Fiat confirma 500 Abarth para o fim de 2014. E nós já andamos nele!

A Fiat aproveitou a ocasião do Salão de Detroit, nos EUA, para confirmar a importação do espevitado 500 Abarth para o Brasil a partir do fim de 2014. O modelo virá importado do México com motor 1.4 turbo de 162 cv e câmbio manual de cinco marchas, ainda sem preço definido. Estima-se algo em torno dos R$ 70 mil, o que o colocaria como opção mais barata a outros hot hatches como o já oferecido Citroën DS3 e os Ford Fiesta ST e Peugeot 208 GTi que chegam também neste ano. CARPLACE acelerou na Suécia a versão europeia do 500 Abarth, que tem como principal diferencial o câmbio manual de seis marchas - uma a mais que o modelo norte-americano. Mas andar no modelo na Europa já serviu para termos uma boa ideia do que esperar do esportivinho quando chegar aqui. Confira alguns trechos da avaliação (e nossas fotos exclusivas) a seguir. Foguetinho de bolso Sempre que ando num carro compacto já imagino-o com o motor de algum modelo maior. Quem nunca pensou num Uno T-Jet, com o propulsor 1.4 turbo do Punto? E que tal um Onix com o Ecotec 1.8 do Cruze? Ou ainda um Ka com o 2.0 Direct-Flex do Focus? As possibilidades são infinitas, mas elas quase nunca se tornam realidade. Ainda bem que eu disse quase… Pois o Fiat 500 Abarth é um raro representante desta espécime que rouba o motor dos irmãos maiores. Sob o pequenino capô está o propulsor 1.4 turbo do Punto e do Bravo T-Jet. E na lataria estão espalhados os logotipos da Abarth, braço esportivo da Fiat que tem volta ao Brasil (já existiu no Stilo) marcada para o este ano a bordo desse Cinquecento.
Fiat confirma 500 Abarth para o fim de 2014. E nós já andamos nele!
O 500 Abarth é o que os europeus chamam de “pocket rocket”, algo como foguete de bolso, por seu temperamento nervoso embalado num pacote reduzido. Quem já dirigiu um Cinquecento sabe que o carrinho é esperto e tem "base" para um pouco mais de pimenta. O Abarth é a materialização desse desejo: motor 1.4 16V turbo de 160 cv (versão Europa), direção mais direta, rodas maiores (aro 17), pneus mais largos (205/40) e, para acompanhar, suspensão enrijecida para segurar a carroceria no chão. Resumindo, um brinquedão! A imagem retrô do 500 ganha ares de carro de competição nessa versão, com para-coques mais bojudos, spoilers, saias laterais e adesivos colados pela carroceria. A caracterização interna inclui bancos tipo concha com abas bem pronunciadas, daqueles que abraçam o corpo. O painel de instrumentos ganha mais um reloginho à esquerda do mostrador principal, que informa a pressão do turbo. E a manopla do câmbio (que continua perfeitamente posicionada a menos de um palmo da direção) recebe uma manopla menor e mais esportiva. Por fim, o volante também tem desenho mais agressivo, com pegada mais grossa e apoio mais definido para os polegares. “Vestido” pela boa posição de dirigir (embora o volante só ajuste em altura e a perna direita encoste no painel), saio com cautela. Não que o Abarth seja bravo demais, o problema é a neve que teima em cobrir o asfalto da estrada que liga a pequena Arjeplog ao Círculo Polar Ártico, no norte da Suécia.
Fiat confirma 500 Abarth para o fim de 2014. E nós já andamos nele!
Como no Punto T-Jet, o 500 tem pegada logo que acorda, devido ao turbo pequeno e de baixa inércia, que opera com até 1,2 kg de pressão. O torque de 23,5 kgfm a 3.000 rpm faz com que o controle de tração seja exigido a qualquer pisada mais forte no acelerador, dada as condições escorregadias do piso. Enquanto a neve cai, deixo o câmbio em terceira marcha e mantenho cerca de 60 km\h com certa frustração – afinal, estamos num carrinho de 1.035 kg com 160 cavalos e um ronquinho nervoso esperando para mostrar do que é capaz. Mesmo devagar é possível notar o comportamento espevitado desse 500. A suspensão é bem mais firme que nas versões mansas, acompanhando com fidelidade as raras imperfeições do piso sueco, e a direção é bem direta (embora um pouco leve), proporcionando grande agilidade ao hatch. Fico imaginando esse Cinquecento driblando o trânsito, quase como numa cena de filme de perseguição. Lá pelo meio da tarde, a neve dá uma trégua e o sol brilha no asfalto agora quase seco. É a senha para reduzir marcha e chamar o 500 para a briga. O motor enche rápido e, sim, parece que estamos num Punto T-Jet menorzinho, mais ágil e rápido. A Fiat indica 0 a 100 km\h em 7,4 segundos, e não há muita margem para duvidar desse tempo: estamos num legítimo foguetinho de bolso. O câmbio tem engates curtos e precisos, enquanto os freios (também repotenciados) parecem fortes e bem dimensionados à maior potência. As largas e longas curvas do trajeto não chegam a desafiar a estabilidade do modelo, que se mantém firme mesmo durante as esticadas até uns 150 km\h. O entre-eixos curto, porém, faz do 500 um carro arisco em altas velocidades, podendo tornar você de um “às” ao volante para um asno ao volante em questão de segundos. Foi o que pudemos conferir na pista circular de gelo polido, sobre um lago congelado. Uma condição de aderência quase nula, onde os limites de qualquer carro aparecem muito antes do normal. O 500 era sem dúvida o mais divertido dos Fiats à disposição (incluindo alguns Alfas), proporcionando derrapagens controladas a quase 100 km/h. Mas ele exige manobras rápidas de correção (no que a direção direta ajuda), sob pena de rodopiar sem dó. Algo que lembra o antigo Ford Ka, só que com bem mais motor. O ponto negativo do Abarth fica por conta do conforto. Ele soma o espaço interno exíguo do 500 com uma rigidez de suspensão que supostamente deve sofrer no Brasil. Outro ponto a melhorar é o pequeno tanque de combustível, de 35 litros, que limita a autonomia quando a gente resolve pisar mais fundo. Mas o principal problema deverá ser a oferta limitada, uma vez que o Abarth vai usar a mesma cota de importação do México dos demais 500. Mesmo vindo a conta-gotas, será uma opção bem divertida para extravasar o lado moleque que existe em cada um de nós. Ficha técnica – Fiat 500 Abarth Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, turbo e intercooler, 1.368 cm3, gasolina; Potência: 160 cv a 5.500 rpm; Torque: 23,5 kgfm a 3.000 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Peso: 1.035 kg; Capacidades: porta-malas 185 litros, tanque 35 litros; Dimensões: comprimento 3,657 mm, largura 1,627 mm, altura 1,485 mm, entreeixos 2,300 mm; Desempenho: aceleração 0 a 100 km/h: 7,4 segundos; velocidade máxima 210 km/h

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