Teste CARPLACE: Spin vestiu bem a roupa aventureira Activ

Teste CARPLACE: Spin vestiu bem a roupa aventureira Activ
Carros aventureiros, ou seja, aqueles fantasiados de off-road, costumam causar polêmica por venderem uma coisa que não são. Mas se tem uma categoria que fica bem com roupa de trilha é a das minivans. Pode reparar: o Idea Adventure é mais legal que o Idea comum, o Aircross é mais bacana que o C3 Picasso e até o Livina X-Gear tem mais graça que o Livina convencional. Demorou então para que a Chevrolet providenciasse uma versão mateira da Spin, certo? Pois ela chega agora na linha 2015 com direito a estepe na tampa traseira e alterações mecânicas. Pensada de dentro para fora, com ênfase no espaço, a Spin não é exatamente uma beldade. Mas não é que a versão Active ficou interessante? Sério, até chama atenção nas ruas, principalmente de donos de SUVs, minivans e, claro, taxistas. Na visão deste escriba, o ponto fraco do modelo era a traseira com muita lata e pouco vidro. Pois a Active resolve o problema com a adoção do estepe na parte externa da tampa, cobrindo o excesso de metal e dando um toque decolado ao estilo. Dá mais trabalho na hora de abrir, pois exige que se desloque o pneu para o lado (como no VW CrossFox) antes de levantar a tampa, mas em compensação o estepe externo abriu espaço para um porta-objetos embaixo do já "cavernoso" porta-malas de 710 litros. Vale dizer que a Activ está disponível apenas na configuração de cinco ocupantes.
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Pouca coisa muda na parte interna. Temos tecido exclusivo nos bancos, com mote de aventura, detalhe escrito "Active" no quadro de instrumentos e painel na cor preta. A GM poderia ter aproveitado para corrigir pequenas falhas, como a parca iluminação da cabine. Só há duas luzes de teto, uma na frente e uma lá atrás, faltando uma intermediária e uma específica para o porta-malas. Outra providencia a ser tomada é deslocar o banco traseiro um pouco para trás, o que melhoraria a acomodação dos passageiros. Não que falte espaço, mas o ideal seria que o banco traseiro corresse sobre trilhos, permitindo modular o espaço entre gente e bagagem. Do jeito que está hoje, as malas são favorecidas... Afora o tecido dos bancos, não há novidades em termos de acabamento. A Spin tem estrutura de painel e portas bem semelhante à do Cobalt, com materiais de qualidade apenas razoável para um carro de mais de R$ 60 mil. Uma característica desta plataforma GSV, a posição elevada de dirigir, é ainda mais exacerbada na Spin aventureira - o motorista fica na mesma altura que teria num SUV legítimo. Em conjunto com a grande área envidraçada, isso proporciona excelente visibilidade geral, além de certa imponência no trânsito - o que agrada em especial à mulherada. O volante de três raios tem boa pegada e incorpora os comandos da central multimídia My Link, que mais uma vez se mostrou muito prática e fácil de usar com sua tela sensível ao toque e software bem lógico.
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Quem opta pelos SUVs pela tranquilidade de trafegar em nossas ruas esburacadas sem temer lombadas e valetas, a Spin Active é uma grata surpresa. A versão ganhou altura do solo (8 mm) graças às novas rodas aro 16" com pneus de uso misto (205/60 R16). Para compensar a nova distribuição de peso com o estepe atrás, a GM também mexeu na calibração da suspensão, adotando um acerto específico de molas e amortecedores para a versão. O resultado, como tem sido nos Chevrolet mais recentes, ficou muito bom: a van absorve macio os obstáculos e, mesmo numa estradinha de terra bem esburacada, não raspou o fundo ou os para-choques. E isso com uma estabilidade até surpreendente no asfalto, dado o porte e altura do modelo. A direção hidráulica oferece firmeza em velocidades de estrada e a carroceria inclina menos que o previsto nas curvas, transmitindo segurança. Além disso, os pneus largos conferem bom grip tanto na terra (com os sulcos maiores da banda mista) quanto em piso pavimentado.
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A Active também é a primeira Spin a vir com a nova geração do câmbio automático GF6. Ainda que mantenha as seis marchas com relações inalteradas, a caixa agora realiza trocas na metade do tempo e é capaz de fazer reduções duplas e até triplas. A diferença é sensível na condução, que está mais suave e esperta. Agora a transmissão não fica mais indecisa sobre as trocas, segura a marcha na subida e não dá mais trancos - coisa que acontecia até então em algumas ocasiões. Pena que ainda não foi desta vez que a Spin ganhou um motor à altura: segue o velho 1.8 8V sob o capô, com ênfase no torque em baixas rotações (o que é até bom no caso da Spin), mas bastante limitado em potência e com uma aspereza de funcionamento que mesmo os mais desligados em mecânica vão perceber.
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Na prática o que acontece é que o câmbio acaba "salvando" o motor com reduções constantes e nas horas certas, para que se aproveite ao máximo os 17,1 kgfm de torque (disponíveis a 3.200 rpm). Ou seja, na cidade até que a Activ se sai bem em saídas de semáforo e retomadas pós-lombadas, além de manter o pique nas ladeiras. Não espere, porém, muita vivacidade na estrada, pois o motor 1.8 deixa a desejar em rotações mais altas. Nossos testes mostraram performance similar à do Cobalt 1.8 A/T nas retomadas, com 11,3 segundos na prova de 80 a 120 km/h. Já a aceleração de 0 a 100 km/h foi feita em 13,6 s, marca de Ford Ka 1.0, mas dentro da proposta familiar. Melhor para os freios, que se mostraram eficientes e seguraram a van em 41,1 metros, quando vindo a 100 km/h. A nova geração do câmbio também ajudou no consumo - um velho problema deste motor 1.8. Em circuito urbano a média da Spin Active chegou a 6,3 km/l de etanol, resultado não muito vistoso, mas que pode ser considerado bom se lembrarmos que o Cobalt não passou de 5,7 km/l com esse mesmo conjunto mecânico (ainda com a primeira geração da transmissão GF6). No circuito rodoviário a van agradou e chegou a cravar 11 km/l, marca beneficiada pela sexta marcha longa, que deixa o motor trabalhando por volta das 2 mil rpm. A única ressalva da Active em viagens é o isolamento acústico: além dos pneus de uso misto serem mais barulhentos na rodagem, a aerodinâmica do modelo não ajuda e ouve-se bastante ruído de vento.
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Terminada a semana de "aventuras" com a Spin de estepe pendurado, fica a impressão de um produto amadurecido em relação às primeiras unidades da van. Fora isso, as mudanças na suspensão foram positivas e a maquiagem de trilha fez bem ao visual, dando um pouco de alegria ao estilo careta do modelo - sem falar nas proteções plásticas nas caixas de roda, que sempre ajudam a salvar a carroceria de "portadas" de estacionamento. Diante disso, dá para afirmar sem medo que a nova versão deve conquistar uma boa parcela dos clientes da Spin, ainda mais porque a Activ A/T custa os mesmos R$ 67.220 da versão LTZ também automática. Texto e fotos: Daniel Messeder
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Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 1.796 cm3, 8 válvulas, comando simples, flex; Potência: 106/108 cv a 5.400 rpm; Torque: 16,4/17,1 kgfm a 3.200 rpm; Transmissão: câmbio automático de seis marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: liga leve aro 16, com pneus 205/60 R16; Peso: 1.325 kg; Capacidades: porta-malas 710 litros, tanque 53 litros; Dimensões: comprimento 4.424 mm, largura 1.953 mm (com espelhos), altura 1.672 mm, entreeixos 2.620 mm
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Aceleração 0 a 60 km/h: 5,5 s 0 a 80 km/h: 9,2 s 0 a 100 km/h: 13,6 s Retomada 40 a 100 km/h em Drive: 11,7 s 80 a 120 km/h em Drive: 11,3 s Frenagem 100 km/h a 0: 41,2 m 80 km/h a 0: 25,9 m 60 km/h a 0: 14,5 m Consumo Ciclo cidade: 6,3 km/l Ciclo estrada: 11,0 km/l

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