Volta rápida: Ka+ consegue unir sedã e motor 1.0 sem choro

Volta rápida: Ka+ consegue unir sedã e motor 1.0 sem choro
A Ford está feliz com o desempenho comercial do novo Ka. Nos dois primeiros meses de venda, o modelo emplacou mais de 17 mil unidades e, na primeira quinzena de novembro, já despontou na sexta posição entre os carros mais emplacados do país. Para seguir neste crescente, a marca lança agora as variantes faltantes da linha: o hatch com motor 1.5 e o sedã com o propulsor 1.0. Assim, o Ka deve alcançar a marca de 15 mil carros/mês no total - lembrando que o Ka+ não será somado ao hatch na tabela da Fenabrave, onde aparecerá como Ka Sedã. Dirigimos a versão de entrada do Ka+, a SE com calotas e sistema de som simples, e contamos a experiência a seguir.

O que é?

Sedã e motor 1.0 costumam não combinar nem quando aparecem na mesma frase. E a lembrança do (vagaroso) Fiesta Sedan "mil" não ajuda na reputação dos três-volumes da Ford com motor de 1 litro. Ciente desse fantasma, a ideia inicial da marca era ter o Ka+ apenas com motor 1.5. Mas, diante da significativa diferença de preço (R$ 5 mil pelo motor maior) e do alto volume de vendas que os modelos 1.0 ainda representam, acabou por ofertar a versão. Boa notícia é que o novo propulsor 1.0 supera de longe o antigo Rocam: com quatro válvulas por cilindro e duplo comando variável (admissão e escape), o propulsor de três cilindros entrega 85 cv de potência e 10,7 kgfm de torque - o Fiesta Sedan tinha parcos 73 cv e 9,3 kgfm.
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No Ka hatch, este motor fez dele o mais rápido 1.0 aspirado já testado por CARPLACE. E olha que o modelo foi para a pista na versão topo de linha SEL, que com o peso de todos os seus equipamentos chega a 1.026 kg. Já o sedã em que andamos agora é da versão de entrada, que pesa somente 1.022 kg. Ou seja, é de se esperar um desempenho muito próximo ao do Ka hatch, mesmo com a bundinha saliente. A Ford fala em aceleração de 0 a 100 km/h em 13,9 s (fizemos 13,7 s com o hatch) e máxima de 166 km/h - valores bastante coerentes, a nosso ver. Diferenças externas do Ka+ ficam por conta da grade com filetes metalizados e dos faróis com máscara prateada - no hatch a grade é do tipo colmeia e os faróis trazem máscara escura. Esta versão SE vem com rodas aro 14" cobertas por calotas e vestidas com pneus 175/65. Por dentro, o acabamento é simplificado em relação ao Ka+ SEL 1.5 que testamos anteriormente. Os apliques em black piano permanecem ao redor do sistema de som e no volante, mas não nas maçanetas, agora de plástico comum. Também não há forração de tecido nas portas traseiras e o banco do motorista perde o ajuste de altura.
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Ao menos a lista de equipamentos de série ainda agrada para um modelo de entrada: todo Ka+ já vem com direção elétrica, vidros dianteiros elétricos, trava elétrica, ar-condicionado, chave canivete e o sistema de som My Ford Dock. O rádio é simples (não tem CD Player), mas vem com entrada USB bem acessível, conexão Bluetooth e traz uma boca tipo jacaré (com catraca) para que você prenda seu smartphone no painel e o utilize como central multimídia - muito bem bolado! Nós fizemos o teste com o novo iPhone 6 Plus (aquele grandão) e coube certinho, ajudando a gente no caminho do test-drive com o aplicativo Waze. Falta sentida é do computador de bordo, indisponível nesta versão.
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Não há novidades no espaço interno, bom para quatro adultos (ou dois adultos e três crianças atrás), e nem no porta-malas de 445 litros, que tem como atrativo os braços pantográficos que não invadem a área das bagagens. A tampa traseira continua sem forração (deixando fios e um cabo metálico à mostra), mas pelo menos há abertura externa pelo botão da chave canivete. Exceto pelo Logan, o Ka+ tem espaço compatível com os principais rivais, como Prisma e HB20S, se destacando de Voyage e Siena (o antigo, pois o Grand Siena não oferece motor 1.0). Como anda? Se você não olhar para o retrovisor interno (que mostra o vidro traseiro menor), a impressão é de se estar dirigindo o Ka hatch. Comecei o test-drive como passageiro e meu colega até se surpreendeu ao esticar a quarta marcha e soltar "é 1.0 esse mesmo?"... Mantido acima das 2.500 rpm, o motor tricilíndrico entrega bom torque e não tem dificuldades para fazer o sedã ganhar velocidade, mesmo com o ar-condicionado ligado. A boa dirigibilidade do Ka hatch se mantém no sedã. A direção é leve nas manobras, mas ganha a firmeza necessária na estrada. O câmbio tem engates precisos e fáceis. Os pedais apresentam boa sensibilidade e a suspensão é muito bem calibrada. Com um monobloco bastante rígido, o novo Ford é sólido em pisos esburacados e revela boa absorção de impactos, sem descuidar da estabilidade. As rodas aro 14" com pneus mais finos que no Ka SEL deixaram o carro sensivelmente mais macio, mas a diferença de aderência nas curvas é discreta.
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Andando a 120 km/h, a quinta marcha alongada permite que o motor trabalhe a confortáveis (para um 1.0) 3.750 rpm, com baixo ruído na cabine. Nos aclives, porém, convém reduzir para quarta marcha de modo a manter o pique do propulsor e explorar seu melhor momento - claramente mais saudável em giros elevados. A contrapartida é que, em alta, a vibração característica dos três cilindros se intensifica - algo que a VW resolveu melhor no up! e no Fox. Mas, no geral, o Ka+ é um dos sedãs 1.0 mais agradáveis de guiar. Resta agora o teste com a família e o porta-malas lotado para ver se a boa impressão inicial se mantém, bem como para aferirmos o consumo.

Quanto custa?

Elencando como principais concorrentes o Prisma (atual líder de vendas do segmento) e o Logan, a Ford posiciona o Ka+ com preços atraentes para um carro de projeto moderno e bem equipado. A versão SE avaliada sai por R$ 38.890, tendo como opcional apenas o pacote Plus, que adiciona o sistema de som Sync (chamadas por voz, aviso ao Samu em caso de acidente e CD player) e os vidros elétricos traseiros, totalizando R$ 40.890. Diferentemente do Ka hatch, a versão SEL do Ka+ só está disponível com motor 1.5.
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São valores bastante competitivos, ainda mais se levarmos em conta que o Prisma LT 1.0 começa em R$ 43 mil e mesmo o Logan, com seu apelo de baixo custo, custa R$ 39.310 na versão Expression, com conteúdo semelhante ao do Ford. Se colocarmos o ar e o rádio no Siena EL, já chegamos a R$ 38.540. Por fim, o HB20S parte de R$ 41.565. Somados todos os fatores, vemos que a Ford lançou um produto de última geração com forte apelo no custo x benefício, algo que costuma ocorrer apenas em modelos desfasados. Não será surpresa, então, se o Ka+ seguir a trajetória de sucesso do hatch e logo se tornar um dos mais vendidos da categoria. Texto e fotos: Daniel Messeder
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Motor: dianteiro, transversal, três cilindros, 12 válvulas, 997 cm3, comando duplo variável na admissão e escape, flex; Potência: 80/85 cv a 6.300 rpm; Torque: 10,2/10,7 kgfm a 3.500/4.500 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: aço aro 14" com pneus 175/65 R15;Peso: 1.022 kg; Capacidades: porta-malas 445 litros, tanque 52 litros; Dimensões: comprimento 4.254 mm, largura 1.695 mm, altura 1.525 mm, entreeixos 2.491 mm

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Foto de: Daniel Messeder