Volta rápida: já aceleramos as novas Kawasaki Z1000 e Ninja 1000 2015

Volta rápida: já aceleramos as novas Kawasaki Z1000 e Ninja 1000 2015
Costumo brincar com meus amigos motociclistas que a Kawasaki primeiro projeta o motor e depois constrói uma moto em volta - as máquinas da marca sempre costumam se destacar em desempenho. Verdade ou não, o fato é que ela acaba de fazer isso novamente: em torno do motorzão 1043 cc de quatro cilindros, revisto e repotenciado, a Kawa lança no Brasil as novas sport tourer Ninja 1000 e super naked Z1000 2015. Apresentadas à imprensa no último domingo (30), no Campo de provas da Pirelli em Sumaré (SP), as esportivas "mil" chegam às lojas no fim de abril. E, pelo que vimos durante breve contato, elas vêm para arrepiar.
Volta rápida: já aceleramos as novas Kawasaki Z1000 e Ninja 1000 2015
O que é? A Ninja 1000 Tourer é, digamos, a versão "civilizada" da superesportiva ZX 10R, mais mansa e feita para viagens com garupa e bagagens - tanto que as malas laterais de 29 litros cada são itens de série. Na linha 2015, o propósito da Kawa foi deixá-la mais amigável ao condutor, trazendo controle de tração com três níveis (esportivo, intermediário e um para pisos escorregadios) e dois modos de entrega de potência (100% ou 70%). Além disso, o subchassi foi redesenhado de modo a acomodar melhor os ocupantes, e a sexta marcha teve a relação alongada para valorizar o conforto na estrada.
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O motor de quatro cilindros e exatas 1.043 cc, refrigerado a líquido e com duplo comando das 16 válvulas, teve a admissão redesenhada para melhorar o torque em baixas e médias rotações, deixando a entrega de força mais bem distribuída e linear. Fora isso, há uma nova caixa de ar e novas vias de ligação dos cilindros, para melhorar o fluxo de ar e diminuir as perdas de desempenho. As especificações valem tanto para a Ninja 1000 quanto para a Z1000 2015: são 142 cv de potência a 10 mil rpm (4 cv a mais que antes) e 11,3 kgfm de torque a 7.300 rpm (0,1 kgfm extras e numa rotação mais baixa que a versão anterior).
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Se a pegada da Ninja é mais turismo, a da Z1000 é ser uma supernaked - categoria a qual a Kawasaki reivindica o pioneirismo. Além da caixa de ar modificada, o ressonador da caixa agora possui 16 furos e existem mais dois dutos de admissão. A intenção, segundo a marca, é produzir aquele "uivo" de admissão do ar durante acelerações fortes para empolgar ainda mais o piloto. Outras mudanças incluem novas suspensões (especialmente na traseira, com conceito horizontal back-link vindo da ZX-10R), freios com pinças monobloco (e discos ampliados para 310 mm na dianteira), tanque de combustível ampliado (15 para 17 litros) e novas ponteiras de escape.
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Em termos visuais, destaque para a Z1000 por ser a primeira Kawasaki a usar faróis de LEDs. São quatro lâmpadas full LED (sem refletor) sendo as duas de dentro para o farol baixo e as externas para o facho alto, em que as quatro ficam acesas. Afora o "olhar" invocado, a Z traz um bico mais baixo. A Kawasaki diz que o formato da moto visa lembrar um felino em posição de ataque, como se fosse dar o bote. Em fotos, sinceramente não gostei. Mas, ao vivo, a sensação de agressividade é impactante. E daí lembro do estilo Sugomi que foi inaugurado pela nova Z800 no ano passado (e segue com a Z1000), que em japonês quer dizer "algo impressionante". Como anda? Por mais que você já vá esperando algo forte, a primeira arrancada com a Z1000 é de embaralhar a visão. O motorzão de quatro cilindros perece em sua melhor forma, entregando força logo que acorda, mas claramente "pedindo" que você enrole o cabo por meio do ronco mais do que instigante. A Z não foi feita para andar devagar, tanto que o conta-giros é dividido em dois: um, praticamente inútil, fica no mesmo mostrador digital do velocímetro (à esquerda) e só vai até 3 mil rpm. Já o conta-giros de verdade fica acima, num layout de barrinhas, indo até 11 mil rpm. E é neste que você deve ficar de olho para não deixar o giro cortar, pois o motor cresce muito rapidamente e logo pede marcha pra cima. O câmbio ajuda com embreagem suave e engates curtos e precisos. Hora de frear porque está chegando a curva. Os freios mais potentes contêm a velocidade antes do que eu esperava e entro na curva bem manso, conhecendo a máquina. A resposta de guidão da Z é extremamente nervosa, pedindo docilidade nos comandos para não fazer desvios brutos que desequilibrem a moto no meio da trajetória. Lição aprendida, é hora de encher a mão de novo na próxima reta. A Z responde à altura e faz a frente ficar leve, tamanho o despejo de força no trem traseiro. Animal! Apesar dos elevados 221 kg, a supernaked parece leve entre e as pernas e aceita mudanças de direção numa boa, enquanto o motorzão sobra em qualquer condição - seja sob aceleração total ou retomadas em marchas elevadas.
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Como o contato foi rápido (somente duas voltas), vamos ficar devendo a opinião sobre a nova suspensão traseira para uma futura avaliação completa. Mas deu para perceber que a Z inclina muito facilmente e tem acerto firme, que copia sem dó as imperfeições do piso para garantir precisão em altas velocidades. A posição de pilotagem também ficou mais agressiva, com guidão mais baixo e melhor encaixe das pernas no tanque.
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Passando à Ninja, as diferenças ficam evidentes logo de cara. O painel é mais tradicional, com conta-giros analógico (na Z é todo digital e modernoso) e a bolha para-brisa garante conforto aerodinâmico para viagens. Fora isso, o banco traseiro é amigável para o garupa (nem existe na Z1000) e as bolsas laterais em nada atrapalham a acomodação do piloto e acompanhante. Em movimento, a Ninja apresenta uma tocada mais dócil, sem tanto nervosismo do guidão e do motor - mesmo no modo 100% de potência. Ainda assim, o que não falta é saúde para acelerar e levar o conta-giros até a faixa vermelha nas 11 mil rpm!
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Bela opção para viagens com adrenalina, a Ninja 1000 mostra uma suspensão mais macia que a Z1000, além da fácil regulagem manual (sem necessidade de ferramenta) da suspensão traseira. Nas curvas, segue o temperamento suave, sendo mais simples de "achar o ponto" de inclinação e grau de esterço no guidão. Da mesma forma que a Z, o peso de 231 kg é pouco sentido na pilotagem. Fica agora a expectativa para encarar uma trip com a nova "Ninjona" em breve. Quanto custa? Primeiras Kawasaki da linha 2015, as novas Z e Ninja - já montadas em Manaus (AM) - não são exatamente duas "pechinchas" quando comparadas à concorrência e também com as versões anteriores. A nova Ninja 1000 chega em versão única (cor verde) com ABS e as malas laterais por R$ 56.990 - exatos R$ 5 mil a mais que o modelo 2013. Já a Z1000, que custava a partir de R$ 46.990, agora começa em R$ 48.990 na versão básica (laranja) e R$ 49.990 na Special Edition (verde e cinza). Com os freios ABS opcinais, os valores passam a R$ 51.990 e R$ 52.990, respectivamente.
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A boa notícia, para quem não tiver pressa, é que a Kawa costuma ter até motos 2012 0 km ainda para vender em suas concessionárias, com preços obviamente mais interessantes. Com o tempo, a tendência é que a linha 2015 também passe a ser oferecida com algum desconto. Por Daniel Messeder, de Sumaré (SP) Fotos Osvaldo Furiatto/VGCOM

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