Volta rápida: BMW i3 antecipa o que vamos dirigir amanhã

Carro elétrico rodando no Brasil já é realidade em algumas cidades - você pode pegar Nissan Leaf como táxi no Rio e em São Paulo. Então, o que faz do BMW i3 tão especial para custar a partir de R$ 225.950 mesmo sendo um hatch compacto? Bem, o i3 não é somente um carro elétrico. Ele tem estrutura toda feita de fibra de carbono (mesmo material dos F1), chassi de alumínio e incorpora toda uma cultura sustentável em sua construção, trazendo, por exemplo, revestimentos internos feitos com garrafas pet recicladas e fibras naturais. Isso tudo sem contar a ampla conectividade, com direito até a um sistema de concierge 24 horas que você pode chamar a qualquer momento pelo próprio chip 3G do carro. Mas, afinal, como é dirigir um automóvel à frente do seu tempo? A resposta a gente conta a seguir.

O que é?

Dê um toque na carroceria do i3 e você vai achar que o hatch alemão é de brinquedo. Há plástico revestindo a carroceria e formando componentes como o capô e tampa traseira, por exemplo. Mas repare no assoalho ao abrir as portas: é tudo de fibra de carbono. Esse nobre material, leve e de altíssima resistência, é o que dá forma ao novo BMW elétrico. Uma das premissas do projeto do i3 era ser elétrico desde o início, não exigindo, portanto, adaptações de plataforma ou baterias ocupando o espaço dos passageiros ou bagagens.
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A extrema rigidez da fibra de carbono permitiu que o i3 não tivesse a coluna B (central), de modo que as portas traseiras abrem em sentido contrário e proporcionam maior facilidade de acesso. Uma vez lá dentro, a sensação de "o futuro chegou" é latente: no lugar do painel de instrumentos existem apenas duas telas de LCD com todas as informações necessárias - não só do funcionamento do carro como também do sistema de entretenimento. O i3 vem com um chip 3G próprio, podendo acessar o BMW World (com uma série de notícias da Reuters e clima) e também aplicativos - tem até Facebook. O espaço é bom para quatro ocupantes, mas cuidado com a cabeça ao entrar no banco de trás, pois há uma depressão onde a porta traseira se encaixa.
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O design clean do interior é complementado pelo acabamento que inclui fibras naturais e materiais reciclados. A versão topo de linha traz ainda acabamento de madeira nobre de eucalipto (obviamente certificada), couro curtido com extrato de folha de oliveira e lã ativa que se mantém fresca no calor e esquenta no frio. Para ampliar a sensação de espaço, o i3 tem bancos de fina espessura e o assoalho é totalmente plano. O porta-malas é de 260 litros, 3l a mais que o do novo Ford Ka.
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Como legítimo BMW, o i3 também foi pensado no prazer ao dirigir. Portanto, a bateria de íons de lítio (96 células), o motor elétrico e também o pequeno motor a combustão (usado como extensor de autonomia) estão todos posicionados no assoalho do carro, de modo a baixar o centro de gravidade. Derivado do motor do scooter C600 Sport, este propulsor de dois cilindros e 647 cc gera 34 cv, trabalhando unicamente para carregar a bateria, sem qualquer comunicação com as rodas. Ele entra em ação automaticamente quando a carga da bateria chega a 20%, permitindo ampliar a autonomia em cerca de 100 km. Em caso de necessidade (uma viagem mais longa, por exemplo), pode se ir abastecendo o pequeno tanque de gasolina (9 litros) sem ligar o carro na tomada, mas a BMW obviamente informa que esse não é jeito correto de utilização do veículo, podendo diminuir a vida útil de alguns componentes.
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Segundo a marca, o i3 foi projetado para uso estritamente urbano. Pesquisas revelam que o cidadão médio roda cerca de 60 km por dia, bem menos que os 160 km de autonomia da bateria - que pode aumentar em 20 km ou 40 km com o uso dos modos Eco Pro e Eco Pro Plus, respectivamente. Para o Brasil, a BMW optou por trazer apenas as versões com o motor a combustão, para que realmente não houvesse problemas quanto à autonomia, que nesse caso pode chegar a 300 km. A recarga pode ser feita em tomada comum, levando 8 horas (220V) ou 16 horas (110 V). Como acessório (R$ 7.350), será oferecido um ponto de recarga rápida, chamado BMW i Wallbox, que leva de 3 a 5 horas para encher a bateria.

Como anda?

O contato da imprensa com o i3 foi limitado a algumas voltas num condomínio fechado, no entanto, foi possível perceber os diferenciais do modelo. Como todo elétrico, chama a atenção a quase ausência de ruído ao ligarmos o motor (por botão), mas isso é só o começo. O câmbio é acionado por uma pequena alavanca na coluna de direção, com as opções Neutro, Ré e Drive. Ao selecionar o Drive e pisar no acelerador, o BMW arranca em disparada e surge um zunido "zzzzzzzzzzuuuuuuu" como se fosse o carrinho do Jetsons. A saída nervosa se dá pela entrega instantânea dos 25,5 kgfm de torque (mesmo de um Golf 1.4 TSI), já que o motor elétrico está sempre com toda sua força disponível. De acordo com a BMW, esta versão (equipada com motor a combustão) pesa 1.315 kg e alcança os 100 km/h em apenas 7,9 segundos - número coerente com seus 170 cv de potência. A máxima é de 150 km/h.
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Enquanto o i3 desliza silenciosamente pelas ruas do condomínio, me surpreende a maciez com que a suspensão passa pelas valetas do caminho, contrariando minha expectativa de um carro duro por conta das rodas ao 19". Os pneus, aliás, são exclusivos deste BMW - ou você já viu pneus de medidas 155/70 R19 na frente e 175/65 R19 atrás? Achou fininho? Nós também. Numa simulação de frenagem forte, o i3 se arrasta sem cerimônia, mostrando que a preocupação com a economia falou mais alto. Sim, até mesmo os faróis e lanternas de LED's foram escolhidos por consumirem pouca energia.
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Por falar em economizar, o i3 conta com três modos de condução: comfort, Eco Pro e Eco Pro Plus. Neste último, o sistema chega a desativar o ar-condicionado, a luz de LED diurna e reduz a velocidade máxima do carro. Em troca, aumenta a autonomia em até 40 km. Outra sacada para salvar energia é o aproveitamento da rodagem do carro para recarregar a bateria. Ou seja, assim que você alivia o acelerador o sistema já cria resistência ao movimento, de modo que você quase nem precisa usar o freio. É o que a BMW chama de "sensação de pedal único", uma vez que você tende a usar o freio apenas 10% do que faria num carro comum.
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Ainda que o i3 proporcione toda uma nova experiência de dirigir, vale lembrar que alguns valores da BMW continuam lá. A divisão de peso, por exemplo, é de 50% para cada eixo, e a tração é traseira. Não que o hatch elétrico tenha pretensões esportivas (lembra dos pneus fininhos?), mas as rápidas acelerações e a agilidade da direção (embora seja nula de sensações) deixam a coisa toda bastante divertida. Fora isso, o i3 tem diâmetro de giro de apenas 9,86 m, tornando facílima a tarefa de fazer o retorno em uma rua sem necessidade de ficar manobrando.

Quanto custa?

Sem gastar uma gota de combustível ou emitir alguma grama de CO2 na atmosfera, o test-drive termina com a dura realidade atual. Sem incentivos por parte do governo brasileiro, os elétricos ainda são inacessíveis à maioria da população. E ainda mais em se tratando de um BMW, lógico que o i3 não seria barato. Por R$ 225.950 na versão avaliada, o hatch será um brinquedinho de luxo para poucos endinheirados. E ele fica ainda mais caro na versão top, que adiciona rodas aro 20", bancos de couro, sistema de frenagem automática na cidade e sensores de estacionamento com câmera de ré - chegando a R$ 235.950.
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Sabendo das eventuais dúvidas que podem surgir nos primeiros clientes, a BMW vai oferecer um sistema de ajuda 24 horas, contando até com assistência para quatro eventualidades por ano, durante os dois anos de garantia do carro - o que inclui guincho para o caso de o i3 ficar sem bateria, por exemplo. O lado bom é que a marca prevê custo de manutenção na mesma faixa do 118i, o carro mais barato da marca por aqui. E para recarregar a bateria o proprietário vai gastar, em média, R$ 7 na conta da eletricidade de casa.
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Por enquanto, dirigir sem se preocupar com gasolina ainda é um sonho distante para os brasileiros no geral. Mas, assim como as telas sensíveis ao toque se popularizaram após a chegada do iPhone, carros como o i3 tendem a se tornar cada vez mais comuns (e acessíveis) com o tempo. Especialistas do setor garantem que daqui a uns 20 anos a maioria dos automóveis será como esse inovador BMW de hoje. Por Daniel Messeder Fotos Divulgação e autor
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BMW i3 Motor: traseiro, transversal (elétrico), traseiro, transversal, dois cilindros em linha, 647 cc e 34 cv (gerador); Potência: 170 cv; Torque: 25,5 kgfm; Transmissão: automática de uma velocidade, tração traseira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e multibraços na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: liga-leve aro 19" com pneus 155/70 R19 na frente e 175/65 R19 atrás; Peso: 1.315 kg; Capacidades: porta-malas 260 litros, tanque 9 litros; Dimensões: comprimento 3.999 mm, largura 1.556 mm, altura 1.578 mm, entreeixos 2.570 mm

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Foto de: Daniel Messeder