Avaliação: BMW C600 Sport é scooter com sabor de moto

Avaliação: BMW C600 Sport é scooter com sabor de moto
Quando conheci a C600 Sport, no Salão de Paris de 2012, a scooter da BMW me chamou mais atenção até que os novos carros da mostra francesa. Afinal, para quem começou a vida sobre duas rodas com uma scooterzinha Yamaha Neo 115 e tinha, naquela época, uma Dafra Citycom 300i na garagem, aquilo era um verdadeiro sonho de consumo. Uma scooter com apelo esportivo, visual futurista, construção e acabamento alemães, motorzão 650 cc e toda versatilidade que este tipo de moto oferece. Assim que voltei ao Brasil, já fui encher o saco do pessoal da BMW para saber quando aquele "brinquedão" viria para cá.
Avaliação: BMW C600 Sport é scooter com sabor de moto
Demorou mais do que eu pensava, mas agora, quase dois anos depois, finalmente pude experimentar a C600 Sport. E quer saber? Ela é exatamente o que eu esperava: super prática na cidade, muito gostosa de pilotar no dia-a-dia, valente na estrada e ainda divertida em circuitos sinuosos. Defeitos? Sim, e o principal deles é o preço: R$ 52 mil a colocam numa seara cheia de motões legais. Mas vamos falar disso mais adiante.
Avaliação: BMW C600 Sport é scooter com sabor de moto
No primeiro semáforo que parei, já notei a cara de espanto das pessoas - principalmente donos de outros scooters. O C600 Sport impõe um novo padrão de visual para a categoria, bem avançado. O design em geral é bastante esportivo, com destaque para o conjunto ótico frontal formado por faróis de LED's. Isso mesmo, faróis. Há duas opções de intensidade dos LED's, sendo que a mais forte pode ser usada como luz diurna em vez do farol baixo. A iluminação por LED's também aparece nas setas, finamente incorporadas às carenagens laterais. Vista por trás, a C600 nem parece uma scooter. A rabeta esbelta com a lanterna de LED's emprestada da F800 GS, as setas também de LED's e o pneu largo dão a ideia de uma naked.
Avaliação: BMW C600 Sport é scooter com sabor de moto
A boa impressão segue ao comando da Sport. O guidão tem acabamento de primeira, ostentando o logotipo "BMW" bem no centro, e conta com os mesmos comandos de punho encontrados na linha 800 cc da marca bávara. A diferença fica por conta dos dois práticos porta-objetos logo abaixo do guidão (um deles com tomada 12V): serve para guardar chaves, documentos, carteira e até mesmo suas luvas. A abertura do tanque e do banco é feita com a própria chave da scooter, no miolo da ignição, apertando-a para baixo e girando. Para abastecer o tanque de 16 litros nem é preciso levantar da moto, pois sua tampa fica à frente do banco.
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O quadro de instrumentos remete aos carros da marca, com iluminação laranja e grafismos conhecidos por quem dirige BMW. Há computador de bordo (consumo em padrão europeu L/100 km), velocímetro analógico e um conta-giros digital por barrinhas - de leitura ruim por ser muito pequeno. Mas como o câmbio é automático do tipo CVT, o conta-giros serve apenas de referência, pois não há trocas de marcha.
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Dada a partida, o motor bicilíndrico de 647 cc é um pouco barulhento. Diz a BMW que a ideia era deixar o ronco semelhante ao de uma moto, e isso eles conseguiram. Usando aqueles capacetes abertos, bem comuns entre usuários de scooters, o ruído do motor pode incomodar nas acelerações. As vibrações, no entanto, são bem mais tímidas do que em outros motores de dois cilindros da marca. Com 60 cv e 6,7 kgfm de torque, as arrancadas da C600 empolgam. Basta girar a manete direita com mais vontade para que os outros veículos fiquem lá para trás nas saídas de semáforo. Quer uma prova? Os 100 km/h são superados em pouco mais de 7 segundos, fazendo jus ao nome Sport que esta scooter carrega.
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O desempenho é apenas um dos fatores que aproximam o C600 de uma moto. Um grupo de motociclistas que encontrei num posto de estrada gostou do estilo, mas não levou muita fé de que o scooter se sairia bem na rodovia. Isso até que os deixei para trás, e numa subida! Sim, a Sport viaja no ritmo de uma 650. A 120 km/h são tranquilas 5 mil rpm e nada de turbulência - um oferecimento do amplo para-brisa e da carenagem completa. A surpresa fica para a boa resposta do motor acima disso. Ao contrário do que costuma acontecer com scooters, na Sport o bicilíndrico mostra a que veio de verdade em altos giros, acelerando vigoroso mesmo além do limite legal de nossas estradas. Se fosse permitido, 150 km/h seria uma boa velocidade de cruzeiro para o C600. E máxima de 180 km/h chega com facilidade.
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Para pegar estrada, outra vantagem é o para-brisa ajustável em três alturas - muito fácil de mexer, sem necessidade de ferramentas. Na cidade, a posição mais baixa da bolha permite que você pilote sem que ela fique no meio de sua visão (como acontece, por exemplo, na Citycom). E na rodovia, a posição mais alta protege do vento e detritos - basta ver a quantidade de mosquitinhos que ficam no visor após pegar estrada. Outro "mimo" que testei (e aprovei!) numa viagem noturna foi o aquecedor de manopla com dois níveis, bastante útil no caminho para a fria Campos do Jordão, na região serrana paulista. Por falar em estradas de serra, a C600 também se assemelha à uma naked na hora de fazer curvas. Além dos pneus largos montados em rodas aro 15", o longo entreeixos e ótima capacidade de inclinação deixaram a Sport bem à vontade na subida tortuosa para Campos. Dá para deitar bastante até que o cavalete central raspe a ponta no chão. Eu diria até que "cabe mais motor" pelo que a scooter oferece de ciclística, tanto em termos de estabilidade quanto de freios - potentes discos duplos na dianteira e simples na traseira, com ABS. Já a suspensão com garfos invertidos na frente e monobraço atrás tem acerto firme, mas com curso suficiente para um rodar agradável na cidade - melhor que muita scooter estritamente urbana.
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O conforto foi aprovado tanto por mim quanto pela garupa. O banco é bastante largo e cômodo, inclusive na parte de trás, onde uma alça bem posicionada garante a segurança da acompanhante. A absorção de impactos é eficiente, enquanto o grau de esterço elevado ajuda nas manobras. Sob o assento, espaço para um capacete fechado (ou uma mochila) e algo mais. Uma sacada é parte de trás sanfonada, que pode ser aberta quando o scooter estiver estacionado (sistema que a BMW chama de flexcase), permitindo abrigar mais um capacete fechado. Como esperado num modelo premium, o banco é sustentado por uma mola a gás e o compartimento possui iluminação.
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Boa de viajar, a C600 conserva todas as vantagens de um scooter para uso cotidiano. Além da dirigibilidade fácil (basta acelerar e frear), os retrovisores colocados em posição elevada passam tranquilamente acima dos retrovisores dos carros (atenção com SUVs e vans) e permite acompanhar o fluxo no "corredor" sem problemas. Aliás, achei a Sport até melhor que a minha antiga Citycom ao circular entre os carros, pois a rabeta estreita não "empaca" nas manobras como acontece com a Dafra. E, por fim, mesmo no consumo a BMW não ficou longe da Citycom: a média durante nossa avaliação variou de 20 km/l andando na boa e 17,5 km/l exigindo mais do acelerador, enquanto na Dafra eu fazia pouco mais de 20 km/l.
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A questão é que fazer esse upgrade da Citycom (ou mesmo das Suzuki Burgman 400 e 650) para a C600 Sport será privilégio de poucos. O modelo da BMW chega como scooter mais caro do mercado brasileiro, com preço acima da F800 GS Adventure, por exemplo. Custa também quase R$ 10 mil acima da principal rival, a Yamaha T-Max 530, que avaliaremos em breve.
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Mas mesmo o preço salgado parece não ser impeditivo para o sucesso da C600. Das 102 unidades a serem importadas até o fim de 2014, a maioria está encomendada - até porque seus principais clientes já são usuários de BMW, seja de carro ou moto. Scooter de R$ 50 mil com fila de espera? Bem, o Sport é bem mais que um scooter. E mostra que o segmento tem tudo para continuar crescendo por aqui. Por Daniel Messeder Fotos Mario Villaescusa Ficha técnica - BMW C600 Sport Motor: bicilíndrico, comando duplo, 647 cc, injeção eletrônica, refrigeração líquida, gasolina; Potência: 60 cv a 7.500 rpm; Torque: 6,7 kgfm a 6.000 rpm; Transmissão: câmbio automático continuamente variável CVT com embreagem centrífuga e transmissão imersa em óleo; Quadro: tubular de aço com balança de alumínio; Suspensão: garfo telescópico invertido na dianteira (115 mm de curso) e monobraço oscilante monoamortecido com mola helicoidal (115 mm de curso) na traseira; Freios: disco duplo na dianteira (270 mm) e simples na traseira (270 mm); Pneus: 120/70 aro 15" na dianteira e 160/60 aro 15" na traseira; Peso: 249 kg (seco); Capacidades: tanque 16 litros; Dimensões: comprimento 2.155 mm, largura 877 mm, altura 1.380 mm, altura do assento 810 mm, entreeixos 1.590 mm

Galeria: BMW C600 Sport

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