Avaliação: MT-09 é cartada da Yamaha para acabar com a mesmice

Avaliação: MT-09 é cartada da Yamaha para acabar com a mesmice
Preste atenção nesta moto: a MT-09 é aposta mais ousada da Yamaha nos últimos tempos. Com design e proposta nada convencionais, esta mistura de naked com supermotard traz como principal atração um novo motor de três cilindros e exatas 847 cc. Lançada no primeiro semestre de 2013, a tricilíndrica já está à venda na Europa e nos Estados Unidos. Por aqui, fez uma aparição surpresa no Salão Duas Rodas 2013 e deve chegar às revendas ainda em 2014. Dada a expectativa pelo comportamento da MT-09, confesso que fiquei ansioso antes de retirar a nova tricilíndrica na Yamaha de Portugal. Nada melhor que uma moto inédita para explorar as belas estradas portuguesas com bom "alcatrão", como eles chamam o asfalto lá na "terrinha". Ganges tatuadas Vista de perto, a MT-09 é surpreendente. Seu desenho foi inspirado nas corridas de drift, nas gangues tatuadas e nas motos customizadas de Tóquio, algo que a marca chama de "o lado negro do Japão". A parte dianteira chama atenção. O tanque com linhas angulosas, as duas tomadas de ar laterais e o quadro do tipo diamante abraçando o motor de três cilindros (levemente inclinado à frente) conferem um ar musculoso. Ao mesmo tempo, a ausência total de carenagens deixa o visual bem limpo.
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Além do design, o alumínio do quadro e rodas ajuda a fazer da MT-09 uma moto bastante leve: 188 kg em ordem de marcha, 1 kg a menos que a esportiva da marca, YZF-R6. O farol e a lanterna seguem a mesma filosofia "clean". Até exageram, parecem ter sido adaptados ao modelo. O resultado é controverso: há quem elogie; enquanto outros, como um oficial da Polícia Municipal de Lisboa que me parou para conferir os documentos, perguntam se falta uma carenagem acima do farol poligonal. Ela até existe, mas como acessório. Originalmente, a MT-09 é assim: crua, despida como uma naked. Mas uma olhada mais atenta entrega a mistura de conceitos. As rodas de liga leve são de 17 polegadas e calçadas com pneus de perfil esportivo sem câmara (120/70 na dianteira e 180/55 na traseira). Já o garfo telescópico invertido tem longo curso (137 mm) e o guidão é largo como numa supermotard. Do mesmo modo, o banco é estreito na frente e as pedaleiras são baixas.
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Ao montar na MT, o assento a 81,5 cm do solo não é dos mais baixos. Porém, a junção entre o tanque o banco é estreita, o que deixa até mesmo os pilotos de estatura média colocarem os pés no chão. Os braços ficam abertos e os joelhos, pouco flexionados, resultando numa posição de pilotagem mais ereta do que nas nakeds tradicionais. Três cilindros espirituosos Ao ligar o motor, percebe-se um ronco mais grave do que em outros tricilíndricos, como os da inglesa Triumph. Em parte por causa do ressonador instalado na caixa de ar, mas também por "culpa" do virabrequim crossplane, com cada um dos três cilindros detonando individualmente em intervalos de 240 graus - arquitetura já utilizada na superesportiva YZF-R1. O principal objetivo do desenho crossplane não é somente um som diferenciado, mas também um controle mais preciso do torque nas mãos do piloto. Ajuda nessa também tarefa o acelerador eletrônico da Yamaha (ride-by-wire), que possibilitou a instalação de três mapas de gerenciamento do motor: modo standard, modo mais agressivo "A" e modo mais suave "B".
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Os três cilindros trazem duplo comando para as 12 válvulas no cabeçote e refrigeração líquida. São capazes de produzir bons 115 cv a 10.000 rpm e 8,9 kgfm de torque máximo alcançados a 8.500 rpm, mas muito bem distribuídos por uma ampla faixa de giros. Desde as 4.000 até 11.500 rpm, onde começa a faixa vermelha, há força suficiente para esticadas divertidas, e reduções no câmbio de seis marchas são desnecessárias na maioria das vezes. O propulsor mostrou-se bastante espirituoso. Mesmo no modo standard, automaticamente escolhido quando se dá partida, as respostas do acelerador são bruscas. O que por um lado incomoda se o objetivo for rodar tranquilamente, mas se torna bem interessante para pilotar trocando as marchas com os giros lá em cima. Guerreira urbana Aclamada pela Yamaha como uma nova geração de moto esportiva, a MT-09 pretende ser leve, potente e com bom desempenho para uso diário. Dentro dessa proposta, ela se sai muito bem. Afinal, com menos de 190 kg, mais potência que a Kawasaki Z800 e torque à vontade para levantar a roda dianteira em segunda marcha sem usar a embreagem, a MT-09 é o tipo de moto que instiga a acelerar. A posição de pilotagem "peito aberto" aumenta ainda mais a sensação de velocidade e, por diversas vezes, me vi andando 20 km/h, 30 km/h acima do permitido. Ainda bem que as ruas lisboetas não são cheias de radares...
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O guidão largo facilita mudanças bruscas de direção, mas não atrapalha circular entre os carros. Compensa o reduzido raio de giro, um problema comum em nakeds mais esportivas. O baixo peso também faz da MT-09 uma moto ágil e precisa, gostosa de pilotar. Mas a resposta brusca do acelerador no modo standard fica ainda mais estúpida no modo "A": qualquer ação no punho direito resulta em tranco no piloto. Por isso, depois de algum tempo, percebi que o modo "B" (que não limita a potência final, mas acalma a ação do acelerador eletrônico) era o ideal para pilotar na cidade. A troca de um modo para o outro, realizada por meio de um botão no punho direito, pode ser feita em movimento desde que se feche o acelerador. O processo é um pouco desajeitado, afinal, com a mesma mão você precisa parar de acelerar e ainda apertar o botão. Os freios com discos de 298 mm de diâmetro na dianteira trazem pinças de fixação radial. O conjunto garante uma mordida arisca e instantânea. Mas, ainda sem versão com ABS, que deve ser lançada no final deste ano na Europa, a MT-09 tem tendência de arrastar a roda traseira até mesmo em frenagens normais. Em parte, é um problema do design com o peso concentrado mais na dianteira. E o restante se deve à suspensão dianteira ajustada para oferecer conforto, que afunda bastante nas frenagens, deixando a traseira mais leve. Para quem conhece Lisboa e suas estreitas ruas com calçamento de pedra, sabe que isso exige certa atenção do piloto.
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O conjunto de suspensões, aliás, segue claramente a proposta urbana da MT-09. Tem curso maior que nas nakeds e absorve bem as imperfeições do piso e as emendas da Ponte 25 de Abril, que liga a capital portuguesa à região ao Sul do Rio Tejo. Na cidade, garante conforto e isola o motociclista dos obstáculos. Apesar do comportamento esportivo e do meu ímpeto ao acelerador, o consumo até que não foi dos piores: 17,8 km/l no uso urbano. Com capacidade de 14 litros do tanque, isso significa uma autonomia de cerca de 250 km. Escapada rápida Não via a hora de experimentar a Yamaha MT-09 em rodovias. Para isso, optei por um destino comum dos motociclistas de Lisboa e região: o Cabo da Roca, ponto mais ocidental do continente europeu - como dizia Camões, "onde a terra se acaba e o mar começa". Partindo da cidade de Almada, ao sul do Tejo, escolhi uma rota margeando o litoral, passando pelas belas praias de Cascais e Estoril.
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Na estrada de mão dupla que margeia o Atlântico, o torque entregue em ampla faixa de rotações fazia com que as reduções de marcha só fossem necessárias para ultrapassagens mais rápidas. Mas na maioria do tempo até se esquece qual marcha está engatada, tamanha a força disponível. Várias vezes tive de olhar o indicador de marchas no painel de instrumentos para me certificar. Pequeno e totalmente digital, o painel traz velocímetro, conta-giros por barras, marcador de combustível, relógio, dois hodômetros e indicador de consumo. Mas fica inexplicavelmente deslocado à direita, ampliando a sensação de que falta algo na dianteira da moto. Aliás, pouco se vê da MT-09 quando se está ao guidão: a posição de pilotagem ereta e "pra frente" deixa apenas o painel e os retrovisores à vista.
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Na hora de subir a Serra de Sintra até o Cabo da Roca, mais uma vez o tricilíndrico mostrou a que veio despejando torque de sobra, mas sem assustar mesmo no modo "A". Vale ressaltar aqui que as respostas bruscas do acelerador são mais sentidas, e incômodas, em baixas rotações. A partir de 6.000 rpm, a injeção eletrônica faz seu trabalho muito bem. As suspensões – ajustáveis na frente e atrás – até suportaram bem a subida, quando não é preciso frear tanto e o motor dá conta de reduzir a velocidade. Já na descida, o conjunto mostra sua limitação. Nas curvas mais fechadas, não tinha certeza de que a roda da frente estava onde eu realmente queria. Decidi então pilotar de forma mais suave e fluida. Claro que a MT-09 não chega ao nível de segurança que transmite uma esportiva ou uma naked legítima, principalmente em curvas fechadas, mas a sensação transmitida pelo trem dianteiro melhorou e me senti mais seguro. Nada como respeitar os limites da máquina... Na volta, decidi retornar pelas auto-estradas, com diversas pistas e curvas mais abertas. Apesar do limite de 120 km/h, rodar nessa velocidade significa ser ultrapassado até mesmo por caminhões. No geral, quase todos dirigem a 140 km/h e, nesse ritmo, o motor vibra quase nada e gira pouco – cerca de 5.500 rpm –, com bastante sobra para acelerar mais. Nas curvas de alta velocidade, a ciclística da MT-09 mostra-se estável e segura.
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O vento, porém, incomoda e cansa. Afinal, apenas o pequeno farol tem o trabalho de desviá-lo do piloto. Definitivamente, o pequeno parabrisa deverá ser um dos opcionais mais vendidos na Europa ou quando a moto chegar por aqui. Aposta ousada Famosa por inovar ao longo de sua história, a Yamaha volta a projetar uma moto que não tem nada de convencional. Seja pelo desenho pelado, pela posição de pilotagem que mescla a esportividade das nakeds com a agressividade das supermotard, ou ainda pelo "torcudo" motor de três cilindros, a MT-09 é diferente de qualquer outra moto disponível atualmente no mercado. Uma boa cartada da Yamaha para acabar com a mesmice.
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Em Portugal, a MT-09 sem ABS tem preço sugerido de 7.795 Euros. Ou seja, é mais barata que a naked FZ-08 (8.690 Euros) da própria Yamaha ou ainda que a Kawasaki Z800 (8.990 Euros), vendida no Brasil por R$ 35.990 sem ABS. Com isso, a nova tricilíndrica japonesa surge como boa opção nesse segmento de média cilindrada com vocação esportiva. Uma moto de três cilindros, potente, leve e divertida de pilotar!

MT-09 ou FZ-09?

Se você foi ao Salão Duas Rodas, realizado em outubro em São Paulo, viu uma moto muito parecida com essa que testamos em Portugal, mas com o nome de FZ-09. Trata-se do mesmo modelo, porém, FZ-09 é a nomenclatura utilizada pela Yamaha para o mercado norte-americano, onde a MT-09 foi lançada como substituta da FZ8 - naked de quatro cilindros que continua à venda na Europa. No Japão e em Portugal, o nome da tricilíndrica é mesmo MT-09, já que ela segue a filosofia das outras MT (MT-01, MT-03), ou masters of torque, linhagem de motos que privilegia o torque ao invés da potência. Nomenclatura à parte, tudo indica que a FZ-09 não veio apenas passear no Salão. O modelo deverá chegar ao Brasil ainda em 2014, mas com o nome do mercado americano, já que outros produtos da Yamaha no Brasil costumam seguir a identidade visual e os grafismos das motos vendidas nos Estados Unidos. Por Arthur Caldeira/Agência INFOMOTO, de Lisboa, Portugal Fotos: Tozé Canaveira/Agência INFOMOTO Ficha técnica - Yamaha MT-09 Motor: três cilindros em linha, 12 válvulas, 847 cm3, injeção eletrônica, gasolina, refrigeração líquida; Potência: 115 cv a 10.000 rpm; Torque: 8,9 kgfm a 8.500 rpm; Transmissão: câmbio de seis marchas, transmissão por corrente; Quadro: tipo Diamante, de alumínio; Suspensão: garfos invertidos na dianteira (137 mm de curso) e balança monoamortecida na traseira (130 mm de curso); Freios: disco duplo na dianteira (298 mm) e disco simples na traseira (245 mm); Pneus: 120/70 R17 na dianteira e 190/55 R17 na traseira; Peso: 188 kg; Capacidades: tanque 14 litros; Dimensões: comprimento 2.075 mm, largura 815 mm, altura 1.135 mm, altura do assento 815 mm, entreeixos 1.440 mm

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