Garagem CARPLACE #2: Uno Way encara bate-e-volta de SP ao RJ

Garagem CARPLACE #2: Uno Way encara bate-e-volta de SP ao RJ
Mal chegou à redação, o Uno Way 1.4 já caiu na estrada para um bate-e-volta entre as capitais paulista e fluminense. Na ida, com quatro pessoas e bagagem, o Fiat foi abastecido com gasolina. Na volta, com cinco ocupantes (e mais bagagem), optamos pelo etanol para obtermos médias de consumo com os dois combustíveis. O mais de 1.000 km de estrada serviram para mostrar algumas das novidades do carro, como a eletrônica a bordo e o melhor isolamento acústico. Para evitar trânsito, saímos bem cedo de São Paulo, antes mesmo de o sol nascer. No escuro, destacam-se a nova configuração do painel, com um grande mostrador digital no centro do velocímetro, e a boa iluminação proporcionada pelos novos faróis. Nesta versão Way, as luzes de neblina auxiliares reforçam a claridade, aumentando a segurança ao viajar à noite. Já o visor do quadro de instrumentos merece atenção pelo requinte (não há carro de entrada com algo semelhante) e também pela funcionalidade. Além de servir como um completo computador de bordo (consumo médio, autonomia, distância percorrida...), tem funções de econômetro, velocímetro digital e ajuste das funções do veículo, como alerta de velocidade, por exemplo, entre outros recursos.
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Deixei o mostrador no velocímetro digital (mais fácil de ler) e conectei o meu celular ao Bluetooth para ouvir as músicas em Audio Streaming. Outra opção seria ligar o aparelho via entrada USB, que agora fica no console à frente do câmbio - antes era dentro do porta-luvas. Logo ao entrar no carro, meu pai elogiou o acabamento. "Colocaram uns plásticos bem melhores aqui", apontando para a porta e para a maçaneta. Fato: na versão anterior era fácil encontrar rebarbas nas peças plásticas e as maçanetas tinham aparência frágil. O painel também ganhou nova textura, além de uma faixa central em material macio, de toque agradável. Por fim, o Uno passou a oferecer vidros elétricos em todas as portas, agora com os botões na própria porta - antes os dianteiros ficavam no painel e os traseiros eram de manivela.
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Outra coisa que o Uno não tinha era o volante com comandos do som, recurso oferecido agora - e, curiosamente, com botões vindos da linha Chrysler. Quer mais? Engate a ré e o retrovisor direito baixa automaticamente para você ver a calçada, enquanto a câmera de ré mostra sua imagem num quadro no retrovisor interno. Em termos de refinamento interno e equipamentos, dá para dizer até que o Uno deixou o Palio para trás, pelo menos até que este passe por sua primeira reestilização na atual geração.
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Estética e funcionalidade à parte, o Uno mudou pouco em termos de sensações para quem o dirige. A Fiat diz ter adotado aços mais rígidos para a carroceria, mas, na prática, o hatch não exibe a mesma solidez de Ka, up!, Onix e HB20, só para citar os rivais mais modernos. Mesmo com suspensão macia e os borrachudos pneus de uso misto (que ajudam a amortecer as pancadas), o Uno ainda chacoalha bastante em pisos remendados ou ondulados, ainda que transmita robustez nos buracos. Nas curvas, a carroceria inclina acentuadamente no começo na tangente, mas depois apoia bem e segue a trajetória sem maiores dramas. Já a direção hidráulica é rápida e tem sensibilidade adequada em velocidade, mas não tem a maciez de um sistema elétrico nas manobras de estacionamento. Com quatro pessoas a bordo, o Uno tem desempenho apenas regular. Para viajar no limite da rodovia Ayrton Senna (120 km/h), o motor 1.4 precisa trabalhar a elevadas 4.100 rpm e o acelerador deve ser exigido nos aclives, sob pena de o carro perder o pique. Apesar dos bons 12,4/12,5 kgfm de torque, a potência é quase a mesma dos 1.0 de última geração, com 85/88 cv. Ou seja, na prática o Uno Way 1.4 anda apenas um pouco mais que os novos "mil".
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Boa notícia é que a Fiat mexeu bem no isolamento de ruídos e vibrações do motor Fire 1.4, conhecido por seu funcionamento áspero. Agora a gente só percebe que o motor está berrando ao olhar o conta-giros, pois o barulho na estrada passou a ser mais do vento e de rodagem do que da mecânica. Da mesma forma, a alavanca de câmbio (que ganhou uma manopla bem mais anatômica) transmite menos vibrações, embora tenha mantido os engates longos. De modo geral, o Uno ficou mais confortável para encarar longas viagens. Sem grandes atrasos, a não ser pelo trânsito na entrada da cidade carioca, chegamos ao destino com média de 15,1 km/l de gasolina - lembrando que liguei o ar-condicionado na parte final do trajeto, pois o sol veio forte no Rio! Como o tempo na Cidade Maravilhosa foi curto, o Uno acabou rodando pouco por lá. Mas pelo menos "conheceu" as praias da zona sul e "viu" de longe o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, como mostram algumas das fotos deste post. Na andanças cariocas, ainda com gasolina, o consumo ficou em 10,5 km/l, sempre com o ar ligado.
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O trajeto de volta, agora com o tanque cheio de etanol, exigiu ainda mais do compacto. Com mais uma pessoa a bordo (que aprovou o cinto de três pontos no famoso "meio" do banco traseiro) e o ar-condicionado no "talo", o Uno novamente sentiu falta de um pouco mais de fôlego. Na subida da Serra das Araras, foi preciso pisar fundo e esticar a terceira marcha até quase o limite de giros para vencer o morro com dignidade - tá, confesso que abusei um pouco nas curvas... Apesar dos cinco a bordo, ninguém reclamou de aperto ou desconforto (família magrinha está mais em forma do que eu). O Uno tem bons porta-objetos, como porta-óculos e documentos no teto (herança do Fiat Idea) e bolsas nos encostos dos bancos dianteiros. No fim da tarde, chegou alguém que eu estava com saudade - uma bela chuva, daquelas de deixar lâmina d'água na estrada! Um bom teste para os pneus de uso misto (OK na aderência) e para os novos limpadores com palhetas tipo rodinho (bem mais eficientes e silenciosas que as palhetas tradicionais).
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Na chegada à capital paulista, tirei o consumo médio da viagem de volta com combustível vegetal e ar ligado: 10,7 km/l, resultado que reflete o quanto o motor foi exigido. Só com o motorista e sem o ar, acredito que dava para passar dos 12 km/l. Conclusão após mais de 1.000 km: o Uno ficou mais maduro, mas faltou mexer no motor. Ou melhor, que tal um Way 1.6? Texto e fotos: Daniel Messeder

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