Volta rápida: novo Fox ganha cara de Golf para o lugar do Polo

Volta rápida: novo Fox ganha cara de Golf para o lugar do Polo
Quem te viu, quem te vê, hein, Fox? Daquele compacto que nasceu como alternativa espaçosa ao Gol, mas com acabamento um tanto simples (lembra do painel "capelinha"?), o hatch altinho da Volkswagen agora está parecido com ninguém menos que o Golf 7. Por fora, ganhou grade mais fina e faróis com linhas mais agressivas, incluindo a parte interna com blocos de luz retangulares. Até mesmo o friso cromado que atravessa a grade e adentra os faróis está presente no Fox Highline, deixando-o ainda mais parecido com o hatch médio da marca. Atrás, Golf de novo: pela primeira vez o Fox passa a ter lanternas duplas, invadindo a tampa do porta-malas, e também uma nova disposição interna de luzes, de modo a criar o mesmo efeito noturno visto nos VW mais recentes. Lá dentro, mudam as saídas de ar e o painel ganha diferentes cores dependendo da versão, além de tecidos inéditos nos bancos. Ah, tem também o volante do Golf, mas só na versão topo de linha.
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Com a mudança, o Fox se integra à atual filosofia de design global da Volkswagen. É o mesmo tratamento recebido recentemente pelo Polo lá na Europa, por exemplo. Aqui, porém, o Polo vai morrer sem conhecer esta nova geração. Esquecido pela marca, o modelo deixa de ser produzido até o fim do ano, deixando o posto de "compacto premium" vago. A tendência é que o novo Fox ocupe este espaço, mas, pelo que vimos na avaliação da linha 2015, a intenção da VW na verdade é ser mais abrangente. Veja a seguir: O que é? Segunda reforma do Fox desde o lançamento, em 2003, esta mudança de agora atingiu mais a parte visual e mecânica do que a cabine. Além da dianteira e traseira renovadas, a lateral passa a ter um novo vinco na altura das maçanetas e desenho mais definido para a caixa de roda traseira, agora complementada pelo para-choque - que antes tinha corte reto. Na mecânica, a direção elétrica toma o lugar da hidráulica em todas as versões (mesmo na Bluemotion, que usava o sistema eletro-hidráulico), enquanto o modelo Highline passa a trazer o novo motor EA-211 1.6 16V de 120 cv associado ao câmbio manual de seis marchas. Trata-se da conhecida caixa MQ200 com o acréscimo de uma marcha extra (overdrive) e relação de diferencial encurtada - a versão I-Motion segue com cinco marchas mesmo com o propulsor novo.
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Decepciona, no entanto, a manutenção dos antigos motores 1.0 TEC e 1.6 VHT. Oficialmente, a VW fala em falta de capacidade de produção, mas a verdade é que os novos motores agregam bem mais tecnologia (bloco de alumínio, cabeçote de quatro válvulas por cilindro, comando variável das válvulas de admissão e sistema de refrigeração duplo, entre outros) e acabam mais caros de produzir. Em conversa informal, um executivo da VW disse que a família EA-211 fará uma substituição gradual da linha EA-111, numa operação que deve durar entre dois e três anos. No caso do 1.6 VHT, de 104 cv, a opção por mantê-lo é até válida levando se em conta que alguns dos rivais têm motores 1.4, como Onix e Palio. Mas o 1.0 TEC (76 cv) nos parece um tanto inapropriado ao Fox nesta nova fase, ainda mais sabendo que todos os up! (um carro mais barato) são equipados com o novo 1.0 12V de três cilindros e 82 cv. Quer um Fox com esse motor? Terá de levar o Bluemotion, mais caro e que agrega outros recursos para ajudar na economia de combustível.
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Também questionável é a oferta do controle de estabilidade somente na versão Highline, e como opcional. Além disso, a VW segue na velha fórmula de deixar o ar-condicionado como item pago à parte, para ter um preço de lista mais atraente. Mesmo na verão dita Comfortline o equipamento segue como opcional, enquanto a nova concorrência traz o equipamento de série desde as versões de entrada. Outra falta sentida é de uma central multimídia além da ofertada para a versão Highline. Trata-se de uma central sofisticada (mesma do Jetta), com tela sensível ao toque, mas que só vai estar no Fox acima de R$ 50 mil - considerando o preço base do Highline mais os R$ 3.050 do sistema. Como anda? A nova dianteira pode até passar despercebida num primeiro momento, mas basta colocar o novo carro ao lado do anterior para notar que o Fox ficou com uma "cara" mais agressiva e refinada. Interessante foi que a lateral não ficou parecendo antiga diante das mudanças, sem comprometer o resultado final. É na traseira, entretanto, que o hatch mais mudou. As lanternas horizontais e a parte inferior do para-choque deixaram o carro com aspecto mais robusto e assentado ao chão, o que caiu bem num hatch alto e estreito como o Fox, dando a impressão de maior largura. Nas ruas, era pela traseira que as pessoas reconheciam o Fox como sendo novo.
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Para quem dirige, as melhores novidades ficam restritas ao Fox Highline. Na falta dele para o test-drive da capital paulista até Americana, no interior do Estado, começamos pelo Comfortline 1.0. O aspecto de novidade da carroceria era reforçado pela inédita cor Azul Acqua (esse metálico clarinho das fotos), mas, por dentro, notei apenas detalhes como pintura da parte central do painel, tecidos novos e saídas de ar retangulares. O hatch segue bem construído e apresenta acabamento correto, mantendo a agradável cabine que ganhou na reestilização de 2009. Permanecem, porém, velhos inconvenientes como os pedais deslocados para a direita, a coluna "A" muito larga (que atrapalha a visibilidade) e a alavanca de ajuste de altura do banco que esbarra na perna ao se entrar ou sair do carro.
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O Fox demora a embalar com o antigo motor 1.0 TEC. A cabine é bem isolada, o que atenua o barulho do propulsor gritando, mas sentimos que é carro demais para força de menos. Fora isso, o consumo sai prejudicado. Quer um Fox "mil"? Não pense duas vezes e leve o Bluemotion. Foi o carro que fizemos o trajeto de volta e pudemos comparar. Ou melhor, é incomparável. O Fox 1.0 12V de três cilindros (82 cv e 10,4 kgfm) é muito mais esperto e econômico, além de ser menos exigido em velocidades de viagem. Manda bem nas retomadas, tem um ronquinho legal e ainda registrou cerca de 18 km/l na viagem de retorno à São Paulo, usando gasolina. Em Americana, estivemos no Campo de Provas da Goodyear para um teste prático do controle de estabilidade: percorrer um trajeto delimitado por cones com curvas fechadas e slalom, com a pista coberta por uma lâmina d'água. Primeiro fizemos o circuito com a eletrônica ativa, percebendo que ela "matava" o acelerador e beliscava os freios para trazer a dianteira de volta ao rumo. Já quando desligamos o sistema (por um botão no painel), o hatch passava a destracionar com vontade e alargar a trajetória, exigindo trabalho no volante e acelerador. Vale lembrar que o controle de estabilidade permanece ativo, sendo desligado apenas o controle de tração. Ou seja, quando a traseira ameaçava escorregar era possível ouvir as "cutucadas" do sistema nos freios para não deixar o hatch rodopiar.
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Essa prova foi também a única chance de dirigir o Fox Highline, que traz o motor 1.6 16V (120 cv e 16,8 kgfm) e o câmbio manual de seis marchas. Apesar do trajeto limitado, deu para sentir que o hatch ganhou fôlego nas saídas não só pela maior força como também pelas primeiras marchas mais curtas - a VW divulga 0 a 100 km/h em 9,8 segundos. Fora isso, o motor é bem mais "liso" e girador que o 1.6 8V, deixando o Fox bem mais agradável de conduzir e apto a brigar com HB20, Peugeot 208, Citroën C3 e New Fiesta - todos com motores 1.6 acima dos 120 cv. Vamos ficar devendo o comportamento da sexta marcha na estrada, o que ficará para um futuro teste completo do modelo. Já o câmbio conserva os engates curtos e precisos da versão cinco marchas.
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Com o câmbio I-Motion notamos os mesmos trancos de sempre nas passagens, apesar do sistema ser mais suave que alguns rivais automatizados. E o câmbio DSG? "Testamos, mas não é para já", diz um informante da VW sobre o uso da transmissão de dupla embreagem do Golf. Por fim, a direção elétrica deixou o volante mais leve e sensível nas manobras, sem perder a boa comunicação com o motorista. Mas, mesmo com as rodas aro 16" (opcionais), o Fox ainda não é um campeão de curvas, inclinando mais que o Gol e o Polo que ele visa substituir. Quanto custa? Diante da iminente morte do Polo, por sinal, o Fox pôde se sofisticar para abrir espaço do Gol. Só que isso veio acompanhado de uma subida de preços para a linha 2015, que variou de R$ 500 a R$ 1.500 dependendo da versão, como você confere na lista abaixo: Trendline 1.0 (R$ 35.900) e 1.6 (R$ 39.800): vem de série com direção elétrica, travas e vidros elétricos, volante com ajuste de altura e profundidade, rodas aro 15″ com calotas e preparação para som com seis alto-falantes e antena no teto. Bluemotion 1.0 12V (R$ 37.690): traz rodas aro 14″ com pneus “verdes” 175/70, grade preta com friso azul, indicador de troca de marcha e bancos com o logotipo Bluemotion. Comfortline 1.0 (R$ 38.190), 1.6 (R$ 41.190) e 1.6 I-Motion (R$ 44.590): adiciona computador de bordo, retrovisores elétricos com rebatimento automático ao se engatar a ré, sistema de som com rádio AM/FM, CD-player, Bluetooth, MP3 player e entradas USB, SD-card e auxiliar, faróis e lanterna de neblina, repetidores de seta nos retrovisores e friso cromado nas laterais. Highline 1.6 16V (R$ 48.490) e Highline 1.6 16V I-Motion (R$ 51.790): acrescenta ar-condicionado, banco traseiro corrediço, novo volante (do Golf) com comandos do som e do computador de bordo, grade dianteira com friso cromado e câmbio manual de seis marchas. Principais opcionais incluem central multimídia com GPS (R$ 3.050), revestimento interno de couro (R$ 670), teto-solar (R$ 2.470), rodas de liga aro 16″ (R$ 1.400), controle de estabilidade e faróis de neblina que acendem para o lado da curva (R$ 1.140) e pacote com “piloto automático”, sensor de chuva e de luz, mais retrovisor eletrocrômico (R$ 1.910).
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Com uma gama que oferece quatro motores e três transmissões, o Fox 2015 amplia seu campo de atuação. As versões 1.0 e 1.6 8V vão encarar rivais como Ka, HB20, Sandero, March, Palio e Onix entre os compactos, enquanto o Highline 1.6 16V já parte para cima do New Fiesta, C3, 208, Punto e Sonic na briga dos compactos "premium". O problema é que, com todos os opcionais, o Fox topo de linha passa dos R$ 60 mil e acaba próximo do Golf não só no design como também no preço... Por Daniel Messeder, de Americana (SP) Fotos Divulgação
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VW Fox Highline 2015 Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.598 cm3, comando duplo variável na admissão, flex; Potência: 110/120 cv a 5.750 rpm; Torque: 15,8/16,8 kgfm a 4.000 rpm; Transmissão: câmbio manual de seis marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: liga-leve aro 15" com pneus 195/55 R15; Peso: 1.105 kg; Capacidades: porta-malas 270 a 353 litros, tanque 50 litros; Dimensões: comprimento 3.868 mm, largura 1.660 mm, altura 1.552 mm, entreeixos 2.467 mm
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Foto de: Daniel Messeder