Garagem CARPLACE #4: Ka+ SEL 1.5 chega para o lugar do hatch 1.0

O novo Ka hatch cumpriu seu último compromisso aqui no Garagem (não perca o resultado em breve!) e já deu lugar ao Ka+, inédita versão sedã do modelo. Como era de se esperar, as pessoas na rua ainda não entendem muito bem a ideia de um Ka tão grande e com bumbum arrebitado. Mas, assim como no caso do hatch, a explicação é simples: considere o Ka+ como o verdadeiro substituto do antigo Fiesta Rocam Sedan (como fizeram num estacionamento ao me darem o recibo escrito "Fiesta"). O nome é um mero detalhe.
Garagem CARPLACE #4: Ka+ SEL 1.5 chega para o lugar do hatch 1.0
Sendo assim, o Ka+ chega com a missão de ser o sedã de entrada da Ford, entrando numa seara que inclui Prisma, Grand Siena, Voyage, Etios Sedan, Logan e Versa. Diferentemente do Ka hatch, aqui a aposta é mais forte no motor 1.5, que deve responder por 70% das vendas do modelo. De acordo com a marca, o volume previsto para o sedã é metade do hatch, alcançando cerca de 5 mil carros/mês. Para a continuação deste Garagem recebemos uma versão topo de linha, SEL 1.5, na cor vinho e com 7.290 km rodados.
Garagem CARPLACE #4: Ka+ SEL 1.5 chega para o lugar do hatch 1.0
Além da óbvia mudança na traseira, o Ka+ tem detalhes exclusivos: repare que a grade dianteira é por filetes (cromados nesta versão SEL), de melhor efeito visual que a grade estilo colmeia do hatch, e os faróis possuem máscara interna cromada, em vez de escura como no Ka normal. A ideia da Ford foi dar um aspecto mais refinado ao sedã, o que também incluiu acabamento em black piano no interior (nos componentes que no hatch são prateados).
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Apesar disso, é fácil ver que o projeto tinha de manter a rédea dos custos bem puxada. Veja que as portas traseiras são exatamente as mesmas do hatch (o que elimina custo de projeto e facilita na linha produção), enquanto as lanternas não invadem a tampa do porta-malas. Lanternas duplas, como as do New Fiesta Sedan, são mais caras desde o projeto até a substituição em caso de acidente. Ao abrir o porta-malas, a ausência de revestimento na tampa também revela economia, deixando cabos metálicos e chicote elétrico à mostra.
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Na troca do Ka hatch 1.0 pelo sedã 1.5 chamou a atenção a dianteira mais pesada (por conta do motor maior) e a maior suavidade de funcionamento do propulsor. Não que o 1.0 tricilíndrico seja ruim neste aspecto, mas o Sigma 1.5 é uma "seda", se revelando mais suave e silencioso até mesmo que sua versão 1.6 - a Ford indica ruído cerca de 2 decibéis mais baixo no mesmo regime de giros. Mesmo não contando com comando variável (que o 1.0 tem), o 1.5 entrega farto torque em baixa e deixa a dirigibilidade bastante agradável em todas as condições de uso. Na cidade, você pode fazer as trocas de marcha abaixo de 3 mil rpm que o carro responde numa boa. E, na estrada, o Ka+ viaja com confortáveis 3.200 rpm a 120 km/h em quinta marcha, chamando atenção pelo baixo nível de ruído.
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Ainda não conseguimos fazer as medições de desempenho, mas já dá para antever bons resultados. Com 110 cv e 14,9 kgfm de torque disponíveis para seus comedidos 1.048 kg (um Fiesta S 1.5 pesa 1.108 kg), o Ka+ mostra desenvoltura nas saídas e boa força nas ultrapassagens. Além disso, pela oferta de torque em giros baixos, o consumo sai beneficiado. Rodando na cidade, obtivemos média de 8,3 km/l, e na estrada de 11,8 km/l - sempre com etanol. Após o teste de desempenho, em que usamos etanol para a melhor performance possível, vamos medir o consumo também com gasolina.
Garagem CARPLACE #4: Ka+ SEL 1.5 chega para o lugar do hatch 1.0
O espaço interno é o mesmo do hatch, com boa acomodação para quatro adultos e uma criança - lembrando que, apesar de manter o entre-eixos do Fiesta, os novos Ka tiveram o banco traseiro reposicionado mais para trás. Já os 36,8 cm a mais de comprimento do Ka+ em relação ao hatch (são 4,25 m no total) foram todos destinados ao porta-malas. Assim, a capacidade foi ampliada de 257 para 445 litros, sem contar o benefício da tampa com braços pantográficos (boa herança do Fiesta Sedan Rocam) que não amassa as bagagens. A abertura é elétrica, podendo ser feita pela chave canivete ou por um botão ao lado do comutador de luzes, à esquerda do motorista. Para melhorar, a "boca" do compartimento poderia ser um pouco maior, pois ela é visivelmente menor que a dos principais rivais.
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Tirando isso, o que mais estou sentindo falta no Ka+ é o sensor de estacionamento traseiro. Como a tampa é elevada, ela acaba prejudicando a visibilidade para trás. E, afinal, estamos num carro de R$ 47.790 bem equipado - incluindo o controle de estabilidade com assistente de partida em rampa e o sistema Sync de entretenimento, com Bluetooth e comando por voz. A Ford diz oferecer o sensor como acessório de concessionária, juntamente com o comando elétrico dos retrovisores. Uma pena, pois poderiam ser itens de série. No próximo post a gente fala do teste de desempenho e também sobre o comportamento dinâmico. Fique ligado! Texto e fotos: Daniel Messeder Galeria de fotos: Ford Ka+ SEL 1.5

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