Garagem CARPLACE #6: Fit se despede mais bem cotado que na estreia

Apesar das vendas mornas de 2014, o mercado brasileiro anda agitado de novidades. Tanto que, pela primeira vez em nosso "Garagem", começamos uma nova avaliação (Ford Ka) antes de encerrar a que estava em curso (Honda Fit). Pois agora chegou a hora de nos despedirmos do monovolume japonês após um mês de testes com as versões LX manual (R$ 54.200) e automática (R$ 58.800). Como sempre acontece nesta seção, o Fit teve uma vida corrida por aqui. Além dos tradicionais testes de pista, foi ao encontro de um cliente do Fit antigo, serviu como carro de apoio em diversas pautas e, para encerrar, ainda encarou um combate com os principais concorrentes, Ford New Fiesta e Citroën C3. Ao todo foram quase 3 mil km rodados entre as duas versões, com mais ênfase na CVT, que reponde pela maioria esmagadora das vendas do Fit.
Garagem CARPLACE #6: Fit se despede mais bem cotado que na estreia
O câmbio CVT, aliás, voltou nesta terceira geração do Fit a pedido dos consumidores. Em relação à anterior, que usava transmissão automática convencional de cinco marchas, os ganhos foram evidentes em performance, economia e suavidade de condução. Nem todos os avaliadores, porém, apreciaram o comportamento um tanto monótono do CVT em condições de estrada. Uma possível solução está para ser apresentada pelo novo City, que vai trazer uma nova programação para a mesma caixa, simulando sete marchas (recurso que funcionou bem no Toyota Corolla) e ainda borboletas para trocas manuais de marcha na direção. Quem sabe isso não pinta no Fit mais para frente? O que também sentimos falta foi de mais equipamentos. As versões LX avaliadas foram criticadas pela pobreza do interior, quase todo preto e com um quadro de instrumentos simplório. O rádio com CD player e Bluetooth tem iluminação diferente do painel, parecendo que foi colocado em loja de acessórios. Além disso, não é tarefa fácil conectar o celular a ele.
Garagem CARPLACE #6: Fit se despede mais bem cotado que na estreia
No comparativo contra os rivais, ficou clara a defasagem do Fit em itens de conveniência e segurança. Não há ar digital, central multimídia, sensor de estacionamento, controle de estabilidade ou sequer faróis de neblina. Um alento é que ao menos o City vai trazer o ar digital, item que pode ser incorporado ao monovolume mais para frente, nem que seja na versão EXL. Destaques positivos ficaram para o conforto, habitabilidade, versatilidade e praticidade. O Fit é imbatível em espaço interno e ainda traz uma sacada genial de poder levantar os assentos traseiros, abrindo espaço para levar objetos volumosos. A posição de dirigir é excelente, assim como a visibilidade. A direção elétrica é leve e bem calibrada, macia nas manobras sem ser boba na estrada. E a suspensão está em sua melhor fase desde que o Fit chegou ao Brasil, absorvendo os impactos com mais competência sem abrir mão da boa estabilidade característica do modelo.
Garagem CARPLACE #6: Fit se despede mais bem cotado que na estreia
Outro ponto a favor foi o uso exclusivo do motor 1.5 i-VTEC (antes havia opção do 1.4), que está muito bem dimensionado ao porte e proposta do Fit. O propulsor de 116 cv e 15,3 kgfm de torque gira macio, sobe de rotação com gosto (com um roquinho legal!) e proporciona bom desempenho mesmo com câmbio automático. Na versão manual, com uma excelente caixa de engates curtinhos e precisos, o Fit até empolga. O senão fica para a relação um tanto curta da transmissão, que faz o motor trabalhar forçado na estrada em quinta marcha - justamente o oposto do CVT. Solução: uma sexta marcha cairia muito bem!
Garagem CARPLACE #6: Fit se despede mais bem cotado que na estreia
Tiradas as conclusões, a verdade é que o Fit se despede mais bem cotado do que quando chegou. No começo, a galera questionou muito o (elevado) preço do carro pelo (pouco) que ele oferece de equipamentos. Com o uso mais prolongado, no entanto, a aprovação da redação foi unânime. Se a Honda rechear mais o modelo, as poucas críticas tendem a ser sanadas, pois o projeto de fato é muito bom. Confira abaixo a trajetória do Fit com a gente! 1) Chegada e apresentação 2) Conforto no dia-a-dia 3) Encontro de gerações 4) Câmbio manual muda temperamento 5) Comparativo contra New Fiesta e C3 Em resumo Km inicial: 6.014 km (CVT) e 6.681 km (MT) Km final: 7.943 km (CVT) e 7.393 km (MT) Consumo médio CVT Cidade: 8,3 km/l (etanol) Estrada: 12,2 km/l (etanol) MT Cidade: 8,6 km/l (etanol) Estrada: 11,4 km/l (etanol) Problemas apresentados: nenhum Gostamos: espaço, conforto, eficiência, mecânica Não gostamos: cabine pobre, preço e falta de equipamentos Fotos: Rafael Munhoz e Equipe CARPLACE

Seja parte de algo grande

Garagem CARPLACE #6: Fit se despede mais bem cotado que na estreia

Foto de: Daniel Messeder