curvas com vontade que ele segura a onda, com uma dianteira muito obediente e uma leve tendência de escapar de traseira. Isso sem falar em poder contar com o auxílio do controle de estabilidade (único daqui a oferecer o recurso), de funcionamento eficiente sem ser muito intrusivo.
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Outra ajuda na dirigibilidade vem do assistente de partida em rampa, que segura o carro na ladeira enquanto você libera o freio e acelera (dispensando o uso do freio de mão nesta condição). Também só o Fiesta vem equipado com ar-condicionado digital e o sistema Sync de entretenimento, que permite fazer chamadas pelo seu celular via Bluetooth apenas por comandos de voz (mais de 10 mil comandos).
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Bom de dirigir, seguro e bem equipado, o hatch da Ford não se exime de seus pecados. A dianteira bicuda e um tanto baixa (há um spoiler sob o para-choque) raspa à toa em valetas e rampas de garagem. E no interior, embora muito bem desenhado, não é difícil encontrar plásticos de menor qualidade, especialmente na região das portas. Por fim, o perfil esportivo da carroceria cobra seu preço no espaço interno, o mais acanhado para os passageiros de trás, e na visibilidade, com a menor área envidraçada. E falta banco traseiro bi-partido para poder ampliar o porta-malas de 281 litros - o jeito é rebater o encosto inteiro.
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Caso não precise de espaço, porém, o Fiesta SE Powershift é uma boa pedida: com preço intermediário entre o C3 e o Fit (R$ 53.890), ele é o mais divertido, seguro e equipado, além de ter um consumo camarada, com médias de 7,5 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada, ajudado pela sexta marcha que deixa o motor trabalhando mais folgado em viagens. Por Daniel Messeder Fotos Rafael Munhoz
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HONDA FIT EXL CVT Motor: quatro cilindros, dianteiro, transversal, 1.497 cm³, 16 válvulas, comando simples variável na admissão, flex; Potência: 115 cv/116 cv a 6.000 rpm; Torque: 15,2/15,3 kgfm a 4.800 rpm; Transmissão: automático do tipo CVT, tração dianteira; Direção: elétrica; Freios: dianteiros a disco ventilado e traseiros a tambor, com ABS e EBD; Peso: 1.099 kg; Rodas: liga-leve aro 15" com pneus 185/60 R15; Capacidades: porta-malas: 363 litros, tanque 46 litros; Dimensões: comprimento 3.998 mm, largura 1.695 mm, altura 1.535 mm, distância entre-eixos 2.530 mm CITROËN C3 TENDANCE A/T 2015 Motor: quatro cilindros, dianteiro, transversal, 1.587 cm³, 16 válvulas, comando duplo variável na admissão, flex; Potência: 115 cv/122 cv a 5.800 rpm; Torque: 15,5/16,4 kgfm a 4.000 rpm; Transmissão: automático de quatro marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Freios: dianteiros a disco ventilado e traseiros a tambor, com ABS e EBD; Peso: 1.182 kg; Rodas: liga-leve aro 15" com pneus 195/60 R15; Capacidades: porta-malas: 300 litros, tanque: 55 litros; Dimensões: comprimento 3.944 mm, largura 1.708 mm, altura 1.521 mm, distância entre-eixos 2.460 mm FORD FIESTA 1.6 POWERSHIFT Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.597 cm3, comando duplo variável, flex; Potência: 125/130 cv a 6.500 rpm; Torque: 15,4/16,0 kgfm a 5.000 rpm; Transmissão: câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Peso: 1.153 kg; Rodas: liga-leve aro 15" com pneus 195/50 R15; Capacidades: porta-malas 281 litros, tanque 51 litros; Dimensões: comprimento 3.969 mm, largura 1.787 mm, altura 1.464 mm, entreeixos 2.489 mm
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